Diante da realidade das perseguições espirituais, consequentes do atraso moral da humanidade, há de se indagar como se prevenir das obsessões.
A obsessão para se instalar depende da sintonia entre perseguido e perseguidor. É dessa comunhão de pensamentos que se deve afastar. Para tanto, somente a elevação dos sentimentos e dos pensamentos criará a devida proteção contra as investidas dos obsessores. Nesse contexto, surge a prática do bem pela vivência da caridade que se constitui na mais eficaz ação preventiva das obsessões.
Meyer Von BremenCaridade e humildade, tal o único caminho da salvação. Egoísmo e orgulho, tal o da perdição. Este princípio se acha formulado em termos precisos nas seguintes palavras: “Amarás a Deus de toda a tua alma e a teu próximo como a ti mesmo; toda a lei e os profetas se acham contidos nesses dois mandamentos.” E, para que não haja equívoco sobre a interpretação do amor de Deus e do próximo, acrescenta: “E aqui está o segundo mandamento que é semelhante ao primeiro”, isto é, que não se pode verdadeiramente amar a Deus sem amar o próximo, nem amar o próximo sem amar a Deus. Logo, tudo o que se faça contra o próximo é o mesmo que fazê-lo contra Deus. Não podendo amar a Deus sem praticar a caridade para com o próximo, todos os deveres do homem se encontram resumidos nesta máxima: “fora da caridade não há salvação”.
Vemos, assim, que a prática da caridade é veículo para o crescimento espiritual. Pela caridade o indivíduo vence o orgulho e o egoísmo, que retardam o progresso, estabelecem conflitos entre indivíduos e povos, fazendo-se com que se cerre os olhos às necessidades alheias. Praticar a caridade é fazer o bem, sem distinções ou preconceitos. Engloba tudo o que se possa fazer a outrem, em forma de bondade e amor. Vai desde o ato de socorrer a fome, agasalhar o desabrigado, e outros gestos materiais, passa pelo esclarecimento intelectual e espiritual, de elevado poder libertador, e se completa com renúncia de si em favor do próximo.
Por vezes ainda se despontam aqueles que creem que caridade é ato de quem oferece esmola. Allan Kardec demonstra que é muito mais:
Qual o verdadeiro sentido da palavra caridade, tal como Jesus a entendia?
Benevolência para com todos, indulgência para com as imperfeições dos outros, perdão das ofensas.
Meyer Von BremenCaridade, assim definida, vai muito além da oferta de recursos materiais, para alcançar as relações interpessoais. Para a perfeita apreensão do sentido mais elevado da resposta acima, cumpre analisar: benevolência, indulgência e perdão das ofensas, na visão dos Espíritos superiores.
1. BENEVOLÊNCIA
Entende-se por benevolência toda disposição favorável com o próximo. A cordialidade, a tolerância, a benignidade são seus consentâneos. Benévolo é o que demonstra afeto, amizade, fraternidade, respeito. Emmanuel pondera a respeito:
A caridade é sublime em todos os aspectos sob os quais se nos revele e em circunstância alguma devemos esquecer a abnegação admirável daqueles que distribuem pão e agasalho, remédio e socorro para o corpo, aprendendo a solidariedade e ensinando-a.
O aviso do Instrutor divino nas anotações de Lucas357 significa: dai esmola de vossa vida íntima, ajudai por vós mesmos, espalhai alegria e bom ânimo, oportunidade de crescimento e elevação com os vossos semelhantes, sede irmãos dedicados ao próximo, porque, em verdade, o amor que se irradia em bênçãos de felicidade e trabalho, paz e confiança, é sempre a dádiva maior de todas.
Pela interpretação de Emmanuel, benévolo é o que distribui o sustento ao corpo, no aprendizado e no ensino da solidariedade. Mas é, também, o que distribui alegria, bom ânimo, esperança em benefício do próximo.
2. INDULGÊNCIA
Meyer Von BremenIndulgência é a capacidade de ser tolerante com as ações ou imperfeições dos outros. É agir com bondade, fraternidade, solidariedade e misericórdia nos relacionamentos pessoais.
No livro Pão Nosso (, consta as seguintes observações:
Sejamos compreensivos para com os ignorantes, vigilantes para com os transviados na maldade e nas trevas, pacientes para com os enfermiços, serenos para com os irritados e, sobretudo, manifestemos a bondade para com todos aqueles que o Mestre nos confiou para os ensinamentos de cada dia.
Busquemos o amor fraterno, espontâneo, ardente e puro.
A caridade celeste não somente espalha benefícios. Irradia também a divina luz.
Indulgência é entendimento, compreensão, é colocar-se no lugar do outro para procurar compreender suas ações e deslizes. A indulgência não prescreve a conivência com os erros alheios, mas determina que possamos auxiliar o próximo a se corrigir, sabendo que o mal é um estado transitório.
3. PERDÃO
Perdoar é esquecer as ofensas de forma incondicional. No livro Pensamento e vida, Emmanuel afirma: “[...] o perdão será sempre profilaxia segura, garantindo, onde estiver, saúde e paz, renovação e segurança.” Em outra obra, o mesmo autor fala sobre o perdão:
Os expoentes da má-fé costumam interpretar falsamente as palavras do Mestre, com relação à resistência ao mal.
Não determinava Jesus que os aprendizes se entregassem, inermes, às correntes destruidoras.
Meyer Von BremenAconselhava a que nenhum discípulo retribuísse violência por violência.
Enfrentar a crueldade com armas semelhantes seria perpetuar o ódio e a desregrada ambição no mundo.
O bem é o único dissolvente do mal, em todos os setores, revelando forças diferentes.
Jesus, todavia, nos aconselha a defesa do perdão setenta vezes sete, em cada ofensa, com a bondade diligente, transformadora e sem-fim
O perdão constitui-se dissolvente do mal, base da saúde emocional, fator de proteção espiritual e equilíbrio do ser humano. Nessa perspectiva é ato unilateral, que dispensa a concordância do outro. Se o desafeto for incapaz de perdoar, o tempo haverá de clarear-lhe a consciência, mostrando-lhe a impropriedade da vingança, do ódio e da mágoa.
Allan Kardec ensina a orar pelos que nos perseguem, nisso constituindo mérito para o obsidiado, que lhe abreviará a expiação. Emmanuel, por sua vez, complementa:
Reportamo-nos aos companheiros tímidos e vacilantes, embora bem intencionados, para concluir que, em todas as tarefas humanas, podemos sentir a presença do Senhor, santificando o trabalho que nos foi cometido. Por isso, não podemos olvidar a lição evangélica de que seria abençoado qualquer esforço no bem, ainda que fosse apenas o de ministrar um copo de água pura em seu nome
4. A PRÁTICA DA CARIDADE COMO MEDIDA PREVENTIVA DA OBSESSÃO
O espírita, onde, quando e como se encontre, deve filiar-se a uma atividade que lhe exercite a prática da caridade, buscando aquela com a qual guarde maior afinidade, na própria Casa Espírita ou em outra instituição; ou mesmo na comunidade, em organizações governamentais ou não governamentais. O importante é incorporar o exercício do bem nas atividades corriqueiras da vida.
Meyer Von BremenO médium, em especial, por necessitar melhor compreender os Espíritos sofredores, exercitam esta compreensão em atividades junto aos sofredores encarnados. Aliás, não se justifica que o espírita, médium ou não, sob quaisquer pretextos, se limite apenas a adquirir conhecimento sem, contudo, colocá-lo em prática.
Ir ao encontro dos que sofrem, amenizar-lhe a dor das provações, às vezes muito dolorosas, é dever moral de cada adepto do Espiritismo. Somente assim estará apto para desfraldar a bandeira do Espiritismo — Fora da Caridade não há Salvação —, com firmeza e sinceridade, sobretudo no meio onde o sofrimento campeia: órfãos e crianças abandonadas; jovens transviados; idosos desamparados; famintos desesperados; enfermos, da alma e do corpo, prisioneiros da dor; legiões de almas perdidas nas viciações de todos os matizes, alienados da vida…
Sejamos, então, cada um de nós, em qualquer posição que ocupemos na vida, um bom samaritano, como ensina a belíssima parábola ensinada por Jesus, (Lucas, 10:30 a 35), a partir da qual Humberto de Campos (Irmão X) apresenta estas conclusões:
Em todos os tempos, há exércitos de criaturas que ensinam a caridade; todavia, poucas pessoas praticam-na verdadeiramente. [...] É por isso que a caridade, antes de tudo, pede compreensão. Não basta entregar os haveres ao primeiro mendigo que surja à porta, para significar a posse da virtude sublime. É preciso entender-lhe a necessidade e ampará-lo com amor. Desembaraçar-se dos aflitos, oferecendo-lhes o supérfluo, é livrar-se dos necessitados, de maneira elegante, com absoluta ausência de iluminação espiritual. A caridade é muito maior que a esmola. Ser caridoso é ser profundamente humano e aquele que nega entendimento ao próximo pode inverter consideráveis fortunas no campo de assistência social, transformar-se em benfeitor dos famintos, mas terá que iniciar, na primeira oportunidade, o aprendizado do amor cristão, para ser efetivamente útil.
É melhor ser alegre que ser triste, já dizia o poetinha.
Mas o mundo anda tão triste, né, gente?
Ninguém repara nos olhos da amada. Afinal, para alguns idiotas ela nem é mulher...
Ninguém mais pensa nas crianças mudas telepáticas...
Vinicius de Morais Arq. NacionalÉ que, de repente, mas não tão de repente, do riso, fez-se o pranto.
É que depois de tanto erro passado, é preciso conjugar o verbo no infinito.
Lembrar que o bom samba é uma forma de oração.
Dia 19 último foi o aniversário de nascimento de Vinícius de Moraes. Em sua homenagem meu Vini ganhou seu nome.
Lembro que um amigo, na época em que Vini teve seu nome escolhido (ainda não havia nascido), fez muxoxo, dizendo que era nome de intelectual.
Não sabia ele que Vinicius, o poeta, não era do agrado dos intelectuais, porque era alegre, amava as mulheres de verdade (não na base da idealização) e não vivia como um sorumbático macambúzio, como querem que sejam os poetas.
E que Vinícius, o meu filho, já nasceu eterno, e não chama. Parabéns ao poetinha!
Sobre poesia, vou falar algumas histórias de bastidores, sem citar nomes, mas casos reais:
Começar citando o caso de um poeta que era ignorado pelas vanguardas poéticas.
Ele fazia sonetos, e isso é algo imperdoável para alguns ditos vanguardistas.
Era muito talentoso, mas sofria esse preconceito (sim, poetas são preconceituosos com os próprios poetas).
Pierre Seghers e Vinicius de Morais Alécio de Andrade
Para romper a bolha, escreveu poemas na linha dos que o rejeitavam.
Poemas "inventivos", com frases verbais pulando de um verso pra outro. Como se fossem separação de sílaba, saca,?
Foi, então, aceito pelo grupo. Passou a ser considerado poeta pelos que o criticavam, que até passaram a publicar seus poemas em suas revistas.
Ele, enquanto isso, ria do acontecido e voltou a fazer sonetos.
Linaldo Guedes é mestre em ciências da religião, jornalista e poeta
A mãe,
nenê no ninho,
olha,
no espelho – com muito carinho – a bela boca nada neutra,
pronta pr´outra.
quem não vê,
numa fábula de Esopo,
a versão... virtual.. de um filme de animação?
Conta-se que no século XVIII um certo credor alemão, ao receber como pagamento informal um pacote com algumas partituras, espantou-se ao abri-lo. Familiarizado com a linguagem musical, foi capaz de ouvir a orquestra inteira no que viu ali escrito, de forma sublime. Como seria possível que obras tão belas estivessem sendo assim perdidas, trocadas como moeda comum, sem atribuição nem relevância?
Aprendi com o jornalista Dulcídio Moreira que a elegância dos sapatos distingue tanto ou mais quanto a dos bons ternos. Um sapato cego, sem brilho nem classe, podia derrotar um terno inteiro de casimira ou de linho irlandês, luxo que não devia faltar no guarda-roupa da usina ou do alto comércio. Veja-se uma foto de evento político ou oficial dos anos 40, com Virginio Veloso, José Américo, Argemiro, Renato Ribeiro, de grupos políticos diferentes, mas alvejando iguais no diagonal york-street ou no linho irlandês.
Alice desistiu de procurar a Rainha, mas não estava nada satisfeita com as mudanças de tamanho. Era muito doloroso não saber como ia acordar no dia seguinte. Caminhava pelo bosque com esses pensamentos tristes, quando viu ao lado da trilha um homem sentado diante de uma mesa sobre a qual havia um papel em branco. Era o Escritor. Resolveu lhe falar:
O dourado majestático que ornava a madrugada prometia um chuvisco. Sacolejando no cubículo lá da rabeira, embalado pelo ronco contínuo do motor, o menino acompanhava pelo vidro traseiro as duas esteiras simétricas, entrecortadas pela fumaça do escapamento, que os pneus da velha Rural abriam na estrada. E fundia a cabeça imaginando que espantosa força motriz era capaz de impulsionar, a tamanha velocidade, aquela fubica torta sem desmontá-la, desafiando todas as leis da Física.
Incluindo neste ano sabático, por imposição do destino, vários hábitos cotidianos no esforço de me adaptar a nova fase; Me refiro aos momentos de incertezas, de angústias, que pude constatar. Vi toda a vulnerabilidade a que estamos expostos e impostos. Um desses hábitos foi a leitura de todas as cartas do Apóstolo Paulo. Me detive a estuda-las como se fosse um trabalho que um professor me tivesse solilcitado.
O aforismo constitui uma das maiores pretensões da inteligência, a de reger a vida.
Carlos Drummond de Andrade
Origem: do Verbo ao aforismo
Eis que "no princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Tudo foi feito por ele; e nada do que tem sido feito, foi feito sem ele. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens" (João 1:1-4). Partimos também da palavra, agora oriunda do homem (pretensioso?), para iniciar uma discussão sobre esta polêmica forma literária denominada aforismo.
Hipócrates (460—370 a.C.)Seu surgimento remonta a Hipócrates — "pai da medicina" — na Grécia antiga. Em seu livro intitulado Aforismo (αφορισμός) o autor escreveu uma coleção de orientações para doenças e medicamentos [1-2]. Obviamente, Hipócrates não estava ciente de que este "manual" de aconselhamento médico, viria a nomear uma nova forma literária. Na verdade, a frase hipocrática que serve de introdução ao livro, "A vida é curta, a arte é longa" (ars longa, vita brevis), embora construída com um propósito diferente, traz em si a definição de um aforismo: uma frase concisa, precisa e carregada de grande força.
Testemunha de conversas e silêncios, de sorrisos e lágrimas, de encontros e desencontros, ele foi descanso, pouso para o corpo e alma. Guarda segredos impregnados de atores que envelhecem a cada dia. Fez parte de jardins, teve grama sob os pés, presença dos passeios, dos segredos quase confessionário, dos passantes. Era vizinho de castanholas, tinha flores por perto, era amigo de soldadinhos.
Há uma celeuma no ar. Acredito que sempre houve. Desta feita trazida à tona por uma necessidade dos novos tempos, que a língua ainda não conseguiu acompanhar, nem podemos dizer se vai. Como se sabe, é o uso que faz a língua se tornar linguagem. As mudanças, no entanto, ditadas pelo uso são lentas e vão se acomodando de acordo com as conveniências do uso coletivo. A língua é, sem dúvida, viva e dinâmica, mas a vivacidade e o dinamismo não significam a rapidez que muitos desejam. O poeta Horácio, em sua Arte poética, já nos aponta o uso como senhor absoluto no comando da língua determinando a instauração de novas palavras, termos e expressões, ao mesmo tempo que faz a advertência de usos que cairão no esquecimento. A língua, como um sistema, registra todos, guarda-os, mas só concede a visão da luz do dia àqueles que se empregam pela coletividade.
Singular figura a do marido de professora. Se não mais atualmente, pelo menos há até bem pouco tempo, quando as conquistas sociais femininas não tinham ainda tornado banais as afirmativas mulheres dedicadas ao magistério. Mulheres essas que, durante décadas, foram talvez as únicas a alcançar algum destaque pessoal e profissional numa sociedade brasileira atrasada e machista, que as relegava, genericamente, à subalterna e exclusiva condição de donas de casa e mães de família.
O episódio nº 8 da Pauta Cultural entra no ar na ALCR TV com atualidades do mundo cultural, participação dos autores, leitores e telespectadores do Ambiente de Leitura Carlos Romero.
Ao entardecer do dia 19 de novembro de 1937 na cidade de Salvador (BA), o vermelho do pôr do sol foi infestado pela fumaça encarnada da queima de livros, deixando boquiabertos transeuntes que não entendiam o corre-corre que estava acontecendo na cidade.
O que vem a ser o “politicamente correto”? Vivo procurando a definição mais acertada para essa expressão. A mais usual é a de que se trata de um código de conduta não formalizado e estabelecido individualmente por cada um de nós. Uma forma de controlar o vocabulário, evitando causar constrangimentos, ofender, proferir insultos.