“Orgulham-se os seus da sua glória, quando se ouvem nomeados, tal como o olfacto se esvanece com a fogosidade das murtas.”
Panegírico de Abu-l-Qasim Ibn Hamdin, juiz de Córdoba
Recuperando alguns mosaicos da vivência luso-árabe no saudosamente vasto al-andalus de tão lauta glória e drama, cuja memória plural, histórica e cultural, o tempo dificilmente dissipará, será interessante fazer-se uma regressão aos ecos guardiães da História, um campo evidentemente sempre fértil para o emergir de descrições que tentarei a seguir situar e partilhar.
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“Todo o interior murado de Málaga está comprimido e aglomerado. A cidade está (…), distribuída simetricamente, como uma teia de aranha... As ruas estão inundadas de gente e, nos mercados, aglomeram-se as lojas”.
Lucio Marineo Sículo, cronista oficial dos Reis Católicos, que documentou o passado islâmico da Península Ibérica na sua principal obra, o De rebus Hispaniae memorabilibus (De las cosas memorables de España), acrescenta:
“(...) Os bairros e ruas de Granada, que são muitas, devido à grande espessura dos edifícios são, na sua maioria, estreitas e o mesmo acontece com as praças e os mercados onde se vendem os mantimentos (...)”.
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As portas dos oratórios eram também lugares muito disputados. Nas manhãs de sexta-feira, quando era obrigatório assistir à oração na mesquita mais importante, os vendedores ambulantes deviam deixar limpas as suas entradas, só voltando a ocupá-las com mercadorias no final da cerimónia religiosa. Era proibido o estacionamento de animais de carga nessas portas, sobretudo pouco depois do meio-dia de sexta-feira, quando se realizava a oração coletiva. Depois do adhan, o apelo à prece, cessava toda a atividade nos mercados.
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Nas praças e ruas do centro, mais largas, havia filas de mesas e balcões de lojas portáteis, protegidas do sol por meio de toldos. E o almotacé cuidava que estes fossem colocados a uma altura suficiente por forma a que os cavaleiros não colidissem neles e ferissem os olhos. Nas ruas muito estreitas era proibido aos vendedores e hortaliceiros sentarem-se com a mercadoria. Os boticários e droguistas estendiam um tapete no chão, em cima do qual expunham os seus produtos. Tanto estes como os perfumistas, preparavam-nos à vista do público. Uma das missões do referido almotacé, perseguidor de todo o latrocínio comercial, desde o mais primário, traduzia-se também em evitar o perverter no peso da mercadoria vendida, até aos mais complicados e engenhosos dos perfumistas.
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“Jardim que dá vida às flores, onde Novembro, como Abril, veste as colinas de rosas e açucenas dada a visita das nuvens noturnas que as fazem brilhar...”Nestas cidades encontravam-se as mais belas residências de estilo árabe. O seu acesso era geralmente feito através de um saguão abobadado e estreito onde estavam os criados, e em cujo extremo desembocava um grande pátio ou um verdadeiro jardim calçado de mármore, no meio do qual rompia um esguicho, rodeado de salgueiros, chorões, laranjeiras, limoeiros, romanceiras e plantas odoríferas que enchiam a casa com o perfume das suas flores e frutos. Em torno do pátio corriam os diversos pavilhões que serviam de habitações, e cujo interior era de uma opulência maravilhosa. Nenhuma descrição nos daria uma ideia fiel daqueles tetos de vigotas salientes e forros trabalhados, onde verdadeiros artistas esculpiram em cedro os mais surpreendentes arabescos, dos vidros com desenhos caprichados, das paredes cobertas de esculturas e dos adornos em forma de estalactites que enlaçavam paredes e teto.Elogio do Emir Abu Bakr Ibn Ibrahim, quando chegou a Granada como governador e aí reuniu um grupo de poetas
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A disposição do banho mouro era igual em todos os sítios. Através de um vestíbulo, acedia-se a uma primeira sala, decorada amiúde com estátuas antigas e provida de filas de cabides, onde os banhistas se despiam. Dela, passava-se para a sala tépida e, desta, para a estufa, onde se encontrava a caldeira de tijolos, cuja água se mantinha em ebulição graças a um forno colocado na cave, alimentado por achas de ramos de árvore e palmeira anã. A estufa era revestida com mármore ou pedra e dispunha de regos para evacuar a água. Nas suas paredes, havia uns bancos de tijolo sobre os quais os clientes eram massajados ou ensaboados pelos empregados de balneário, que enchiam na pia todos os baldes de água a ferver que fossem necessários. A iluminação e a ventilação faziam-se por uma série de janelinhas que podiam ser abertas, situadas no alto, em redor da cúpula que costumava cobrir a sala de calor. Uma roda de alcatruzes retirava de um poço ou de uma cisterna a água necessária para manter o nível desejado na caldeira.
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Acompanhe o programa semanal Um Certo Oriente, apresentado pelo autor, com duração de uma hora, transmitido nas seguintes emissoras e horários (de Portugal), via internet:
Segunda-feira
00h00 Rádio Antena Livre 96.7 FM | Abrantes
01h00 Rádio Salesiana | Alijó, Sabrosa, Entroncamento
15h00 Rádio Portimão 106.5 FM | Portimão
16h00 Rádio Vila Nova RVN | Cucujães
19h00 Rádio Alta Tensão | Alenquer
20h00 Rádio Azores High | Faial, Açores (horário dos Açores)
21h00 JB Nostalgia ON | Paredes
21h00 Rádio Torre de Moncorvo 95.9 FM | Torre de Moncorvo
21h00 Rádio VFM | Vouzela
22h00 RLX Rádio Lisboa | Odivelas
Terça-feira
22h00 Rádio Metropolitana Porto | Porto
23h00 Rádio Clube Penafiel 91.8 FM | Penafiel
23h00 Rádio Música da Nossa Terra
Quarta-feira
03h00 Rádio Castrense 93.0 FM | Castro Verde
20h00 Rádio Vila Nova RVN | Cucujães
21h00 Rádio Via Aberta | Lisboa
22h00 Rádio Marmeleira | Rio Maior / Ribatejo
23h00 Rádio EuroPub | Terrugem
Quinta-feira
02h00 Rádio Tejo 102.9 FM
11h00 Rádio Alcobaça | Alcobaça
20h00 Rádio Gilão | Tavira
20h00 Rádio MexFM.com | S. Paulo, Brasil (horário de Brasília)
23h00 Rádio Cantinho da Madeira | Madeira
Sexta-feira
01h00 Rádio Tejo 102.9 FM | Cartaxo
04h00 Rádio Vila Nova RVN | Cucujães
18h00 Rádio Voz dos Açores | Angra do Heroísmo / Ponta Delgada
19h00 Rádio Nova Paixão FM | Albergaria-a-Velha / Aveiro
20h00 Rádio Voz Online na Cossoul | Lisboa
20h00 Rádio Tejo 102.9 FM | Cartaxo
20h00 Rádio Gilão FM | Tavira |
22h00 Rádio Moderna | Coruche
23h00 Rádio Torre de Moncorvo 95.9 FM | Torre de Moncorvo
Sábado
01h00 Rádio Salesiana | Alijó, Sabrosa, Entroncamento
03h00 Rádio Castrense 93.0 FM | Castro Verde
08h00 Rádio Surpresa
11h00 Rádio SuperMundo | Portalegre
13h00 Rádio Elvas
14h00 WebRádio 58 | Londrino, Suíça
14h00 Rádio Alpes Suíços | Fully, Suíça
16h00 Rádio Antena Mais | Esch-sur-Alzette, Luxemburgo (horário de Luxemburgo)
18h00 Antena Web (Canal 1) | Vila Nova de Gaia
18h00 Rádio JM | Maia
20h00 Rádio Portimão 106.5 FM | Portimão
20h00 Rádio MexFM.com | S. Paulo, Brasil (horário de Brasília)
21h00 Rádio Horizonte Atlântico | Santarém / Horta / Açores (horário dos Açores)
21h00 Rádio Clube Penafiel 91.8 FM | Penafiel
Domingo
03h00 Rádio Via Aberta | Lisboa
05h00 Rádio Marmeleira | Marmeleira / Ribatejo
06h00 Rádio Tejo 102.9 FM | Cartaxo
10h00 Rádio Coração do Alentejo | Abrantes
13h00 Rádio 100Margens | Amarante
14h00 Rádio Mértola | Mértola
17h00 Rádio Portugal Star | Lisboa
18h00 Rádio Onda Nacional | Barcelos
19h00 Rádio Dueça 94.5 FM | Miranda do Corvo
20h00 Rádio Voz Online na Cossoul | Lisboa
20h00 Rádio Ourique 94.2 FM | Ourique
20h00 Rádio Tágide | Abrantes
20h00 Rádio Moderna | Coruche
21h00 Canal Viana | Viana do Castelo
21h00 Rádio Marmeleira | Marmeleira / Ribatejo
21h00 Rádio Torre de Moncorvo 95.9 FM | Torre de Moncorvo
22h00 Rádio Cultural da Filarmónica Pampilhosense | Pampilhosa
▪ Em modo Playlist diário: Rádio Sintoniza Lisboa ▪ No Brasil, a emissão ocorre três horas a menos em relação ao horário de Portugal (ou quatro horas, durante o verão do Hemisfério Norte).
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