13.2.22
No fim de outubro, Bernard von Bredow, um sexagenário violinista e luthier alemão, e sua filha adolescente foram vítimas de um brutal assa...
No fim de outubro, Bernard von Bredow, um sexagenário violinista e luthier alemão, e sua filha adolescente foram vítimas de um brutal assassinato na pacata Areguá, às margens lago de Ypacaraí, no Paraguai. O crime, que chocou a comunidade musicista internacional, foi motivado pelo roubo de quatro valiosos violinos Stradivarius, de propriedade do alemão. Infelizmente, esse não foi um caso isolado e o episódio se soma a outros roubos famosos, como os dos Stradivarius Totenberg-Ames, Lipinski, Oistrakh, Karpilowsky, Colossus,
13.2.22
13.2.22
Era uma vez um homem, com longa experiência em prestação de serviços ao seu país, que iria responder a uma CPI por, supostamente, ter come...
Era uma vez um homem, com longa experiência em prestação de serviços ao seu país, que iria responder a uma CPI por, supostamente, ter cometido atos ilícitos e participado de uma organização criminosa, que, segundo os denunciantes, havia causado danos ao erário público.
13.2.22
13.2.22
João Agripino foi, na segunda metade do século passado, uma das mais destacadas figuras políticas do País. Iniciou a sua vida pública em 1...
João Agripino foi, na segunda metade do século passado, uma das mais destacadas figuras políticas do País. Iniciou a sua vida pública em 1945, quando da redemocratização do Brasil após a ditadura do Estado Novo de Getúlio Vargas, sendo eleito deputado federal à Assembleia Nacional Constituinte pela recém-fundada União Democrática Nacional – UDN. Foi, seguidamente, reeleito deputado federal em três legislaturas. Durante esse período na Câmara, Agripino integrou um grupo de parlamentares da UDN que ficou conhecido como “A Banda de Música da UDN” e que fustigou na tribuna da Casa, incansavelmente, os governos de Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek e João Goulart. Compunham a “Banda de Música da UDN”, além de João Agripino, respeitados juristas e oradores, entre outros, Afonso Arinos,
13.2.22
12.2.22
Nunca tive muita frescura com comida. Não tenho preferências. Comida para mim sempre foi um detalhe necessário. Tem que comer e pronto. Nu...
Nunca tive muita frescura com comida. Não tenho preferências. Comida para mim sempre foi um detalhe necessário. Tem que comer e pronto. Num determinado período da vida, radicalizei. Virei macrobiótico. O problema era a pouca popularidade dessa dieta naquele tempo. Início dos anos oitenta em Porto Alegre. Eu caminhava para uma vida refinada, de maiores cuidados comigo mesmo. Almoçava na Associação Macrobiótica de Porto Alegre e seguia para a Discoteca Pública Natho Hen, ouvir quase sempre o mesmo disco: Oito Sonatas para Flauta e Cravo, de J. S. Bach.
12.2.22
12.2.22
o lápis o lápis é um caniço pensante na maré vazante da linguagem
o lápis
o lápis
é um caniço
pensante
na maré
vazante
da linguagem
12.2.22
12.2.22
Está aí um homem que encerra o curso dos seus dias sem nos sugerir a ideia de morte e sim a de completude. Viveu até onde lhe foi dado cu...
Está aí um homem que encerra o curso dos seus dias sem nos sugerir a ideia de morte e sim a de completude. Viveu até onde lhe foi dado cultivar serenamente sua visão de mundo e entrar com o acréscimo do talento, do novo e do exemplo na formação de outros mários e na melhoria urbana da sua cidade.
Herdou a missão de um renovador da cidade da qual se fez natural, o arquiteto dos arquitetos Hermenegildo Di Lascio, e acrescentou a esse legado a parte que lhe coube, a do menino de Tambiá, cercado de belos frontais, de um casario identificado com a vaidade em voga, a arquitetura que o próprio Mário veio chamar depois de “arquitetura de almanaque”. A casa paterna era um modelo e ao mesmo tempo um display da arquitetura em voga.
12.2.22
12.2.22
Em Homero não há gregos. A única vez que o termo aparece, na Ilíada , é no Canto II, quando da referência às naus e aos heróis comandados ...
Em Homero não há gregos. A única vez que o termo aparece, na Ilíada, é no Canto II, quando da referência às naus e aos heróis comandados por Aquiles. Eles são os Mirmidões, tanto chamados de Helenos quanto de Acaios (Μυρμιδόνες δὲ καλεῦντο καὶ Ἕλληνες καὶ Ἀχαιοί, verso 684). Não existem gregos, porque não existe uma Hélade (Ἑλλάδα, verso 683), senão, como uma das terras, além da Ftia, pertencente aos Mirmidões. Existem cidades-estados, cujo rei (βασιλεύς) pode ou não se aliar a um grande senhor (ἄναξ), num exército de coalizão. O termo Ἕλληνες, portanto, não rivaliza com aqueles patronímicos escolhidos para designar os heróis provenientes de várias regiões –
12.2.22
11.2.22
A vida é mesmo um quebra-cabeça, como aqueles da infância. Cheio de pedacinhos que a gente vai montando com o tempo, com as lembranças, co...
A vida é mesmo um quebra-cabeça, como aqueles da infância. Cheio de pedacinhos que a gente vai montando com o tempo, com as lembranças, com os fatos. Mas não é um quebra-cabeça estático, que quando se completa, a gente exclama satisfeito: “consegui!”
11.2.22
11.2.22
As caixas das lembranças perdidas no ar reabertas, as figurinhas coladas nas páginas do álbum reavivado, os jornais com o seu nome assinan...
As caixas das lembranças perdidas no ar reabertas, as figurinhas coladas nas páginas do álbum reavivado, os jornais com o seu nome assinando alguma matéria esquecida e desimportante pelo tempo que já ocorreu e que ganha novo valor. É quase como uma ficha dos antigos orelhões a fazer uma ligação sensorial com o cheiro de uma flor que se joga através dos galhos pelo muro de um residência agora super vigiada por câmeras e cercas eletrificadas, com o cheiro do mar no inverno ou da batida da água da chuva na terra quente e seca.
11.2.22
11.2.22
Saudade dos velhos gibis. A propósito, o termo, sinônimo de moleque, advém do nome dado à publicação lançada em 1939 pelo dono do Jornal “...
Saudade dos velhos gibis. A propósito, o termo, sinônimo de moleque, advém do nome dado à publicação lançada em 1939 pelo dono do Jornal “O Globo”, Roberto Marinho, em competição com Adolfo Alzen, fundador da Ebal, a editora que dois anos antes havia posto na praça a revista Mirim.
11.2.22
10.2.22
Mário de Andrade visita o Sertão (para William Costa) (alguém lê mário de andrade ninguém conhece mário de andrade) o homem...
Mário de Andrade visita o Sertão
(para William Costa)
(alguém lê mário de andrade ninguém conhece mário de andrade)
o homem traga o cigarro
o homem traga o insulto ao burguês
o homem permanece sentado sem insultar o burguês
(o copo na mão, o livro no chão
o violão na outra, mário de andrade no chão)
um garoto
pedala sua bicicleta rumo ao futuro
o garoto vai ser emboscado
e não encontrará mário de andrade
10.2.22
10.2.22
Meu colega escritor Ariano Suassuna uma vez contou que em seu tempo de estudante existiam apenas 3 opções de cursos universitários. Quem g...
Meu colega escritor Ariano Suassuna uma vez contou que em seu tempo de estudante existiam apenas 3 opções de cursos universitários. Quem gostava de abrir barriga de lagartixa ia estudar medicina. Os bons em matemática seguiam o curso de engenharia. Os que sobravam estudavam direito. No caso dele deu num péssimo advogado. Seu primeiro emprego foi no mais renomado escritório de advocacia de Recife, do Dr. Murilo Guimarães.
10.2.22
10.2.22
Ao ler a crônica do jornalista Petrônio Souto sobre o Cabo Branco — no Ambiente de Leitura Carlos Romero — e a degradação da enseada, me ...
Ao ler a crônica do jornalista Petrônio Souto
sobre o Cabo Branco — no Ambiente de Leitura Carlos Romero — e a degradação da enseada, me bateu uma tristeza! Morei por dez anos à beira mar naquela praia, nos anos 70, e reafirmo que era um paraíso de beleza. Depois vim morar no Bessa e, desde 1984 (isso mesmo: a data de
George Orwell e a distopia do mundo) que habito por entre cajueiros de conta e que se perderam na invasão dos prédios
des-ordenados, dos pombos e das sujeiras de que fala Petrônio. Assim também assisti, incrédula, à deterioração dos paraísos que tive a sorte de conhecer no início dos anos 80: Pipa (RN), Praia do Francês (AL) e Canoa Quebrada (CE).
10.2.22
9.2.22
Seu Elias foi realmente um caso preocupante, como mostrou a sua evolução. Nasceu portador de uma síndrome pouco conhecida: Agenesia de Anj...
Seu Elias foi realmente um caso preocupante, como mostrou a sua evolução. Nasceu portador de uma síndrome pouco conhecida: Agenesia de Anjo da Guarda.
Pois é, Seu Elias nasceu desprovido daquela entidade mítica tão importante para as crianças, aquele que, distante da mãe, não deixa que o menino entre em situações de risco: banho de mar brabo, de açude ou de rio, pular muro para roubar goiabas, pegar “morcego” em ônibus ou caminhonetas, aperrear o doido da cidade. Ou se o menino entrar em frias, livrá-lo delas.
9.2.22
9.2.22
Tirante as conquistas da tecnologia no âmbito da saúde, cuja aplicação não depende de mim, sempre emperrei em assimilar e me apropriar do ...
Tirante as conquistas da tecnologia no âmbito da saúde, cuja aplicação não depende de mim, sempre emperrei em assimilar e me apropriar do que se louva como progresso tecnológico. Não sou contra, e embora tenha levado muito tempo para mudar de teclado, e veja a um palmo dos olhos o asseio luminoso do texto eletrônico, mesmo assim ainda me ressinto da segurança da linha batida fiche no papel. Por mais rebatido, por mais sujo que tenha terminado o texto datilográfico.
9.2.22
9.2.22
A palavra “cancelamento” ganhou popularidade a partir do BBB21, edição que nossa conterrânea Juliette sagrou-se vitoriosa. Logo no início ...
A palavra “cancelamento” ganhou popularidade a partir do BBB21, edição que nossa conterrânea Juliette sagrou-se vitoriosa. Logo no início do programa, polêmicas envolvendo a artista Karol Conká, tida como uma “metralhadora de cancelamentos”, como ouvi na época, ajudaram a popularizar o termo. Cancelamento é uma espécie de veto, de rejeição, de “sai pra lá”... e a polêmica do cancelamento da vez envolve uma canção composta em 1966 por um jovem de 23 anos chamado Chico Buarque, atendendo a um pedido de uma intérprete só um pouco mais velha que ele, Nara Leão, que queria uma música de “mulher sofrida”.
9.2.22