“Ainda que faças uma centena de nós, a corda continuará sendo uma só.” Parábola sufi Os povos árabes acreditam no qaddar , uma ...

camelo deserto bagdad
“Ainda que faças uma centena de nós, a corda continuará sendo uma só.”
Parábola sufi

Os povos árabes acreditam no qaddar, uma palavra geralmente traduzida como "predestinação". Segundo este renque de pensamento, todo o ser humano terá já determinado pelo divino, à nascença, as suas características, bem assim tudo o que lhe acontece na vida. Esta crença, porém, não implica a rejeição do livre arbítrio.

Havia naquele fim de tarde um vento estranho. Forte, penetrava com intervalos inexplicáveis nas janelas, sacudia o interior d...

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Havia naquele fim de tarde um vento estranho. Forte, penetrava com intervalos inexplicáveis nas janelas, sacudia o interior das casinhas, balançava roupas e fantasmas das pessoas. Não trazia chuva, só uma fina poeira que se impregnava em tudo que tocava. Do rosto entristecido de um quadro na parede à superfície da mesa no canto da sala, do enfeite dependurado num armador de rede às garrafas de vinho enfileiradas como ornamentos ébrios num aparador...

Algumas gramáticas ensinam que {–zinho} é alomorfe, isto é, uma forma diferente do sufixo {–inho}, formador de diminutivos. Veremos ...

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Algumas gramáticas ensinam que {–zinho} é alomorfe, isto é, uma forma diferente do sufixo {–inho}, formador de diminutivos. Veremos mais à frente um conceito melhor de alomorfe. Outras gramáticas ensinam que {-zinho} é apenas o sufixo {-inho} com uma consoante de ligação. Chama-se “consoante de ligação” a consoante que se apõe entre a palavra primitiva e o sufixo, para facilitar a

O luto, no olhar humano, é o vazio que se instala após uma perda. Uma ausência que ecoa e se faz presente em cada instante de saudad...

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O luto, no olhar humano, é o vazio que se instala após uma perda. Uma ausência que ecoa e se faz presente em cada instante de saudade. Mas, se o luto é tão humano, como explicar que o cão também sofra quando seu dono se vai?

Carta ao meu querido amigo e confrade, José Nunes. Uma das imagens, Nunes, que tenho guardadas na memória, do período da minha i...

professor magisterio aula
Carta ao meu querido amigo e confrade, José Nunes.

Uma das imagens, Nunes, que tenho guardadas na memória, do período da minha infância, é com um quadro negro, quadrado, medindo 1x1, na cabeça, e uma caixa de giz com apagador, em uma das mãos, indo dar aula particular de francês, perto da casa onde eu morava.

Aperreio de verdade era acordar para levar o filho recém-nascido ao pediatra pela madrugada, conseguir que o médico acordasse para ate...

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Aperreio de verdade era acordar para levar o filho recém-nascido ao pediatra pela madrugada, conseguir que o médico acordasse para atender, torcer para ser uma doença daquelas que era suficiente o remédio para curar e achar uma farmácia de plantão que dispusesse em estoque do tal remédio. Só aí já eram 4 possibilidades difíceis de concretizar numa João Pessoa que não dispunha de quase nenhum recurso na área. À noite o que funcionava era o único pronto socorro da capital onde evidentemente não existia nenhum pediatra de plantão. E as farmácias? Que eu me lembre, aqui havia a farmácia Padre Zé na 1.817 que funcionava 24 horas.

Tem se intensificado a realização de eventos literários em que as pessoas se reúnem para dizer poemas, apresentar, debater e ler tre...

Tem se intensificado a realização de eventos literários em que as pessoas se reúnem para dizer poemas, apresentar, debater e ler trechos de obras, acompanhadas de performances e/ou de execução musical, os famosos saraus.

Naquele 7 de junho de 1996, um dia depois do meu aniversário, não vi a santa prometida pelo cearense Ernane dos Santos, nome de larga...

fanatismo religioso
Naquele 7 de junho de 1996, um dia depois do meu aniversário, não vi a santa prometida pelo cearense Ernane dos Santos, nome de larga militância no Movimento de Renovação Carismática em franca expansão, à época, na Igreja Católica. Não a vimos eu nem aquelas 2 mil pessoas aglomeradas em área baldia situada nas proximidades do então Seminário do Nazareno,

POEMAS DO LIVRO “SONETOS EM CRISE” (Editora Mondrongo – 2019)   MASSA DE PÃO O dote, esta maçã mordida; A voz, esta tinta d...


POEMAS DO LIVRO “SONETOS EM CRISE”
(Editora Mondrongo – 2019)

 
MASSA DE PÃO
O dote, esta maçã mordida; A voz, esta tinta de estar Nome, fugaz expectativa, Moinho dos ossos, o lar. Resmas, orvalhos e os espectros Restam postos, nomeando dias, Fermento gestando o passado, Massa de pão, refluxo, azia.

Em um mundo cada vez mais interconectado, a polarização do conhecimento se tornou um fenômeno notável. A atualidade nos apresenta...


Em um mundo cada vez mais interconectado, a polarização do conhecimento se tornou um fenômeno notável.

A atualidade nos apresenta uma sociedade fragmentada, onde diferentes grupos coexistem, mas frequentemente se afastam uns dos outros, criando um verdadeiro labirinto intelectual.

O Decamerão ou Decameron (Abril Cultural, Tradução de Torrieri Guimarães, 1970) é um clássico da literatura, escrito entre 1348 e 135...

decamerao boccaccio literatura
O Decamerão ou Decameron (Abril Cultural, Tradução de Torrieri Guimarães, 1970) é um clássico da literatura, escrito entre 1348 e 1353, por Giovanni Boccaccio (1313-1375), num período turbulento da Idade Média, e que rompeu com a moral medieval de forte teor religioso, escandalizou a Europa e praticamente decretou o começo do realismo na literatura, que viria culminar com o humanismo alguns séculos depois.

    Quando o vento é o maestro, Faz valer a sinfonia, E tudo é pura beleza, E tudo é pura poesia: As folhas se entrelaçando, As...

poesia paraibana raniery abrantes
 
 
Quando o vento é o maestro, Faz valer a sinfonia, E tudo é pura beleza, E tudo é pura poesia: As folhas se entrelaçando, As palhas se balouçando, E o céu azul de vigia.

A ladeira da Rua da República, vinda dos lados do mangue do rio Sanhauá, passava pelas fábricas. A Matarazzo, a de bebidas, descaroç...

conto cronica nostalgia paquera
A ladeira da Rua da República, vinda dos lados do mangue do rio Sanhauá, passava pelas fábricas. A Matarazzo, a de bebidas, descaroçadora de algodão e desfiadora de agave. Pinica levantava cedo, o balde de leite percorrendo as ruas sonolentas. O céu indeciso. Nem noite, nem dia. Ele entregava a voz explodindo na calma do amanhecer.

    O POETA É UMA ILHA O poeta é uma ilha naufragando em si mesmo. Constrói sua trilha no verso averso a atalhos e afeito aos ...

poesia paraibana leo barbosa
 
 
O POETA É UMA ILHA
O poeta é uma ilha naufragando em si mesmo. Constrói sua trilha no verso averso a atalhos e afeito aos obstáculos da palavra. O poeta se sabota e agora enxerga sua poesia como uma maldição que o desnorteia. Melhor ser insensível?

O poeta e tradutor Ivo Barroso (1929-2021) me ligou do Rio, a voz ainda bela e clara, pra saber como eu estava. Na conversa, ele - gr...

hermann hesse sinal caim violencia
O poeta e tradutor Ivo Barroso (1929-2021) me ligou do Rio, a voz ainda bela e clara, pra saber como eu estava. Na conversa, ele - graças a quem eu lera clássicos italianos (como os de Ítalo Svevo e Umberto Eco), franceses (como os de Malraux e Perec), ingleses (como os de Jane Austen), alemães – como os de Herman Hesse – me disse, a propósito de “Demian”, obra desse último, dentro da tradição literária alemã do bildungsroman (“romance de formação”), que se identificara muito com o choque de Sinclair – menino puro dando de cara com as durezas do mundo, ao que respondi “eu também”.

Nunca foi fácil ser mulher e continua não sendo até os dias de hoje. Por questões históricas, a...


Nunca foi fácil ser mulher e continua não sendo até os dias de hoje.

Por questões históricas, a mulher permaneceu por muito tempo à sombra do sexo masculino em diversas aspectos, inclusive nos aspectos artísticos e culturais. Isso é fato. Para conseguir ocupar qualquer espaço, seja nas ruas, nas escolas, nas urnas, ou na literatura foi, e ainda é necessário, muita luta. Estamos num tempo de falar, de reclamar, de termos vez e voz, e, principalmente, não ter medo.