Qualquer aluno do ciclo básico de Sociologia compreende que as relações sociais e de trabalho mudaram radicalmente nos últimos anos e torna...
As maiorias silenciosas
Qualquer aluno do ciclo básico de Sociologia compreende que as relações sociais e de trabalho mudaram radicalmente nos últimos anos e tornaram-se mais flexíveis. Velhos paradigmas estão sendo quebrados através de novas formas de sociabilidade advindas do neoliberalismo, provocando profundas mudanças nos costumes, hábitos e valores.
Não é mesmo nada fácil escrever sobre amigos quando se pretende uma avaliação isenta. Por outro lado, sabemos que com os verdadeiros amigos...
No caminho da música
Não é mesmo nada fácil escrever sobre amigos quando se pretende uma avaliação isenta. Por outro lado, sabemos que com os verdadeiros amigos deve-se cultivar a sinceridade e a boa crítica, porque se trata de um olhar carinhoso com o único objetivo de melhorar, ou, pelo menos, contribuir com o aprimoramento de quem temos estima. Arvoro-me nessa empreitada a falar, desta vez, sobre álbum de grande amiga potiguar-estadunidense.
Em tempos de isolamento social, época de pandemia, é dúbio pensar: estou fora! Se a pessoa for idosa e do grupo de risco, o fora é dentro d...
Novamente ela chegou sem avisar
Em tempos de isolamento social, época de pandemia, é dúbio pensar: estou fora! Se a pessoa for idosa e do grupo de risco, o fora é dentro de casa. Essa constatação ficou bem óbvia quando acordei, olhei para as minhas roupas penduradas na arara e pensei: quanto tempo mais vou viver fora das minhas roupas? Cheguei até a sonhar que estava com meu vestido verde claro, com um tecido mesclado, que gosto tanto.
Não existe nada mais gratificante do que contemplar uma criança ou adolescente com um livro nas mãos. Seja a caminho da escola ou em casa. ...
A jovem e o livro de Neruda
Não existe nada mais gratificante do que contemplar uma criança ou adolescente com um livro nas mãos. Seja a caminho da escola ou em casa. Esses instantes são para mim gratificantes, pois aconteceram no passado com os meus filhos e agora se repetem com os netos. Antes acompanhava minha filha adentrando o mundo da literatura e, agora adulta, ela mesma escrevendo e lendo seus textos para seu filho e sobrinhos. Sinto-me realizado.
“Le jeune fit un geste, le geste de César passant le Rubicon” (o jovem fez um gesto, o gesto de César passando o Rubicão), é o que nos cont...
A travessia do Rubicão
“Le jeune fit un geste, le geste de César passant le Rubicon” (o jovem fez um gesto, o gesto de César passando o Rubicão), é o que nos conta o narrador de "A Fortuna dos Rougon" (La fortune des Rougon), romance de Émile Zola (Capítulo VI). Ainda que não queiramos, vivemos impregnados do latim e da cultura latina. Quem nunca ouviu a frase alea iacta est ? E quem nunca se lembrou dela numa situação limite?
O Poder, ah, o Poder ... O Poder e sua força irresistível, seu fascínio desarrazoado e alucinante. O labirinto psicológico que o envolve, ...
O poder do Poder
O Poder, ah, o Poder ... O Poder e sua força irresistível, seu fascínio desarrazoado e alucinante. O labirinto psicológico que o envolve, os sentimentos que suscita e que Shakespeare genialmente dissecou tão bem – e para sempre – em Hamlet, Macbeth, Rei Lear e Otelo, por exemplo.
Vejo uma reportagem na TV sobre compulsão. A repórter entrevista alguns compulsivos, que falam sem pudor de suas manias. Uma mulher só se s...
Compulsões
Vejo uma reportagem na TV sobre compulsão. A repórter entrevista alguns compulsivos, que falam sem pudor de suas manias. Uma mulher só se sente feliz quando faz compras. Mostra no guarda-roupa uma porção de vestidos, blusas, sapatos que jamais vai usar.
O mundo contemporâneo impõe a todos nós um grande desafio: conviver com a alteridade. Está cada vez mais difícil compreender o lugar do out...
Conviver com as diferenças
O mundo contemporâneo impõe a todos nós um grande desafio: conviver com a alteridade. Está cada vez mais difícil compreender o lugar do outro, aceitar as divergências, respeitar os pensamentos e opiniões discordantes. Principalmente quando o debate se estabelece na manifestação das convicções e ideias políticas.
Coisinhas me encantam. Aquelas que se desapegam do conjunto. Uma xícara sem o pires, uma concha trazida da praia, uma flor que coloco entre...
Coisas, coisinhas, trequinhos
Coisinhas me encantam. Aquelas que se desapegam do conjunto. Uma xícara sem o pires, uma concha trazida da praia, uma flor que coloco entre as páginas dos livros. É um sentimento de gratidão pela existência das coisas simples, as que me fazem recordar momentos, pessoas, situações.
Um ensaio de pesquisa social do mestre Carlos Alberto Azevedo (Os reinventores do cotidiano: feirantes & fregueses do Mercado Central -...
Feirantes e fregueses
Um ensaio de pesquisa social do mestre Carlos Alberto Azevedo (Os reinventores do cotidiano: feirantes & fregueses do Mercado Central - 2020) logo de entrada levou-me a recordar o primeiro contato com a novidade do supermercado. Até então, a feira, os mercados públicos, adoçavam a divisão de classes sociais nas suas fontes primárias de abastecimento. Funcionava para quem enchia o balaio e para quem o levava.

Num contraste, logo às primeiras linhas revivo a experiência alvissareira que senti ao entrar no primeiro Comprebem, na 1817, surpreso com um comportamento de gente adiantada, coisa de cinema ou de ouvir dizer. Longe de imaginar, com o passar do tempo, o exílio que a relação direta com o mundo disponibilizado da mercadoria haveria de me reservar.
Carlos Alberto Azevedo aborda com adesão de pesquisador social (e creio mesmo que como freguês de feira) a sobrevivência das relações mais que sociais, humanas, que se cruzam através das compras nos mercados públicos. Não aborda apenas com a sua experiência, que seria o bastante, mas com referências de outros mundos, por onde se vê que a nossa feira ou mercado público, como de qualquer cidade brasileira ou estrangeira, continua aproximando as pessoas, qual troca de hormônios que guia as formigas, favorecendo a comunicação e a sociabilidade. Funciona a confiança dos que compram nos que vendem.

É pena entrar num tema destes, seriamente estudado por um paraibano que valoriza a nossa identidade cultural, e terminar trocando em miúdos, dando razão a Agripino Grieco, que via no cronista um nadador de piscina. Mais que sério, oportuníssimo, por poder capturar a boa vontade do prefeito a ser aplicada no asseio e organização disciplinada dos nossos mercados, sobretudo o do Bairro dos Estados, degradado em seu projeto original do tempo de Dorgival Terceiro Neto.















