Andarilho das manhãs na areia fina e esfriada pelas lambidas do mar, ele viu boiando já na quebra das ondas uma garrafa azul. Estava tampad...
Garrafa de náufrago
Andarilho das manhãs na areia fina e esfriada pelas lambidas do mar, ele viu boiando já na quebra das ondas uma garrafa azul. Estava tampada com uma rolha. Pegou-a e viu que dentro dela havia um papel. Uma mensagem:
Comecei a aprender matemática em casa, com as primeiras letras. Logo entrei para o Primeiro Ano A, na escola de Dona Carmita, na Praça da I...
Mania de calcular
Comecei a aprender matemática em casa, com as primeiras letras. Logo entrei para o Primeiro Ano A, na escola de Dona Carmita, na Praça da Independência, quando a tabuada entrou definitivamente em minha vida.
Enigma Enquanto penso, teço enredos, crio imagens Debruço-me sobre algo que não sei Para engendrar-lhe um rosto. Nenhuma ideia! Fals...
Enigmas
Enigma

Debruço-me sobre algo que não sei
Para engendrar-lhe um rosto.
Nenhuma ideia! Falsa fluidez, teia oblíqua.
Loucura, ânsia de flagrar no outro
O que tanto busco em mim.
Sempre que vejo a placa de sinalização do trânsito que indica animal na pista, cujo ícone é uma vaca, eu faço uma brincadeira, dizendo que...
A vaca e o Bósforo
Os meios de comunicação de fácil acesso têm desestimulado a prática da leitura de livros. E isso é muito ruim. Alguns culpam exclusivamente...
O hábito da leitura
Os meios de comunicação de fácil acesso têm desestimulado a prática da leitura de livros. E isso é muito ruim. Alguns culpam exclusivamente o avanço da tecnologia. Eu, particularmente, entendo que é resultante de um processo cultural que vem sendo adotado nas escolas e no exemplo familiar.
Uma zoada muda, abafada, distante. Chega mais perto, cresce, até irromper na esquina. Quem estava em casa corre para ver. O palhaço Perna...
O dia em que o palhaço chorou
Uma zoada muda, abafada, distante. Chega mais perto, cresce, até irromper na esquina. Quem estava em casa corre para ver.
O palhaço Perna-de-pau é um homem jovem, animado e falante. Acena para quem está nas calçadas. As pessoas correspondem, fascinadas.
Canção enluarada Espero a noite que não tarda, E com as rimas da saudade Componho-te um poema branco. Deixei a rima em algum canto esq...
Canção enluarada

E com as rimas da saudade
Componho-te um poema branco.
Deixei a rima em algum canto esquecida.
Vagava pela madrugada... Conhecia bem a cidade escura, as sombras ao caminhar pelas calçadas que cruzavam na direção contrária, os olhos ac...
Pela madrugada
Vagava pela madrugada... Conhecia bem a cidade escura, as sombras ao caminhar pelas calçadas que cruzavam na direção contrária, os olhos acesos dos carros perdidos a esmo, a busca de companhia pelas avenidas e ruas, as janelas por onde pedaços de luzes piscavam meias vidas, verdades incompletas. Vultos deitados em marquises lhe soavam naturais, faziam-lhe temer menos que corpos apressados desmascarados que andam livremente nas noites de céu claro e quente.
Lembro dos tempos de infância que na minha cidade, Serraria, tinha uma praça e nela havia um coreto rodeado de quatro imponentes palmeiras,...
Praça e coreto
Lembro dos tempos de infância que na minha cidade, Serraria, tinha uma praça e nela havia um coreto rodeado de quatro imponentes palmeiras, que deixavam o ambiente ainda mais aconchegante. Quando eu ia lá, gostava de ficar sentado no banco, observando o movimento da rua, sem desviar o olhar do relógio da matriz para não esquecer a hora de retornar ao sítio.

Na praça constroem-se sonhos que nem sempre são realizados. Por isso aquela praça anda comigo, é parte de minhas quimeras de adolescente. Mas destruíram a praça, reduzindo a paisagem de nossos olhares.
Na praça é possível descobrir a cordialidade entre os habitantes da cidade. Lugar onde se planta esperança, onde se colhe sonhos.
Há milênios a praça tem papel importante na vida das pessoas e continuará, mesmo que a insegurança arrede as famílias.
No tempo de Jesus, quando se desejava contratar alguém para o trabalho, recorria-se às praças. O Mestre até usou-a em uma parábola, para falar de seu reino aos trabalhadores.
Quando destruíram o coreto da praça de nossa infância, arrancaram um pedaço de nós. Os destroços e a poeira levaram consigo a história de nossos ancestrais, restando o retrato na parede onde as folhas das palmeiras ainda tremulam.
A cidade que não cuida de suas praças está fadada ao esquecimento. Quanto encantamento no olhar havia quando, ao final das tardes e primeiras horas das noites, as pessoas conversavam nesse local.
A antiga praça de Serraria faz parte das saudades que compõem a paisagem que habita toda a minha poesia. Em tudo que presenciei na tenra idade, hoje, olhando para o passado, percebo que a natureza e os antigos casarões de minha terra são habitantes de minha poesia.

Como diria Neruda, este poeta chinelo que nos consola com sua poesia, “minha vida é uma vida feita de todas as vidas: a vida do poeta”. Minha travessia começou ali, com personagens de todas as épocas misturando-se às de hoje, que estão ao nosso lado.
O silêncio da praça sucumbiu na poeira e nos destroços, mas ressurgirá nas folhagens verdes da esperança, espalhadas pelo vento. Um vento que sussurra como música entre as palmeiras que circundam nossa cidade.
A reconstrução deste coreto teria um forte simbolismo cultural, fazendo recordar com emoção os dias de uma Serraria ainda em construção. Fica a sugestão.
“Deixe tudo, menos a hidroginástica!” Foi a recomendação do traumatologista, especializado em coluna, para o cronista Carlos Romero, após u...
Gratidão e felicidade
“Deixe tudo, menos a hidroginástica!” Foi a recomendação do traumatologista, especializado em coluna, para o cronista Carlos Romero, após uma cirurgia de estenose lombar aguda. Já com quase 90, ele fora acometido subitamente de uma dor que “descia para as pernas” impedindo-o de dar sequer um passo.















