Narrar é sobreviver. É vencer o tempo e as armadilhas da vida. E enganar a morte. Foi assim com Sherazade e continua a ser com todos a...

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Narrar é sobreviver. É vencer o tempo e as armadilhas da vida. E enganar a morte.

Foi assim com Sherazade e continua a ser com todos aqueles que dão sequência ao texto ou ao "risco do bordado" que a humanidade vai desenhando e tecendo ao longo de sua história.

Em 1909, o geógrafo Paul Walle foi encarregado pelo Ministério do Comércio francês de empreender uma viagem pelo Norte e Nordeste do ...

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Em 1909, o geógrafo Paul Walle foi encarregado pelo Ministério do Comércio francês de empreender uma viagem pelo Norte e Nordeste do Brasil objetivando elaborar um levantamento sobre as potencialidades econômicas da região visando ao incremento do comércio com a França. Walle era o vice-presidente da Sociedade de Geografia de Paris e autor de algumas obras sobre a América Latina. Como resultado das suas andanças,

Ontem, eu olhava o pôr do sol nesta terra incendiada. Havia fuligem a flutuar, junto com um cheiro de coisas perdidas. Estava tão distr...

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Ontem, eu olhava o pôr do sol nesta terra incendiada. Havia fuligem a flutuar, junto com um cheiro de coisas perdidas. Estava tão distraída que nem te vi chegar, de mãos dadas com os sons do mar.

Estendemos uma toalha – dessas de piquenique – sobre o gramado. E comemos doces, lambendo os dedos, rindo de coisas tolas.

A morte é um dos maiores mistérios da vida. Ninguém sabe ao certo o que acontece depois que deixamos este mundo, mas sabemos que é inev...

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A morte é um dos maiores mistérios da vida. Ninguém sabe ao certo o que acontece depois que deixamos este mundo, mas sabemos que é inevitável e que um dia teremos que nos despedir de tudo e de todos que amamos. Isso pode nos causar medo, angústia, tristeza e até mesmo desespero.

ARQUETIGRAMAS I Antigamente a noite ardia em círios Desfalecia em flores apodrecidas As virgens ...

poesia paraibana alberto lacet
ARQUETIGRAMAS
I Antigamente a noite ardia em círios Desfalecia em flores apodrecidas As virgens carregavam segredos Para a cova Em antiguidade mais recente O ódio, entre pesados tributos Passou a exigir também um incêndio Assim, no instante final da purga Na tarde borrada por insultos Um herege recebe as terríveis Explicações do fogo Em outra, mais antiga Em tempo sem leis de tempo (Quando insuspeitos serão os poemas) Qualquer horizonte é prenúncio da horda, ninguém Homem ou deus Opõe-se a um pântano Não se conhece a morada do deus Cuja boca sopra Ventos e rios Nem mesmo a um poema Cabe parar na forma Grafado na pedra

O título do livro do meu confrade Eitel Santiago, que ora apresento a Vossas Senhorias, Impressões esparsas , deve ser entendido com a ...

eitel santiago livro impressoes esparsas
O título do livro do meu confrade Eitel Santiago, que ora apresento a Vossas Senhorias, Impressões esparsas, deve ser entendido com a literalidade que lhe é própria, diferente daquela que o vulgo empresta aos termos. Seus textos não são tão impressões e não são tão esparsas, como pretende, na sua modéstia, o seu autor, ou como poderia julgar, erroneamente, quem se ativesse apenas ao título. Entendamos o termo esparsos com o seu sentido primeiro de coisas semeadas, que advém do verbo spargo, ĕre,

      MELANCOLIA O som da chuva nas telhas, nas plantas, nas pedras, nos vãos. A água correndo nas calhas, nas bicas, na...

poesia paraibana marineuma oliveira
 
 
 
MELANCOLIA
O som da chuva nas telhas, nas plantas, nas pedras, nos vãos. A água correndo nas calhas, nas bicas, nas ruas, no chão. Memória ativada, lá vem a saudade dos tempos de outrora em meu coração.
DAS ALEGRIAS
Não escrevo sobre alegrias, mesmo, dentre elas, a mais pura. Essa, eu deixo para viver, apreciando cada sorver de um néctar que pouco dura, mas se espalha e contagia.
ALTRUÍSMO
Dor compartilhada é dor dividida que nos conforta nas agruras da seara que é a vida.
DO CANTO
Mesmo sendo repetitivo, a insistir, não me canso de ouvir o canto claro e harmônico Do bem-te-vi.

Quase caí quando o pé direito das minhas legítimas havaianas rebentou. O primeiro grande problema foi identificar o nome correto da “pe...

sandalia havaiana brasil cronica
Quase caí quando o pé direito das minhas legítimas havaianas rebentou. O primeiro grande problema foi identificar o nome correto da “peça” avariada. Riata ou arriata? Nenhuma das duas opções. O nome certo é correia, me disse o vendedor do armarinho localizado no mercado da Torre. Porém, quando ele viu o estado das minhas sandálias deu um muxoxo:

Essa é uma pergunta feita por muitos estudantes da rede básica e até mesmo de cursos superiores. Revelam-se assombrados com a quantidad...

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Essa é uma pergunta feita por muitos estudantes da rede básica e até mesmo de cursos superiores. Revelam-se assombrados com a quantidade que lhes parece excessiva quando estão diante das regras da gramática normativa. Conforme sugere o nome, trata-se de regras, as quais podem (e devem) ser quebradas. Porém, como romper com a tradição se não a conhece? Esse é um primeiro motivo para estudar a gramática, que aqui se refere ao famoso livro no qual se estudam de fonemas a orações, passando por classes gramaticais e noções de semântica.

Vou preservar a identidade do meu interlocutor, um engenheiro espanhol desembarcado em João Pessoa no começo da década de 1970 a serviç...

fabrica papel
Vou preservar a identidade do meu interlocutor, um engenheiro espanhol desembarcado em João Pessoa no começo da década de 1970 a serviço daquela fábrica do Distrito Industrial hoje mais conhecida pela produção de sacaria, bobinas e caixas para embalagem de artigos fabris e comerciais. Digamos que se chame Juan.

      É fim de tarde e o corrimão Do tempo Em espiral se alonga O Céu se mancha De laranja E a memória navega Pontos brilhan...

poesia paraibana aurelio cassiano
 
 
 
É fim de tarde e o corrimão Do tempo Em espiral se alonga O Céu se mancha De laranja E a memória navega Pontos brilhantes Vão acendendo No tempo que era o Sol Divago dolorido E sinto a angústia das cores Aos poucos esmaecendo Sonho com os sonhos Olho para traz e vejo uma estrada se apagando Olho a frente e já vejo o fim do caminho De que esperança Hei de tirar as flores? Talvez do chão que me espera

A mente viaja solta pelos profundos oceanos dos tempos idos e das lembranças. Consigo escutar o colocar da ficha telefônica em contato...

A mente viaja solta pelos profundos oceanos dos tempos idos e das lembranças. Consigo escutar o colocar da ficha telefônica em contato com o ferro da base do orelhão. Os dedos giram no disco catando os números do telefone a ser discado. Do outro lado da linha o som da chamada, ficha cai e um “alô” é a senha para se entabular a conversa. A duração máxima é de três minutos. Mais tempo, mais ficha. Nada de celular supermicrocomputadores nos bolsos. O telefone fixo em casa era sinal de riqueza.

A cidade cresce, se descaracteriza, fica cinza. Os faróis dos carros só são belos nas fotos noturnas com longa exposição do diafragma ...

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A cidade cresce, se descaracteriza, fica cinza. Os faróis dos carros só são belos nas fotos noturnas com longa exposição do diafragma – se disfarçam em fachos luminosos. Os indivíduos não se apercebem, é massa disforme à espera do sinal verde que chega e parte sem que eles saiam do lugar.

      Epigrama I Respondendo ao Poeta Marco Di Aurélio Vez em quando pinto o sete, nestes meus 65, vou driblando o mau-olhado...

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Epigrama I
Respondendo ao Poeta Marco Di Aurélio Vez em quando pinto o sete, nestes meus 65, vou driblando o mau-olhado, trabalhando com afinco, não dou bola pra doença e também pra desavença, com o meu corpo fechado, cerro a porta e passo o trinco. Epigrama II Respondendo a Dea Conti Dea Conti, o cachete é palavra da estranja, do espanhol ou do francês, não importa a gente manja: é a piula ou comprimido, que destrói todo moído, que parece um arnês, com que a gente se arranja.

No livro Emílio ou Da Educação, publicado no ano de 1762, o filósofo, teórico político, escritor e compositor genebrino Jean-Jacques Ro...

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No livro Emílio ou Da Educação, publicado no ano de 1762, o filósofo, teórico político, escritor e compositor genebrino Jean-Jacques Rousseau (1712 – 1778) defende a tese de que o homem nasce naturalmente bom e a sociedade o transforma em um indivíduo mau. O autor propõe a educação para que a criança se torne um bom adulto. Rousseau afirma que é preciso partir dos instintos naturais da criança para desenvolvê-los na bondade. A obra, em forma de romance, Rousseau descreve a educação de um menino (Emílio) — rico e nobre, criado isolado de outras crianças — desde seu

Sempre indago por que uma pessoa reserva parte de seu tempo para vascular os empoeirados arquivos, a percorrer quilômetros em busca d...

maria firmina reis horacio almeida
Sempre indago por que uma pessoa reserva parte de seu tempo para vascular os empoeirados arquivos, a percorrer quilômetros em busca de uma informação. Que estranho prazer é esse?

O historiador Capistrano de Abreu e o nosso Irineu Pinto integram o grupo de pesquisadores que removeram montanhas de papéis para remontar nossa História, a ponto de prejudicar sua saúde.