Ambiente de Leitura Carlos Romero
Nobre espaço de escritores,
de escritoras e contistas,
de poetas e cronistas,
grandes mestres, professores.
Universo em que os valores,
desabrocham com ternura,
enaltecendo a cultura,
com amor e muito esmero,
patrono é Carlos Romero,
Ambiente de Leitura.
Os caminhos para o Sertão me levaram à Taperoá, onde o zeloso Dorgival Terceiro Neto nasceu, amou e defendeu. Observei vaqueiros e santos guerreiros usando indumentária característica da região a percorrer caatingas, como descritas por Ariano Suassuna, outro sertanejo de estirpe em extinção.
Toda região atingida pelo estio, com o chuvisco, as raízes brotam, ramas verdes cobrem a terra seca, o homem cava a solo, o perfume espalhado atrai pássaros, e logo os olhares estão sobre todos recantos.
Ela estranhou quando o carro parou em frente à sua casa tão cedo. Não costumava receber clientes naquela hora do dia. O homem que desceu do veículo tinha o semblante assustado e, ao vê-la no alpendre, lhe fez um aceno. Ela foi até o portão; antes de abrir, notou as olheiras de quem parecia não ter dormido.
No teatro Pantomima presenciamos uma apresentação na qual metade do sentido da obra surge através dos gestos dos atores. A outra metade, você mesmo cria a seu bel-prazer.
Em sua mente, pode aparecer uma cena de horror quando seus dias estão carregados, ou uma paisagem deslumbrante, sinônimo de como você está de bem com a vida. A metade imaginada ao vivo tem o mesmo gosto do prazer exclusivo de nossa escolha, porque somos egoístas no quesito felicidade empacotada nas mãos, à disposição de um instante para se expor ou para enxugar os olhos marejados.
Relendo, por desfastio, o “Eu e eles” de José Américo, volto a me deter em seu espanto ao ver a censura de Ilya Ehrenburg a Edouard Herriot, político e escritor francês no tempo da guerra, pela importância que Herriot dava “a noções tão completamente fora de moda como ‘cumprir a palavra e salvar a honra’.” Achava o ex-presidente do Conselho do governo francês que “devemos pagar as nossas dívidas aos Estados Unidos. Porque demos a nossa palavra”.
O livro é Pensamentos vadios (Editora Ideia, João Pessoa, 2022), da professora e filósofa Maria das Neves Franca, a Nevita. É um livro da maturidade existencial e intelectual da autora (cada vez mais jovem), que trata sobre tudo, daí o título, imagino, que conduz o leitor à reflexão mais séria a respeito de assuntos aparentemente simples e cotidianos; daí também sua insuspeitada profundidade, mas sem renunciar à leveza típica da crônica e ao sabor que só as escrituras autênticas possuem.
A obra pode até ser a primeira sob a forma de livro, já que a autora confessa suas dúvidas quanto à publicação, mas, afirmo, não é trabalho de estreante. Pelo contrário, muito pelo contrário. A forma e o conteúdo dos textos revelam alguém muito à vontade e muito experiente com a escrita e com o pensamento, características incontornáveis dos verdadeiros escritores. O livro, portanto, é profundo (sem ser sisudo); e se perfunctórias são as presentes considerações, a culpa é da falta de fôlego deste cronista para mergulhos mais ousados, da limitação do espaço e do compromisso com a simplicidade inerente ao gênero lítero-jornalístico adotado.
Entro no quarto como se pisasse em território sagrado. Da varanda vem uma brisa fresca e os verdes da primavera. Neste lugar, ele morreu, penso, enquanto a emoção se faz líquida nos meus olhos.
Minutos antes eu caminhara por uma adorável estradinha cercada de árvores. Pássaros cantavam e meu coração feliz respondia. Finalmente iria visitar a casa dele. Há anos eu esperava por isso.
O centro histórico de João Pessoa, capital da Paraíba, é um patrimônio cultural e arquitetônico que merece não apenas a atenção turística, mas também a preocupação com a segurança e o bem-estar.
O centro histórico de João Pessoa é uma verdadeira joia, abrigando construções datadas dos séculos XVI ao XIX, que testemunharam importantes momentos da história local. Entretanto, ao longo dos anos, essa região vem enfrentando desafios que ameaçam sua preservação e a atração de turistas.
Recentemente, a polêmica em torno do nome da capital paraibana voltou à tona. O advogado Raoni Vita moveu uma ação junto ao Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB), solicitando a realização de um plebiscito sobre a mudança do nome da cidade. A consulta popular está prevista no artigo 82 da Constituição do Estado, mas nunca foi realizada.
Desde os albores da sua juventude, Plínio travou luta tenaz para livrar o povo nordestino das amarras da pobreza. A primeira grande preocupação era com a educação do povo pobre de Areia - PB, pois não achava justo ele poder ir para a escola, estudar com as melhores professoras, como Julia Veronica dos Santos Leal, que ensinou às figuras mais proeminentes daquela cidade, enquanto os filhos dos moradores do engenho Saburá, onde vivia, não terem a mesma oportunidade. Por esta razão, aproveitava os momentos de brincadeira para ensinar a meninada a ler e escrever. Não raro, repetia as estórias ouvidas em casa, contadas por seu pai e irmãs.
Revendo meu baú de anotações, verifico que em 27 de julho de 2016 encontrei na internet informações a respeito dos primeiros judeus que chegaram à Paraíba e escolheram uma área do atual município de Esperança para viver. Até agora não encontrei nenhuma explicação para a escolha que fizeram. Suponho, em dedução óbvia, que buscavam locais menos acessíveis, como serras, montanhas e, claro, água, clima agradável e boas terras para cultivar, mantendo proximidade com um centro maior, no caso, Campina Grande.
Acervo: Petrônio Souto
A Vila Maria Cecília teria sido o primeiro núcleo de judeus, em Esperança, mas nas últimas décadas tornou-se um pequeno sítio de humildes proprietários, sem nenhuma conservação. O imóvel ficaria na entrada da cidade, à esquerda de quem vem de Campina Grande.
Acervo: Petrônio Souto
Embora conheça muito pouco Esperança (estive lá apenas umas duas ou três vezes, durante toda a minha vida, assim mesmo quando meus pais ainda eram vivos), todos os meus ancestrais são dessa cidade e de Alagoa Nova, que no passado eram um só município: Banabuê.
Nas minhas buscas, encontro informação curiosa: no passado, algumas casas de Esperança tinham a Estrela de David em alguma parte da residência. Antigo morador teria informado a um parente que a Vila Maria Cecília era o lugar onde moravam "uns ateus (sic) que viviam por aqui".
Acervo: Petrônio Souto
As informações são ainda escassas e fragmentadas, curiosamente sem data, mas a história estava me prendendo a atenção. Até que veio a água na fervura: um parente me dá conta de que a Vila Maria Cecília vai virar um loteamento (se não já virou).
Aubergine é berinjela e courgette é abobrinha,
artichaut é alcachofra, ciboulette é cebolinha.
Coriandre é o coentro e cumin é o cominho;
a pimenta é poivre para dar um bom gostinho;
a batata, dita inglesa, lá se diz pomme de terre
o tomate é la tomate, on n'a pas besoin de guerre.
O arroz se escreve riz, haricot é o feijão,
com a carne, que é viande, está pronta a refeição.
Luiz nasceu na Bahia em 1830 e nasceu livre, porque filho de uma negra africana livre e de um fidalgo português ao qual nunca se referiu pelo nome num gesto de nobreza, eis que seu pai o vendeu como escravo aos dez anos, após o falecimento da mãe.
“Ninguém se perde na volta”, frase cunhada por José Américo de Almeida quando regressou à Paraíba depois de um tempo morando no Rio de Janeiro, repito esta mesma frase ao voltar a Jardim do Seridó depois de oito anos ausente. Constato que a cidade cresceu e ficou mais bonita. As ruas do centro estão arborizadas com caibreiras, o pau d'arco do sertão. Flores amarelas em profusão enfeitam as avenidas com seus tons de amarelo dourado nesta época do ano. Existe um novo bairro, Alto da Bela Vista, de lá se avista a cidade inteirinha com os rios da Cobra e o Seridó com os leitos secos.
Sempre me incomodou a incapacidade de diferenciar a coral falsa da verdadeira. A questão, aliás, confirma a regra e sua exceção: a falsa é que é a boa, até porque veio ao mundo, também, a fim de comer a outra. E que ninguém me entenda mal. Uso o “comer” na exata acepção do termo. Falo, mesmo, de devorar. Sábia, a Natureza cuida do controle de suas pragas. E, assim, temos duas cobras com jeito de irmãs gêmeas, em tudo parecidas, mas inimigas ferrenhas.
Tenho refletido sobre a velhice, ao me deparar com o avançar do tempo que recai sobre todos nós – de crianças a adultos, incidindo com mais força a quem já passou dos 60 anos. Embora envelhecer seja encarado como um processo biológico, prefiro enxergar sobretudo pela perspectiva, deveras clichê – mas quem disse que os clichês não têm o seu valor e seu caráter de verdade, ainda que relativo? Refiro-me ao fato de que o envelhecimento é mais lamurioso quando abandonamos a potência de ser, de sonhar, do deslumbramento diante da vida.