É melhor ser alegre que ser triste, já dizia o poetinha.
Mas o mundo anda tão triste, né, gente?
Ninguém repara nos olhos da amada. Afinal, para alguns idiotas ela nem é mulher...
Ninguém mais pensa nas crianças mudas telepáticas...
Vinicius de Morais Arq. NacionalÉ que, de repente, mas não tão de repente, do riso, fez-se o pranto.
É que depois de tanto erro passado, é preciso conjugar o verbo no infinito.
Lembrar que o bom samba é uma forma de oração.
Dia 19 último foi o aniversário de nascimento de Vinícius de Moraes. Em sua homenagem meu Vini ganhou seu nome.
Lembro que um amigo, na época em que Vini teve seu nome escolhido (ainda não havia nascido), fez muxoxo, dizendo que era nome de intelectual.
Não sabia ele que Vinicius, o poeta, não era do agrado dos intelectuais, porque era alegre, amava as mulheres de verdade (não na base da idealização) e não vivia como um sorumbático macambúzio, como querem que sejam os poetas.
E que Vinícius, o meu filho, já nasceu eterno, e não chama. Parabéns ao poetinha!
Sobre poesia, vou falar algumas histórias de bastidores, sem citar nomes, mas casos reais:
Começar citando o caso de um poeta que era ignorado pelas vanguardas poéticas.
Ele fazia sonetos, e isso é algo imperdoável para alguns ditos vanguardistas.
Era muito talentoso, mas sofria esse preconceito (sim, poetas são preconceituosos com os próprios poetas).
Pierre Seghers e Vinicius de Morais Alécio de Andrade
Para romper a bolha, escreveu poemas na linha dos que o rejeitavam.
Poemas "inventivos", com frases verbais pulando de um verso pra outro. Como se fossem separação de sílaba, saca,?
Foi, então, aceito pelo grupo. Passou a ser considerado poeta pelos que o criticavam, que até passaram a publicar seus poemas em suas revistas.
Ele, enquanto isso, ria do acontecido e voltou a fazer sonetos.
Linaldo Guedes é mestre em ciências da religião, jornalista e poeta
A mãe,
nenê no ninho,
olha,
no espelho – com muito carinho – a bela boca nada neutra,
pronta pr´outra.
quem não vê,
numa fábula de Esopo,
a versão... virtual.. de um filme de animação?
Conta-se que no século XVIII um certo credor alemão, ao receber como pagamento informal um pacote com algumas partituras, espantou-se ao abri-lo. Familiarizado com a linguagem musical, foi capaz de ouvir a orquestra inteira no que viu ali escrito, de forma sublime. Como seria possível que obras tão belas estivessem sendo assim perdidas, trocadas como moeda comum, sem atribuição nem relevância?
Aprendi com o jornalista Dulcídio Moreira que a elegância dos sapatos distingue tanto ou mais quanto a dos bons ternos. Um sapato cego, sem brilho nem classe, podia derrotar um terno inteiro de casimira ou de linho irlandês, luxo que não devia faltar no guarda-roupa da usina ou do alto comércio. Veja-se uma foto de evento político ou oficial dos anos 40, com Virginio Veloso, José Américo, Argemiro, Renato Ribeiro, de grupos políticos diferentes, mas alvejando iguais no diagonal york-street ou no linho irlandês.
Alice desistiu de procurar a Rainha, mas não estava nada satisfeita com as mudanças de tamanho. Era muito doloroso não saber como ia acordar no dia seguinte. Caminhava pelo bosque com esses pensamentos tristes, quando viu ao lado da trilha um homem sentado diante de uma mesa sobre a qual havia um papel em branco. Era o Escritor. Resolveu lhe falar:
O dourado majestático que ornava a madrugada prometia um chuvisco. Sacolejando no cubículo lá da rabeira, embalado pelo ronco contínuo do motor, o menino acompanhava pelo vidro traseiro as duas esteiras simétricas, entrecortadas pela fumaça do escapamento, que os pneus da velha Rural abriam na estrada. E fundia a cabeça imaginando que espantosa força motriz era capaz de impulsionar, a tamanha velocidade, aquela fubica torta sem desmontá-la, desafiando todas as leis da Física.
Incluindo neste ano sabático, por imposição do destino, vários hábitos cotidianos no esforço de me adaptar a nova fase; Me refiro aos momentos de incertezas, de angústias, que pude constatar. Vi toda a vulnerabilidade a que estamos expostos e impostos. Um desses hábitos foi a leitura de todas as cartas do Apóstolo Paulo. Me detive a estuda-las como se fosse um trabalho que um professor me tivesse solilcitado.
O aforismo constitui uma das maiores pretensões da inteligência, a de reger a vida.
Carlos Drummond de Andrade
Origem: do Verbo ao aforismo
Eis que "no princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Tudo foi feito por ele; e nada do que tem sido feito, foi feito sem ele. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens" (João 1:1-4). Partimos também da palavra, agora oriunda do homem (pretensioso?), para iniciar uma discussão sobre esta polêmica forma literária denominada aforismo.
Hipócrates (460—370 a.C.)Seu surgimento remonta a Hipócrates — "pai da medicina" — na Grécia antiga. Em seu livro intitulado Aforismo (αφορισμός) o autor escreveu uma coleção de orientações para doenças e medicamentos [1-2]. Obviamente, Hipócrates não estava ciente de que este "manual" de aconselhamento médico, viria a nomear uma nova forma literária. Na verdade, a frase hipocrática que serve de introdução ao livro, "A vida é curta, a arte é longa" (ars longa, vita brevis), embora construída com um propósito diferente, traz em si a definição de um aforismo: uma frase concisa, precisa e carregada de grande força.
Testemunha de conversas e silêncios, de sorrisos e lágrimas, de encontros e desencontros, ele foi descanso, pouso para o corpo e alma. Guarda segredos impregnados de atores que envelhecem a cada dia. Fez parte de jardins, teve grama sob os pés, presença dos passeios, dos segredos quase confessionário, dos passantes. Era vizinho de castanholas, tinha flores por perto, era amigo de soldadinhos.
Há uma celeuma no ar. Acredito que sempre houve. Desta feita trazida à tona por uma necessidade dos novos tempos, que a língua ainda não conseguiu acompanhar, nem podemos dizer se vai. Como se sabe, é o uso que faz a língua se tornar linguagem. As mudanças, no entanto, ditadas pelo uso são lentas e vão se acomodando de acordo com as conveniências do uso coletivo. A língua é, sem dúvida, viva e dinâmica, mas a vivacidade e o dinamismo não significam a rapidez que muitos desejam. O poeta Horácio, em sua Arte poética, já nos aponta o uso como senhor absoluto no comando da língua determinando a instauração de novas palavras, termos e expressões, ao mesmo tempo que faz a advertência de usos que cairão no esquecimento. A língua, como um sistema, registra todos, guarda-os, mas só concede a visão da luz do dia àqueles que se empregam pela coletividade.
Singular figura a do marido de professora. Se não mais atualmente, pelo menos há até bem pouco tempo, quando as conquistas sociais femininas não tinham ainda tornado banais as afirmativas mulheres dedicadas ao magistério. Mulheres essas que, durante décadas, foram talvez as únicas a alcançar algum destaque pessoal e profissional numa sociedade brasileira atrasada e machista, que as relegava, genericamente, à subalterna e exclusiva condição de donas de casa e mães de família.
O episódio nº 8 da Pauta Cultural entra no ar na ALCR TV com atualidades do mundo cultural, participação dos autores, leitores e telespectadores do Ambiente de Leitura Carlos Romero.
Ao entardecer do dia 19 de novembro de 1937 na cidade de Salvador (BA), o vermelho do pôr do sol foi infestado pela fumaça encarnada da queima de livros, deixando boquiabertos transeuntes que não entendiam o corre-corre que estava acontecendo na cidade.
O que vem a ser o “politicamente correto”? Vivo procurando a definição mais acertada para essa expressão. A mais usual é a de que se trata de um código de conduta não formalizado e estabelecido individualmente por cada um de nós. Uma forma de controlar o vocabulário, evitando causar constrangimentos, ofender, proferir insultos.
Quando ponderamos que já temos uma história bem vivida, que fizemos a trajetória comum a todos os homens e mulheres, que aproveitamos muito sol, nos divertimos largamente em festas, trabalhamos com empenho, dançamos com prazer, viajamos por lugares desconhecidos, neste momento, chega a vida e nos encara, nos faz tropeçar e abre um novo e difuso caminho.