Insubmissão Ancestral
Não adianta me calar a boca
pois a alma é água, brisa e vento.
Não adianta me arrancar os olhos
ver, enxergar, expiar e reparar
é coisa de dentro.
Não adianta me cortar as mãos
para meu povo nação sigo sendo
quase tudo, de fé e de sentimento.
Não adianta me cerrar os pés
minha chama viva corre
em pensamento.
Não adianta me decepar cabeça
Outras iguais a minha seguirão
Obstinadas a por nós lutar.
Não adianta me atear fogo
as labaredas que há em nós
são salamandras a bailar.
O que, de verdade, adianta; seu branco
e ex feitor, é o senhor se lembrar,
de que vossa conta é alta,
e estou aqui para cobrar!
Não adianta xingar, nem gritar, nem fingir.
Sua hora já passou e a nossa é de Resistir.
De falar, olhar, amar, (re)construir, coisa e tal.
Hora de Libertar Ecos de Insubmissão Ancestral!
A Nova Uma
Eis-me aqui,
plena de melanina.
Porque assim me fez
quem me criou, o/a criador(a).
Alcunharam-me de negra.
Propositadamente,
criaram um apartheid
sócio histórico e cultural,
mas sigo irrompendo-o,
porque a África de hoje
não se cala, fala!
Minha voz tem sons
de outrora,
melodias robustas
que acalentam sonhos.
Ecos que rasgam a tez do preconceito
e abrem caminhos de Liberdade,
Igualdade, Equidade e Justiça.
Minha vida tem caneta própria
de reeditar destinos.
Minha história fundamenta-se
na “pedra angular” da Ancestralidade.
Por isso, no mundo novo que fundo;
com palavras, amor e arte,
Sou Rainha de mim em toda parte.
Sem esperar na janela,
Sou a Rainha da Nova Era.
E na pátria da existência;
que canta, escreve, luta e encanta,
e nos palácios onde os meus
deixaram egrégoras,
Sou a Rainha da Esperança,
essa Nova Primavera.
Transmutação Evocativa
À Lugones.
Quando
uma
Mu-lher
se cala,...
Por "providência"
ou fatalidade
da existência,
é um novo
cha-ma-men-to.
O universo faz
uma nova
Con-vo-ca-ção...
O grande círculo
é (re)feito
em volta de
uma nova
fogueira que,
oportunamente,
se (re)acende(rá)
em algum lugar
do u-ni-ver-so.
E após a dança,
à grande
Deusa-Mãe,
em um grito
u-nís-so-no,
reconstitui-se
novas vozes
a partir daquela
que se fez
Partícula Universal
e multiplicou-se…
Isso acontece porque,
Voz de Mulher,
é
Con-vo-ca-ção
Ancestral,...
É Trans-mu-ta-ção
Evocativa:
E a carne se fez
V-o-z
"e habitou entre nós",...
E a voz fez-se
His-tó-ria
e viverá
em
Nós!
(Des)cabida
Nascida sob
o signo do
des(cabimento)
ratifico que
não caibo:
nas caixas, malas,
nas regras, normas,
nos ditames sociais
e atemporais
da hipocrisia
reportadas,
nessas,
tantas vias:
da família
da cidade
da sociedade
da menos valia
que, descaradamente,
forjam as alegrias
das gentes que é maioria
da/na nação!
Nos amores
per(feitos)
(des)feitos
na maresia
do machismo,
do racismo,
da LGBTQIAPN+ Fobia
vigilante senhorial da
heteronormatividade
que em meu peito,
não tem jeito:
dói, arde
e também
não cabe!
Descabida
como humana,
plena, e de
querelas,
caibo
é
na vida bela:
na imaginação,
mas, na fantasia,
ilusionada,
não quero
caber não!
Caibo é:
na autoria,
na alegria
na poesia
na emoção!
Mas, só
na vida
sem vida
é que faço questão
e não caibo não,
prestimoso,
coração!
Sou mesmo assim,
(des)-ca-bi-da,
com ou sem razão,
queira você
ou NÃO!