Uma das versões da tela “O grito”, de Edvard Munch, foi arrematada em leilão por cento e vinte milhões de dólares. Li que nunca se pagou tanto por um quadro. “O grito” mostra um homenzinho que caminha sobre uma ponte e é surpreendido por algo que o aterroriza. Não se sabe o que ele vê, nem mesmo se está vendo alguma coisa. A força da imagem vem sobretudo desse enigma.
Jesus é o Bom Pastor.
Ele não pula o cercado do aprisco, ele entra pela porta.
Ele é a porta das ovelhas.
Suas ovelhas o conhecem pela voz, afinal ele é o verbo
como luz verdadeira.
Decerto o inquieto e producente Arthur Kösztler viveu o conceito que emulou e a que denominou “the oceanic feeling” (o oceano de sentimentos). Köstler (como grafava sua mãe vienense) era judeu, tendo incorporado toda a mística hebraica, e experienciado estados alterados de consciência seja no uso de drogas como LSD, seja pelo que relata em seu trabalho autobiográfico "The Invisible Writing", onde a mística o alcançou no cárcere. Esses homens, dados à vivência intensa e à experimentação, fazendo de suas mentes e corpos cobaias do sentir e do pensar, são forte influência para os artistas, sobretudo quando publicam com tamanha riqueza de detalhes e arte mesmo no escrever.
Que inveja tenho de Eça de Queiroz que podia dizer – e disse – “Sou apenas um pobre homem de Póvoa do Varzim”. E o engraçado é que gosto de cidade grande. Ou, pelo menos, de cidade razoavelmente desenvolvida, que conte com algumas boas livrarias e alguns bons restaurantes. Desses dois prazeres, o dos livros e o da gastronomia, sentiria falta numa cidade onde não pudesse achá-los.
Nós cinco passávamos uma temporada na cidade do Porto porque a esposa estava cursando o doutorado. Antes de prosseguir, necessito explicar o número que menciono, pois, visivelmente, éramos somente três. Estávamos por lá ela, eu e Eduardo, com sete anos, e os gêmeos, ocultos no ventre da doutoranda, com seus oito meses de gestação.
Não entendo como um ser vivente possa dispor de tal moradia. Nem vejo serventia melhor para um bicho desses, senão aquela posta em prática por moradores ribeirinhos durante as cheias do Rio Paraíba, no Pilar da minha infância. A Natureza, porém, sabe das coisas melhor do que eu, evidentemente.
A vida é um Poema grandioso aflorando no protoplasma, embrião de todas as organizações da vida. No escoar incessante do tempo, essa substância primordial viaja no rumo dos seus destinos, sob a inspiração do Divino Artista.
Desde muito cedo concebi o trabalho como o meio supremo de realização humana. Nunca coonestei a ociosidade que, na minha concepção, é a fonte de todas as degenerescências. Não acredito que alguém possa crescer na preguiça, justificada pela falta de iniciativa que faz tudo certo para dar errado.
Os fenômenos psíquicos (do grego psyché: alma, espírito), estudados pelo Espiritismo, pela Metapsíquica e pela Parapsicologia têm como agente o Espírito, ser humano sensível e inteligente.
Andarilho das manhãs na areia fina e esfriada pelas lambidas do mar, ele viu boiando já na quebra das ondas uma garrafa azul. Estava tampada com uma rolha. Pegou-a e viu que dentro dela havia um papel. Uma mensagem:
Comecei a aprender matemática em casa, com as primeiras letras. Logo entrei para o Primeiro Ano A, na escola de Dona Carmita, na Praça da Independência, quando a tabuada entrou definitivamente em minha vida.
Enquanto penso, teço enredos, crio imagens
Debruço-me sobre algo que não sei
Para engendrar-lhe um rosto.
Nenhuma ideia! Falsa fluidez, teia oblíqua.
Loucura, ânsia de flagrar no outro
O que tanto busco em mim.
Sempre que vejo a placa de sinalização do trânsito que indica animal na pista, cujo ícone é uma vaca, eu faço uma brincadeira, dizendo que o Bósforo é aqui. Refiro-me, claro, ao estreito de Bósforo, que separa a Europa da Ásia Menor, como os antigos chamavam a atual Turquia.