Nascido em Samos, na Grécia, o filósofo Epicuro (341 a.C. — 270 a.C.), em sua escola filosófica o Jardim, defende a tese de que a ação humana se comporta de maneira não previsível. Articulando sua ética numa doutrina de vida pautada na busca de prazeres naturais, o pensador prega o hedonismo, que torna a vida mais prazerosa. Ele também sistematiza o conceito de prazer sendo o bem supremo, que é a felicidade.
De casa para o trabalho, passando pela orla, visual bonito, trânsito livre, gente fazendo exercícios e um mar calmo.
Liguei o rádio do carro… O locutor já acelerados às 7:00 h da manhã entra com a notícia. — Trânsito parado na rodovia 101, foi acidente, o motoqueiro está caído, o povo filmando enquanto aguardam a chegada do SAMU. E atenção ouvintes, quem está pensando pegar a rodovia Norte-sul; desiste, hein! Tudo parado também, todo mundo teve essa mesma ideia e travou geral.
UBI SUNT
Onde estão as cantigas de ninar?
Os contos de fadas – João e Maria, Branca de Neve
todos contados por Aninha?
Perderam-se no tempo.
Onde estão os retratos da infância perdida?
O álbum de fotografias da família?
As joias antigas?
Estão guardados no baú da memória.
O tempo é um dos maiores enigmas humanos. Muitos já tentaram decifrá-lo, mas, ou não tiveram suficientemente tempo para isso, ou desistiram pela complexidade do tema. A hipótese mais viável é a segunda, pois quem se dispõe a meditar sobre a passagem do tempo não está ocupado com outras coisas e pode se dedicar com muita calma a isso (alguém já disse que, sem ócio, não haveria filosofia nem chá dançante).
Quando jovens estudantes da escola de cinema questionaram o falecido ator Alan Rickman a respeito de qual a melhor receita para se tornar um excelente profissional nas telas, ele respondeu:
⏤ Vá ao teatro, frequente exposições de arte, interprete tudo que lhe aparecer, e quando surgir um papel interessante, tudo que aprendeu vai brotar naturalmente, e sua experiência acumulada terá eco.
É bem verdade que necessitamos de um desprendimento razoável para interpretarmos diversos papéis em nosso cotidiano. A vida nos cobra atuações com textura e sabores variados.
A atenção dispensada nos momentos passados quase despercebidos formará nossa personalidade e o nosso conjunto de virtudes, à espreita da próxima oportunidade para se apresentar da melhor forma.
Do contrário a esse rumo, um confortável gesto dos indivíduos menos virtuosos, ou dos que preferem encurtar o tempo, seria utilizar o anel de Giges, para lhes proporcionar a invisibilidade enquanto o mantiverem no dedo, girando-o para um determinado lado, e assim sumir do mapa até girar o anel para o outro lado.
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Esse foi um artefato mítico mencionado por Platão como metáfora para demonstrar a justiça do inteligente, em contrapartida ao injusto, corrompido pelo poder. Giges foi um pastor que, chegando ao palácio com o anel, seduziu a rainha, conspirou com ela a morte do rei, matou-o e obteve o poder à base de sua pretensa coragem em forma de um acessório mágico.
As virtudes se apresentam em meio ao preparo do indivíduo, construídas no tempo de um esforço concentrado, mesmo que numa atividade nada complexa, como aconteceu com a faxineira da mansão da família de Josef Stalin, a única que teve a coragem e o desprendimento de mexer no corpo morto do patrão 24 horas após sua morte, ocorrida no escritório fechado. Nenhum de seus imediatos tomou iniciativa de tocar naquele Stalin desfalecido, com medo de uma represália.
O olhar experiente e o desapego de uma pessoa simplicidade real demonstram sua clareza nas coisas mundanas por meio do seu comportamento diante do inusitado.
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Me parece que o salvo-conduto é privilégio de quem o deseja mais perto de sua escolha, ao contrário de quem o planeja para ser exposto em determinado instante.
Ou você se apressa em decidir a melhor saída, ou fica à margem da escolha do outro.
Sem dúvida é um dom. A dádiva de quem foi presenteado para fazer com naturalidade e criar a beleza que para maioria foi simplesmente negada. E isto não tem preço. A capacidade de construir o novo ou o belo não concebido, ou até o nunca antes pensado é um diferencial para uma vida inteira.
Como já dissemos por aqui, uma das decepções que tivemos em viagens de além-mar aconteceu ao realizar um grande e antigo sonho: caminhar por Cafarnaum, cidade predileta de Jesus, e pelas praias do “Mar da Galileia”, na verdade um grande lago, justamente por onde o mestre dos mestres caminhou, pregou, curou e angariou apóstolos e discípulos. Foi quando constatamos que a maioria do povo de Israel não dá a devida importância a Jesus, nem aos recantos sagrados de lá. Eles nem acreditam que o Cristo é o Salvador prometido nas profecias. Ainda estão esperando pelo Messias. Enquanto isso, matam-se e guerreiam entre si, em nome de um deus estúpido, como agora o mundo presencia horrorizado. Mais horrorizado ainda ao ver que exatamente a região onde foi primeiramente divulgada a Boa Nova, que é berço das três maiores religiões do mundo, é palco das mais atrozes violências entre povos vizinhos.
O monumento é o livro Casa Grande & Senzala, do pernambucano Gilberto Freyre, cuja publicação está completando neste 2023 gloriosas nove décadas. Verdadeiramente um monumento sociológico, antropológico e literário, reconhecido como tal no mundo inteiro, a despeito das mesquinhas restrições feitas por alguns preconceituosos, invejosos ou despeitados de nossa USP, incapazes de enxergar inteligência e grandeza para além da capital paulista, principalmente no Nordeste, e míopes do intelecto por só conseguirem analisar o mundo e a história pelo limitado viés da luta de classes marxista, como se não existissem ou fossem possíveis outras formas de ver e interpretar a realidade tão plural. E pensar que essa obra tão importante, tão vasta e de tanto alcance foi publicada quando o autor tinha apenas 33 anos de idade,
A foto ilustra a publicação de discurso de Samuel Duarte no número 12 de Paraíba Cultura, revista editada para documentar as “Noites de Cultura”. A foto reproduzida é de início dos anos 1940.
O revisionismo histórico gosta de sublinhar que o Natal incorporou elementos de festividades pagãs, especialmente durante o processo de cristianização da Europa. Celebrações associadas ao solstício de inverno, como o festival romano da Saturnália em honra ao deus Saturno, as festividades em homenagem a deusa Ceres e as comemorações germânicas das colheitas, de fato, foram adaptadas para coincidir com a celebração do nascimento de Jesus. Essas tradições pré-cristãs envolviam rituais relacionados à renovação, ao retorno da luz e à celebração da vida durante o período de escuridão e frio do inverno.
Há duas forças na língua que, segundo Saussure, se opõem simultaneamente: o espírito de campanário (esprit de clocher) e o espírito de intercurso. O primeiro visa a assegurar a estabilidade da língua diante de influências estrangeiras; o segundo opera de forma a permitir a entrada na língua de empréstimos e estrangeirismos.
Houve um tempo em que minha mãe se incomodava muito com a algazarra feita por filhos, netos e agregados nos dias em que todos se reuniam, por ocasião de algum feriado ou data comemorativa. Sua casa sempre foi impecável, tudo limpo e em seus devidos espaços.
Releitura
Bem cedo se fez tarde
e essa ânsia, meu Deus
sempre mais arde
Mas a distância daqui
até o vale do sonho
impossível cobrir
nos dois dias que me restam
Dois dias, no entanto, seculares
em que me arrasto ferida,
esfinge sem mistério
pelo deserto das lágrimas
Deus me proteja de mim
E da maldade de gente boa
Da bondade da pessoa ruim... (Chico César)
Foi o Abacate que quase levou meu amigo Zé Edmilson a ir falar com Deus. Isso lá em priscas eras, quando esse meu confrade era menino e; ainda no tempo, muito longe de sua barba e de seu bigode. Enfim, era à época um frangote magricela e sem maldades no coração. E todo mundo sabe como são as coisas, a vida não é generosa com quem confia em qualquer um e é, com dizem, preciso estar sempre com um olho no peixe e outro no gato. Sempre! Vacilou, dançou! A vida é assim.
Como ocorre em toda cidade, as ruas de Coimbra têm um nome. Alguns nomes são pitorescos, outros são históricos, outros destinam-se a homenagear escritores e personalidades; outros, ainda, se referem, especificamente, à localidade que denominam ou a profissões que ali se exerciam. Nada de novo, portanto. A novidade está no fato de que vemos isto com mais frequência e abundância do que no nosso país, sobretudo na parte mais antiga de Coimbra.
Quando vocês estiverem lendo estas mal traçadas e comemorando a festa de natal, muito provavelmente estarei fora do Brasil. Ao longo dos últimos anos tenho procurado em outros lugares a essência da tal data magna da cristandade. Houve um tempo em que, pai recente, o entusiasmo me movia a promover natais incríveis, incluindo-se aí antecipações da festa para dezenas de amigos e um natal raiz no dia 24 para a família. Vieram os netos e eu sempre me fantasiei de Papai Noel para entregar os presentes, até que Rafinha reconheceu naquela fantasia perfeita e por trás de uma barba branca enorme...meus tênis de corrida. Mais uma etapa que se foi.