Para que compartilhar a loucura? Tem-se que guardar em segredo a penúria dos instintos que nos avassalam a alma. A loucura transborda, ...

solidao retorno
Para que compartilhar a loucura? Tem-se que guardar em segredo a penúria dos instintos que nos avassalam a alma. A loucura transborda, atordoa, é inventiva demais.

Diriam que ela é suportável nas crianças e em alguns endemoniados perdidos nos acostamentos das autoestradas – sempre carregando nas costas suas sacolas cheias de coisas-nenhumas. Elas não aprenderam ainda a ser gente;

João Batista de Brito, nosso notável professor, cronista e crítico de cinema e de literatura, é daquelas pessoas discretas por natureza...

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João Batista de Brito, nosso notável professor, cronista e crítico de cinema e de literatura, é daquelas pessoas discretas por natureza e por sabedoria. E esse é um dos seus charmes, um dentre outros, certamente só acessíveis aos privilegiados aos quais ele abre a porta, uma fresta que seja, de sua preservada individualidade. Como todo sábio, ele fala menos do que ouve, e quando quer expressar seu pensamento, geralmente escreve mais do que fala. É uma das nossas mais altas estrelas intelectuais, sem nenhuma dúvida, com renome para além dos muros baixos da aldeia, e, ao mesmo tempo, é uma das que faz menos alarde disso. Na verdade, não faz alarde nenhum, e até se esconde quando tal é possível.

O escritor João Guimarães Rosa é conhecido pelo caráter revolucionário e, obviamente, universal de sua obra, com características marca...

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O escritor João Guimarães Rosa é conhecido pelo caráter revolucionário e, obviamente, universal de sua obra, com características marcadas pelo chamado hiperregionalismo, e o exemplo mais marcante é, sem dúvida, “Grande Sertão: Veredas”. O detalhe é que alguns pesquisadores também encontraram em textos de sua vasta produção literária elementos que poderiam ser identificados como narrativas fantásticas, especialmente nos primeiros contos, dentre estes, com destaque para “A terceira margem do rio”, que integra as “Primeiras Estórias”.

Faz tempo, muito tempo, que não leio o céu com esse nome. Foi como aprendi a chamar a abóbada celeste que cobria de luz ou de estrel...

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Faz tempo, muito tempo, que não leio o céu com esse nome. Foi como aprendi a chamar a abóbada celeste que cobria de luz ou de estrelas o sítio lá de casa.

Era assim que ouvia de minha mãe, não com o céu amojado de chuva a castigar a lama do brejo ou dos mangues, mas com o amplo e infinito céu bem aberto, pleno de claridade, em condições de acolher todos os sonhos ou esperanças.

Narrar é sobreviver. É vencer o tempo e as armadilhas da vida. E enganar a morte. Foi assim com Sherazade e continua a ser com todos a...

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Narrar é sobreviver. É vencer o tempo e as armadilhas da vida. E enganar a morte.

Foi assim com Sherazade e continua a ser com todos aqueles que dão sequência ao texto ou ao "risco do bordado" que a humanidade vai desenhando e tecendo ao longo de sua história.

Em 1909, o geógrafo Paul Walle foi encarregado pelo Ministério do Comércio francês de empreender uma viagem pelo Norte e Nordeste do ...

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Em 1909, o geógrafo Paul Walle foi encarregado pelo Ministério do Comércio francês de empreender uma viagem pelo Norte e Nordeste do Brasil objetivando elaborar um levantamento sobre as potencialidades econômicas da região visando ao incremento do comércio com a França. Walle era o vice-presidente da Sociedade de Geografia de Paris e autor de algumas obras sobre a América Latina. Como resultado das suas andanças,

Ontem, eu olhava o pôr do sol nesta terra incendiada. Havia fuligem a flutuar, junto com um cheiro de coisas perdidas. Estava tão distr...

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Ontem, eu olhava o pôr do sol nesta terra incendiada. Havia fuligem a flutuar, junto com um cheiro de coisas perdidas. Estava tão distraída que nem te vi chegar, de mãos dadas com os sons do mar.

Estendemos uma toalha – dessas de piquenique – sobre o gramado. E comemos doces, lambendo os dedos, rindo de coisas tolas.

A morte é um dos maiores mistérios da vida. Ninguém sabe ao certo o que acontece depois que deixamos este mundo, mas sabemos que é inev...

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A morte é um dos maiores mistérios da vida. Ninguém sabe ao certo o que acontece depois que deixamos este mundo, mas sabemos que é inevitável e que um dia teremos que nos despedir de tudo e de todos que amamos. Isso pode nos causar medo, angústia, tristeza e até mesmo desespero.

ARQUETIGRAMAS I Antigamente a noite ardia em círios Desfalecia em flores apodrecidas As virgens ...

poesia paraibana alberto lacet
ARQUETIGRAMAS
I Antigamente a noite ardia em círios Desfalecia em flores apodrecidas As virgens carregavam segredos Para a cova Em antiguidade mais recente O ódio, entre pesados tributos Passou a exigir também um incêndio Assim, no instante final da purga Na tarde borrada por insultos Um herege recebe as terríveis Explicações do fogo Em outra, mais antiga Em tempo sem leis de tempo (Quando insuspeitos serão os poemas) Qualquer horizonte é prenúncio da horda, ninguém Homem ou deus Opõe-se a um pântano Não se conhece a morada do deus Cuja boca sopra Ventos e rios Nem mesmo a um poema Cabe parar na forma Grafado na pedra

O título do livro do meu confrade Eitel Santiago, que ora apresento a Vossas Senhorias, Impressões esparsas , deve ser entendido com a ...

eitel santiago livro impressoes esparsas
O título do livro do meu confrade Eitel Santiago, que ora apresento a Vossas Senhorias, Impressões esparsas, deve ser entendido com a literalidade que lhe é própria, diferente daquela que o vulgo empresta aos termos. Seus textos não são tão impressões e não são tão esparsas, como pretende, na sua modéstia, o seu autor, ou como poderia julgar, erroneamente, quem se ativesse apenas ao título. Entendamos o termo esparsos com o seu sentido primeiro de coisas semeadas, que advém do verbo spargo, ĕre,

      MELANCOLIA O som da chuva nas telhas, nas plantas, nas pedras, nos vãos. A água correndo nas calhas, nas bicas, na...

poesia paraibana marineuma oliveira
 
 
 
MELANCOLIA
O som da chuva nas telhas, nas plantas, nas pedras, nos vãos. A água correndo nas calhas, nas bicas, nas ruas, no chão. Memória ativada, lá vem a saudade dos tempos de outrora em meu coração.
DAS ALEGRIAS
Não escrevo sobre alegrias, mesmo, dentre elas, a mais pura. Essa, eu deixo para viver, apreciando cada sorver de um néctar que pouco dura, mas se espalha e contagia.
ALTRUÍSMO
Dor compartilhada é dor dividida que nos conforta nas agruras da seara que é a vida.
DO CANTO
Mesmo sendo repetitivo, a insistir, não me canso de ouvir o canto claro e harmônico Do bem-te-vi.

Quase caí quando o pé direito das minhas legítimas havaianas rebentou. O primeiro grande problema foi identificar o nome correto da “pe...

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Quase caí quando o pé direito das minhas legítimas havaianas rebentou. O primeiro grande problema foi identificar o nome correto da “peça” avariada. Riata ou arriata? Nenhuma das duas opções. O nome certo é correia, me disse o vendedor do armarinho localizado no mercado da Torre. Porém, quando ele viu o estado das minhas sandálias deu um muxoxo:

Essa é uma pergunta feita por muitos estudantes da rede básica e até mesmo de cursos superiores. Revelam-se assombrados com a quantidad...

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Essa é uma pergunta feita por muitos estudantes da rede básica e até mesmo de cursos superiores. Revelam-se assombrados com a quantidade que lhes parece excessiva quando estão diante das regras da gramática normativa. Conforme sugere o nome, trata-se de regras, as quais podem (e devem) ser quebradas. Porém, como romper com a tradição se não a conhece? Esse é um primeiro motivo para estudar a gramática, que aqui se refere ao famoso livro no qual se estudam de fonemas a orações, passando por classes gramaticais e noções de semântica.

Vou preservar a identidade do meu interlocutor, um engenheiro espanhol desembarcado em João Pessoa no começo da década de 1970 a serviç...

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Vou preservar a identidade do meu interlocutor, um engenheiro espanhol desembarcado em João Pessoa no começo da década de 1970 a serviço daquela fábrica do Distrito Industrial hoje mais conhecida pela produção de sacaria, bobinas e caixas para embalagem de artigos fabris e comerciais. Digamos que se chame Juan.

      É fim de tarde e o corrimão Do tempo Em espiral se alonga O Céu se mancha De laranja E a memória navega Pontos brilhan...

poesia paraibana aurelio cassiano
 
 
 
É fim de tarde e o corrimão Do tempo Em espiral se alonga O Céu se mancha De laranja E a memória navega Pontos brilhantes Vão acendendo No tempo que era o Sol Divago dolorido E sinto a angústia das cores Aos poucos esmaecendo Sonho com os sonhos Olho para traz e vejo uma estrada se apagando Olho a frente e já vejo o fim do caminho De que esperança Hei de tirar as flores? Talvez do chão que me espera

A mente viaja solta pelos profundos oceanos dos tempos idos e das lembranças. Consigo escutar o colocar da ficha telefônica em contato...

A mente viaja solta pelos profundos oceanos dos tempos idos e das lembranças. Consigo escutar o colocar da ficha telefônica em contato com o ferro da base do orelhão. Os dedos giram no disco catando os números do telefone a ser discado. Do outro lado da linha o som da chamada, ficha cai e um “alô” é a senha para se entabular a conversa. A duração máxima é de três minutos. Mais tempo, mais ficha. Nada de celular supermicrocomputadores nos bolsos. O telefone fixo em casa era sinal de riqueza.