Hoje vamos rezar um Pai Nosso diferente. Não aquele Pai Nosso mecânico, repetitivo, ditado só com os lábios do corpo, sem estar a alma pres...

Pai Nosso meditado

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Hoje vamos rezar um Pai Nosso diferente. Não aquele Pai Nosso mecânico, repetitivo, ditado só com os lábios do corpo, sem estar a alma presente, mas um Pai Nosso profundo, tal qual o Cristo ensinou.

Uma oração sincera nem precisa de palavras, basta-lhe o enlevo de sentir a vida correndo pelo mundo afora. Muitas vezes o mecanicismo verbal torna o ato de orar superficial e automático, não raciocinado, improlífico, e por isso, incapaz de auferir os benefícios mágicos da verdadeira prece. Mas, vamos à bela oração que acalenta o mundo há mais de dois mil anos.

Pai nosso que estás em todas as coisas, santificado seja o Vosso nome, que exige respeito e veneração por quem o pronuncia.

Venha a nós o Vosso Reino e tudo o que criastes. Venham a nós os pobres e enfermos, os marginalizados, os bons e os maus, porque são apenas involuídos. Venham a nós as plantas e os animais, que devemos tratar com carinho e amor. Venha a nós a Natureza bela e pródiga com que nos presenteastes para que nada nos falte. Ajudai-nos a proteger os seus tesouros, a riqueza dos rios, mares e florestas.

Seja feita a Vossa vontade assim na terra como no céu. Vontade sábia e soberana, calcada nas leis da Criação, que sustentam as infinitas galáxias, a que temos o privilégio de pertencer. Seja feita a Vossa vontade independente da nossa, à qual nos curvaremos, resignados na fé e na certeza de que sob a divina sabedoria estaremos sempre protegidos.

Que nunca estejamos insatisfeitos, por saber que todo efeito tem uma causa, que nada acontece por acaso, e que tudo que nos cabe é por mérito próprio. Afinal, o Vosso filho Jesus nos disse que "nunca daríeis um cobertor menor que o frio", e que "não nos preocupássemos com o amanhã"... A partir daí, concluímos que escreveis certo por linhas que nos parecem tortas.

Agradecemos o pão nosso de cada dia, que a terra fértil nos provê, lembrando quão sagradas devem ser as refeições. Perdoai as nossas dívidas, na mesma medida que perdoamos àqueles que nos ofendem.

Não nos deixeis cair nas tentações, criadas por nós próprios, que inventamos luxo e necessidades supérfluas em detrimento da carência de tanta gente. Tentação de egoísmo, de ciúmes, de poder, de vaidade, de ambição. Tentação de vícios e drogas que maculam a semeadura e a inevitável colheita.

Livrai-nos do mal, tendo força para consertar o que somos capazes, aprender "a aceitar as coisas que não podemos mudar, e o discernimento para distinguir umas das outras". Livrai-nos do mal aprendendo a dominar a preguiça, a grosseria, as tendências menos afinadas com o bem coletivo. Livrai-nos do mal que fazemos aos outros e a nós mesmos, criando carma e vínculos que nos atrasam a evolução. Livrai-nos de desrespeitar os direitos de qualquer ser deste planeta, para que junto com eles caminhemos em direção ao Infinito Bem.

Que o "Pai Nosso" assim seja.
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