Lá pelos anos 70, vez em quando eu aparecia na oficina de cerâmica e ateliê de pintura do Miguel dos Santos – hoje na Nossa Senhora d...

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Lá pelos anos 70, vez em quando eu aparecia na oficina de cerâmica e ateliê de pintura do Miguel dos Santos – hoje na Nossa Senhora dos Navegantes 429, na época perto da Escola Técnica, no Jaguaribe. Numa dessas, ao passar da área dos quadros para a dos fornos, vi que – acima da porta - a foto do calvo Picasso fora substituída por um retrato de Johann Sebastian Bach e sua cascateante peruca.

      Me sinto tão Dona Maria aquela que crê no dia seguinte e sonha com a eternidade Conta da vida o canto de amor aos...

poesia paulistana cristina siqueira tatui
 
 
 
Me sinto tão Dona Maria
aquela que crê no dia seguinte e sonha com a eternidade Conta da vida o canto de amor aos filhos Multiplicados em netos Sinto enjoos matinais Gestando os novos tempos Pode ser Um tempo abençoado Quero crer ! Será longo o tempo deste trajeto de imprevisível fim

O Cabo Branco, que já foi, segundo José Américo, a “terra paraibana invadindo corajosamente o mar bravio”, hoje não passa de um ...

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O Cabo Branco, que já foi, segundo José Américo, a “terra paraibana invadindo corajosamente o mar bravio”, hoje não passa de um "toco de charuto numa poça d´água". É a visão que se tem atualmente, depois que sua silhueta foi encoberta por várias edificações.

“Eu odeio adolescente!” — disparou uma aluna durante uma de minhas aulas. Retruquei que ela o é, mas permaneceu a revolta. Embora...

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“Eu odeio adolescente!” — disparou uma aluna durante uma de minhas aulas.

Retruquei que ela o é, mas permaneceu a revolta. Embora todas as fases da vida tenham suas peculiaridades e dificuldades, a adolescência é marcada por um turbilhão de incertezas e autocobranças, é o período no qual a necessidade de se afirmar é mais patente, mas não há tantos recursos (e maturidade) para conseguir essa afirmação perante o mundo.

Do rosto geralmente marcado por espinhas à mudança do cabelo. Da transformação da forma física aos processos hormonais. Da falta de dinheiro à ausência da almejada liberdade de ir e vir.

Certa vez, em Tambaú, o chuveiro elétrico de nosso banheiro queimou. Apesar de gostar de frio, chuva e neve, não sou dado a banhos frio...

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Certa vez, em Tambaú, o chuveiro elétrico de nosso banheiro queimou. Apesar de gostar de frio, chuva e neve, não sou dado a banhos frios, vá entender... O jeito foi usar o banheiro do quarto de papai, hoje a maior parte do tempo fechado, calado, passado…

Em dado momento, ao me ver dentro do box, comecei a me lembrar dos tempos de garoto, em que achava grande aquele banheiro, bem arrumado, a cara de nossa mãe. Olhei o teto, as paredes, as pequenas flores estampadas no azulejo decorado... uma viagem.

“O homem que recebeu o poder de viver de acordo com sua própria natureza é o mais rico de todos os homens. Nada o incomoda, nada tem...

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“O homem que recebeu o poder de viver de acordo com sua própria natureza é o mais rico de todos os homens. Nada o incomoda, nada teme. Tudo está bem."
Epicuro

As tardes deste inverno têm sido de nuvens cinzentas, chuva e frio. Há um mês o azul do céu quase não aparece e na árvore diante da minha janela resta apenas uma folha – solitária memória de tempos cheios de cor. Visto um casaco e saio para buscar algo simples que traga conforto frente às notícias que me chegam sobre os amigos distantes. Tanta gente enfrentando a dor com dignidade e coragem. Compro tulipas. Amarelas como pequenos botões de sol. Trouxeram – embaladas em pétalas de seda e ouro –

Fala-se que, na velhice, a vida perde a graça. Discordo. Quem perde a graça é o velho, não a vida, que sempre está aberta a quem quer ...

Fala-se que, na velhice, a vida perde a graça. Discordo. Quem perde a graça é o velho, não a vida, que sempre está aberta a quem quer desfrutá-la. Uma das formas de evitar que a graça se perca, mesmo sendo avançada a idade, é cultivar o humor.

Retirei a máscara que me protegia da peste e das fakenews . Agora, sinto-me preparado contra o que pode me tirar a alegria de viver. Fi...

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Retirei a máscara que me protegia da peste e das fakenews. Agora, sinto-me preparado contra o que pode me tirar a alegria de viver. Fiquei saturado de morte. Não sei bem como essa inércia entrou em minhas veias e atacou por dentro e por fora de minha pele. Não sei pra que lado posso correr e qual analgésico poderá fazer parar a dor da perseguição.

As novas cenas de empilhamento de corpos nas guerras, e a lista de mentiras que circulam nos noticiários são novidades necessárias de se conviver.

      CAMINHAVA-SE e o não distante, retinia nos bolsos. (não se atropela com passo inútil a promessa do broto de amanhã) ...

poesia capixaba jorge elias
 
 
 
CAMINHAVA-SE
e o não distante, retinia nos bolsos. (não se atropela com passo inútil a promessa do broto de amanhã) Retiniam nos bolsos os cristais, as balas, o despreparo de ser na miséria. Caminhava-se perdidamente, às cegas, tonto de saber-se tonto,

“O maior paradoxo da atualidade é que vivemos num mundo inundado de informação, mas sedento de conhecimento.” Essa afirmação fo...

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“O maior paradoxo da atualidade é que vivemos num mundo inundado de informação, mas sedento de conhecimento.”

Essa afirmação foi atribuída a Jack Welch, presidente da General Electric. Ela incita-nos a refletir sobre a nossa situação na sociedade pós-moderna, na qual o denominado setor quaternário ganha espaço.

Após a clássica estruturação da economia nos setores primário, secundário e terciário, decorrente dos estudos do economista inglês Colin Clark (1905-1989), precisamos admitir que novo setor econômico desponta no cenário nacional e internacional, revolucionando conceitos e paradigmas. A ciência, a tecnologia e a informação são as responsáveis pelas grandes e céleres transformações sociais, econômicas, artísticas e culturais dos últimos tempos.

Este tema prendeu minha atenção em antigo texto de Rachel de Queiroz datado de 24 de agosto de 1990. Já lá se vão mais de 32 anos. A ce...

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Este tema prendeu minha atenção em antigo texto de Rachel de Queiroz datado de 24 de agosto de 1990. Já lá se vão mais de 32 anos. A cearense escrevia sobre a posse do paraibano Ariano Suassuna na Academia Brasileira de Letras, ocorrida no dia 9 daquele mês já longínquo, e destacava o fardão especial do novo acadêmico, mistura do modelo de praxe adotado por seus pares com particularidades trazidas por Ariano, sempre preocupado em ressaltar sua nordestinidade.

A crônica, a que é fruto da subjetividade, infunde bem mais vivência (e certamente por isto) do que a sua versão historiográfica. Co...

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A crônica, a que é fruto da subjetividade, infunde bem mais vivência (e certamente por isto) do que a sua versão historiográfica. Coriolano de Medeiros, corógrafo que escrevia tão seguro quanto o mestre B. Rohan, identifica-nos com a alma da terra, com o nosso jeito um tanto desligado de ser, mais pela crônica do “Tambiá”, do “Sampaio” e dos ensaios mais breves deixados pelos jornais e revistas do Instituto Histórico e da Academia do que mesmo pelos seus elaborados estudos e pesquisas.

Acabei de escutar uma mensagem que provocou em mim certo estranhamento, vinda do alto, numa voz padronizada e insistente, dizendo mais...

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Acabei de escutar uma mensagem que provocou em mim certo estranhamento, vinda do alto, numa voz padronizada e insistente, dizendo mais ou menos assim: “Ei, aqui em cima!”

Tempos novos esses em que vem de avião o anúncio publicitário informando que o circo chegou…

No tempo das marmotas circulando pelo Ponto Cem Réis nas manhãs de domingo de Carnaval, havia a espontaneidade marcando o ponto e o pas...

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No tempo das marmotas circulando pelo Ponto Cem Réis nas manhãs de domingo de Carnaval, havia a espontaneidade marcando o ponto e o passo. E o aguaceiro sacudido mesmo em quem era alérgico à folia. Saíam impropérios e as risadas ecoavam na matinal da irreverência. Faziam mingau de farinha de trigo e sacudiam nas cabeças bem penteadas; papa nos festejos momescos: um mingau improvisado na brincadeira que durava até o meio do dia com entrada na tarde.

Com aquela voz e respiração relaxada de quem se deleitava em um balanço de rede, meu amigo José Edmilson fala ao telefone: ⏤ ...

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Com aquela voz e respiração relaxada de quem se deleitava em um balanço de rede, meu amigo José Edmilson fala ao telefone:

⏤ "Hummm, Thomas, sábado vamos ter um encontro em Campina (detalhe que ele curte suas férias em Cabedelo-PB); vamos receber Gonzaga que vai com seu filho Paulinho, Hildeberto, Irani Medeiros, Antônio David, que fará umas boas fotografias... É que ele (Gonzaga) quer dar um passeio na Praça da Bandeira relembrando dos tempos de Pio XI,

O sol vai se soltando por trás do cabo chamado de branco, que ganha tons em ouro, de várias árvores e de algumas nuvens que p...

cabo branco caminhada ginastica esporte saude
O sol vai se soltando por trás do cabo chamado de branco, que ganha tons em ouro, de várias árvores e de algumas nuvens que parecem se juntar para servir de cortina. Elas se abrem para o espetáculo do astro-rei. Na orla, o despertar de parte da cidade em pedaladas a girar nas rodas das bicicletas, das pernas que com seus músculos avançam corpos. Tudo em banhos atlânticos de imensidão a beijar em toques mansos as areias quase desertas das primeiras horas.