25.5.13
V amos fazer desta crônica uma conversa. Aliás, toda crônica é uma boa conversa fiada. Fiada ou confiada, pouco importa. Assim, vamos à crôn...
Conversa fiada
Vamos fazer desta crônica uma conversa. Aliás, toda crônica é uma boa conversa fiada. Fiada ou confiada, pouco importa.
Assim, vamos à crônica, ou melhor, à conversa. Conversa íntima. E sabe qual o seu tema? As coisas detestáveis da vida. Será que o leitor concordará comigo? Vamos lá.
Comecemos por esta coisa odiável, que se chama barulho excessivo. Nossa capital, há muito, que é líder em poluição sonora. E não se vêem campanhas educativas do poder público para esclarecer sobre os seus malefícios e sobre o desrespeito ao sossego alheio.
Vamos adiante. Que tal uma visita inesperada, que chega sem avisar? Como é constrangedora! Mais outra: certos telefonemas, oferecendo seguros de vida, cartões de crédiot, e sempre com aquele antipático e artificial sotaque sulista...
E que dizer do trânsito engarrafado? Quanto a mim, costumo sempre botar uma boa música, no som do carro, abrir um livro. Ou senão fazer uma reflexão filosófica.
Outra coisinha detestável é ver uma cara de mau humor, uma carranca, pois existem pessoas que olham a vida como se estivesse cheirando mal... Coitadas.
E que dizer de gente que buzina sem necessidade na rua, às vezes de forma insistente e prolongada? É de a gente tapar os ouvidos. A mesma coisa diremos no que diz respeito à linguagem vulgar, pornofônica de certas músicas populares. Além do linguajar, um péssimo hábito de que, lamentavelmente, a juventude de hoje está contaminada. Outrora, se não me engano, havia uma polícia de costume para coibir tais abusos.
Vejamos, agora, outra coisa chata, chata não, detestável: os fogos de São João. Dessa comemoração ao santo, só se salva mesmo é a comida. Cangica, milho assado, milho cozinhado, , pamonha.
Sim, já ia me esquecendo de outra coisa abominável: as bombas de São João. Fogos, só os de artifício, que silenciosamente iluminam as nossas noites.
E que dizer do mau humor? Ah, é preciso muito bom humor para suportar um sujeito mal humorado.
E antes que se acabe a crônica, ou melhor, essa conversa fiada, que tal mencionar as salas de espera dos consultórios médicos, sobretudo com aquela TV ligada para entreter as pessoas?
Fiquemos por aqui, e pensemos nas coisas boas da vida.
25.5.13
Muitas vezes precisamos fazer um pequeno ajuste em uma fotografia e não dispomos de nenhum editor de imagem. No trabalho, por exemplo, temos aquela foto especial que necessita de um simples retoque, um pequeno corte, uma clareada, mas o velho PC corporativo não tem nem mesmo o pré-histórico Paint para essa tarefa básica.
Muitas vezes precisamos fazer um pequeno ajuste em uma fotografia e não dispomos de nenhum editor de imagem. No trabalho, por exemplo, temo...
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Muitas vezes precisamos fazer um pequeno ajuste em uma fotografia e não dispomos de nenhum editor de imagem. No trabalho, por exemplo, temos aquela foto especial que necessita de um simples retoque, um pequeno corte, uma clareada, mas o velho PC corporativo não tem nem mesmo o pré-histórico Paint para essa tarefa básica.
25.5.13
24.5.13
A s batinas de antigamente eram pretas. A Igreja evoluiu e elas desapareceram. O sacerdote, então, passou a usar roupa como os demais homens...
As batinas de minha vida
As batinas de antigamente eram pretas. A Igreja evoluiu e elas desapareceram. O sacerdote, então, passou a usar roupa como os demais homens. Mas, falemos dos padres da batina preta que cruzaram o caminho de minha existência. Foram tantos! E muitos deles me ensinaram muita coisa. É o caso de dizer, não é o hábito que faz o monge.
E eu não sei por onde começo. Ah, já sei, vou começar pelo padre Abath, que foi meu vizinho, quando eu vim morar na Rua Nova. Ele ainda era seminarista. Bonito, educado, as meninas do colégio faziam tudo para namorar com ele. O seminarista, porém, só tinha um amor. O amor a Deus. Foi fidelíssimo ao seu sacerdócio. Depois, tornou-se padre, e por algum tempo ocupou o microfone da Rádio Tabajara com suas inspiradas mensagens.
Como disse, ele morava na Rua Nova, vizinha à nossa. Uma residência de espíritas ao lado de uma residência de católicos. Meu pai era presidente da Federação Espírita Paraibana. Meu pai desencarnou, e pouco tempo depois, padre Abath, encontrando-se comigo, disse em voz alta, do outro lado da calçada: “Seu pai foi um santo” Ah, como isto me consolou e como aquele sacerdote cresceu na minha admiração... Padre Abath, jamais o esquecerei.
Mas vamos a outras batinas pretas. E quem me chega agora à imaginação é o padre Zé Coutinho, estendendo-me a mão e dizendo ’Um dinheirinho para os meus pobres, prezado”. Não, nunca houve na Paraíba um missionário como aquele, um verdadeiro amigo dos pobres, cujo Instituto ensinava muita coisas, a começar pelos cursos de datilografia. Padre Zé Coutinho vestia uma batina meio rota, terminou sua missão aqui na Terra numa cadeira de rodas e munido de uma vareta com que cutucava as pessoas pedindo dinheiro para o seu Instituto.
Curioso, ele, toda vez que se encontrava com o meu pai, a primeira pergunta era: “Como vai teu Espiritismo, Zé Augusto? “Sim, ambos tinham sido colegas no Seminário Diocesano, desta Capital.
Minha gente, padre Zé Coutinho foi um santo, um verdadeiro discípulo de Jesus. Uma batina que só fez amar ao próximo, não apenas com os atos, mas com a palavra, usando o microfone de seu programa na Rádio Tabajara, todos os dias.
Mas vamos a outras batinas. No antigo Liceu Paraibano, tive professores padres, desde o Monsenhor Pedro Anísio que ensinava português; o Monsenhor Odilon Coutinho, professor de matemática; disciplina que não consegui aprender, e o padre Matias, que ensinava Geografia, mas que, um dia, achou de examinar as unhas dos alunos para saber quem as tinha sujas...
E o Padre Matias, político, inteligentíssimo, e, sobretudo, homem de letras? Foi um dos fundadores de nossa Academia. E vou encerrar a crônica com o padre Hildon Bandeira, que tinha horror ao Espiritismo, a ponto de escrever uma série de artigos, no jornal católico A Imprensa, sob o título geral “Guerra ao Espiritismo”. Mas quem enfrentou o padre foi Horácio de Almeida, advogado, homem culto e que adorava polêmica. O padre não resistiu aos argumentos de Horácio, e terminou saindo da polêmica por ordem do arcebispo Dom Adauto.
E eu não sei por onde começo. Ah, já sei, vou começar pelo padre Abath, que foi meu vizinho, quando eu vim morar na Rua Nova. Ele ainda era seminarista. Bonito, educado, as meninas do colégio faziam tudo para namorar com ele. O seminarista, porém, só tinha um amor. O amor a Deus. Foi fidelíssimo ao seu sacerdócio. Depois, tornou-se padre, e por algum tempo ocupou o microfone da Rádio Tabajara com suas inspiradas mensagens.
Como disse, ele morava na Rua Nova, vizinha à nossa. Uma residência de espíritas ao lado de uma residência de católicos. Meu pai era presidente da Federação Espírita Paraibana. Meu pai desencarnou, e pouco tempo depois, padre Abath, encontrando-se comigo, disse em voz alta, do outro lado da calçada: “Seu pai foi um santo” Ah, como isto me consolou e como aquele sacerdote cresceu na minha admiração... Padre Abath, jamais o esquecerei.
Mas vamos a outras batinas pretas. E quem me chega agora à imaginação é o padre Zé Coutinho, estendendo-me a mão e dizendo ’Um dinheirinho para os meus pobres, prezado”. Não, nunca houve na Paraíba um missionário como aquele, um verdadeiro amigo dos pobres, cujo Instituto ensinava muita coisas, a começar pelos cursos de datilografia. Padre Zé Coutinho vestia uma batina meio rota, terminou sua missão aqui na Terra numa cadeira de rodas e munido de uma vareta com que cutucava as pessoas pedindo dinheiro para o seu Instituto.
Curioso, ele, toda vez que se encontrava com o meu pai, a primeira pergunta era: “Como vai teu Espiritismo, Zé Augusto? “Sim, ambos tinham sido colegas no Seminário Diocesano, desta Capital.
Minha gente, padre Zé Coutinho foi um santo, um verdadeiro discípulo de Jesus. Uma batina que só fez amar ao próximo, não apenas com os atos, mas com a palavra, usando o microfone de seu programa na Rádio Tabajara, todos os dias.
Mas vamos a outras batinas. No antigo Liceu Paraibano, tive professores padres, desde o Monsenhor Pedro Anísio que ensinava português; o Monsenhor Odilon Coutinho, professor de matemática; disciplina que não consegui aprender, e o padre Matias, que ensinava Geografia, mas que, um dia, achou de examinar as unhas dos alunos para saber quem as tinha sujas...
E o Padre Matias, político, inteligentíssimo, e, sobretudo, homem de letras? Foi um dos fundadores de nossa Academia. E vou encerrar a crônica com o padre Hildon Bandeira, que tinha horror ao Espiritismo, a ponto de escrever uma série de artigos, no jornal católico A Imprensa, sob o título geral “Guerra ao Espiritismo”. Mas quem enfrentou o padre foi Horácio de Almeida, advogado, homem culto e que adorava polêmica. O padre não resistiu aos argumentos de Horácio, e terminou saindo da polêmica por ordem do arcebispo Dom Adauto.
24.5.13
12.5.13
S im, quem era aquele homem de linho branco, que está ali, a conversar com os amigos, e só ele falava? Estávamos, no Ponto de Cem ...
Aquele homem de branco
Sim, quem era aquele homem de linho branco, que está ali, a conversar com os amigos, e só ele falava? Estávamos, no Ponto de Cem Réis, que, naquela naquela época, era uma espécie de pátio cultural, onde se reuniam políticos, jornalistas e escritores, sem esquecer os juízes e os desembargadores.
Naquele grupo, só o homem de branco falava, os outros só faziam ouvi-lo Elegante no vestir, no falar, ele me chamou a atenção. E veio a resposta à minha indagação: aquele é doutor Mário Moacyr Porto, juiz de Bananeiras. E fiquei a imaginá-lo caminhando pelas silenciosas ruas de sua comarca, certamente sem público para ouvi-lo. Mas aquele homem simples sabia pensar e quem sabe pensar nunca esta só.
E eis que chegou a vez de o homem de branco ser promovido a desembargador. Viria agora para a capital. E vez por outra, vestiria uma toga preta.
Foi daí em diante que começou minha amizade com ele. Ele desembargador e eu juiz. Mas ele não via em mim um magistrado e sim um cronista, um homem de letras, um homem de jornal, que era mesmo a minha vocação.
Fomos amigos, para a minha honra. E com ele só fiz aprender. Ele era, sobretudo, um homem de Letras, tanto é assim que terminou aterrissando na nossa Academia de Letras. E, aqui para nós , num cochicho ele me disse gostava de ler minhas crônicas.
Mario Moacyr Porto foi, antes de tudo um homem de muita ética. Um verdadeiro príncipe. Um varão de Plutarco.
Escreveu vários textos de Direito Civil, sua especialidade. Que estilo! Que maneira elegante de dissertar, sem querer mostrar erudição.
Uma vez, ele me disse, “cronista, você é, antes de tudo, um admirador do sexo feminino”. E disse uma verdade.
E agora aconteceu o que ele não esperava. Escrevi um livro com o título “O Papa e a mulher nua”. E para apresentá-lo, não pensei duas vezes: Mário Moacyr Porto. Nesse tempo ele já tinha se aposentado e morava em Natal. Escrevi-lhe uma carta formalizando o convite. Ele respondeu, ironizando, “mas, cronista, você quer me incompatibilizar com a Igreja?”
E concluiu a carta, aceitando o convite. Eu quase caí de emoção. O lançamento se deu no restaurante Pedra Bonita, na cobertura do Espaço Cultural, que, infelizmente acabaram.
O jurista e homem de letras Mario Moacyr Porto apresentou meu livro. Foi aquele um dos melhores momentos de minha vida, que jamais esquecerei.
O lançamento do livro foi uma beleza. Mario Moacyr foi a grande estrela. Todo mundo desejava ouvi-lo. Formou-se uma grande roda de cadeiras em torno do jurista e homem de letras. E eu morrendo de alegria, da boa vaidade.
Não me saem da memória as palavras do ilustre apresentador, cheias de muito humor. Mas, não devo esquecer, para alegria minha, a presença da minha Alaurinda, de Márcia Kaplan, viúva do maestro Kaplan, e de sua filha Ana Elvira, que muito me ajudaram na preparação do lançamento.
O lançamento teve gosto de “quero mais”. Mas o nosso príncipe não ficou apenas na apresentação. Mais tarde, já em Natal, ele me escreve elogiando o livro e a festa.
Fico por aqui, com medo de que venham lágrimas aos meus olhos.
12.5.13
11.5.13
E , de repente, eis o cronista num salão de beleza, acompanhando a esposa, informando que iria demorar um pouco. Fiquei meio tonto ...
Cronista no salão de beleza
E, de repente, eis o cronista num salão de beleza, acompanhando a esposa, informando que iria demorar um pouco. Fiquei meio tonto em ver tantas mulheres cuidando de seus cabelos, de suas unhas, de seus pés, de seu rosto, que a beleza ainda é a grande meta, sobretudo para o outrora sexo frágil. Mais de cinquenta mulheres, de tesoura na mão mexendo nos cabelos das clientes, que dormiam ou faziam que dormiam.
E vi como é difícil o trabalho dessas profissionais da beleza, sem esquecer os homens, também muito eficientes no seu ofício de embelezamento. Quase caí da poltrona, que me ofereceram, quando vi uma frequentadora do salão, rica dos anos, sair inteiramente rejuvenescida. E me veio aquela recomendação de minha mãe: “meu filho, velhice quer trato”. E ninguém melhor do que ela cumpriu este preceito. O relaxamento com a própria pessoa é uma ofensa à Natureza.
Mas voltemosao salão. Vi um homem, por sinal muito bem vestido, cochilando, enquanto a manicure cortava-lhe as unhas. Pelo jeito, tratava-se de um deputado ou um executivo. Curioso é que parecia dormir. Decerto era solteirão, viúvo ou desquitado, porquanto uma mulher ciumenta não o deixaria assim, mesmo cochilando.
Ainda bem que levei um livro para aproveitaro tempo. Mas diante daquelasdezenasde mulheres, preferi ficar olhando o espetáculo, pois gosto muito de observar as pessoas. E pus-me a pensar na transitoriedade da vida.
Quantas pessoas desejando ser belas, principalmente as mulheres que têm horror à velhice. E como se preocupam com o cabelo. Ainda bem que nunca houve uma moda careca. Quando uma mulher é olhada, se sente observada(e ela vê pelos poros), graças à sua inata intuição, a primeira coisa que faz é dar um jeitinho, uma sacudida no cabelo.
Vieram me oferecer um Capuccino, que adoro. Gentileza da casa. E cadê minha Alaurinda? Certamente está em outra secção. O salão de Anthony é imenso. O deputado já se foi com as unhas dos pés bem cortadinhas. E viva a aparência. Somos julgados por ela. Equem me ajuda a aparar as unhas dos pés, estes adoráveis pés que me levam às caminhadas, é minha Lau.
Eu corto meu cabelo aqui perto, no salão de beleza “Semper Bela”, com o meu cabeleireiro Josias, um grande conhecedor da Bíblia, mestre na tesoura, nascido em Riacho dos Cavalos.
11.5.13
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