26.5.22
Quando editei o “Correio das Artes” pela primeira vez, Antonio Carlos Secchin foi um dos poetas entrevistados pelo jornalista Jorge de Aqu...
Quando editei o “Correio das Artes” pela primeira vez, Antonio Carlos Secchin foi um dos poetas entrevistados pelo jornalista Jorge de Aquino Filho para a série “Rumos da Poesia Brasileira Hoje”. À época, ele havia lançado o livro Elementos (Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 1983), de poesia, ao qual acrescentaria, entre outros, Poema para 2002, Diga-se de passagem e Todos os ventos. Já como ensaísta, publicou João Cabral: a poesia do menos, Poesia e desordem, Escritos sobre poesia & alguma ficção, Memórias de um leitor de poesia, João Cabral: uma faca só lâmina e Papéis de poesia.
26.5.22
26.5.22
Atazanando a memória eletrônica que se dispõe a substituir as falhas que a física já me apresenta, encontrei um recorte de jornal (ah! in...
Atazanando a memória eletrônica que se dispõe a substituir as falhas que a física já me apresenta, encontrei um recorte de jornal (ah! instrumento de tanta utilidade e que tanta falta nos faz, nos dias de hoje), em que, sob o título acima, do qual me apropriei indevidamente, o combativo jornalista Rubens Nóbrega (Correio da Paraíba, 20/Mar/2004) dá eco ao combate que os residentes e veranistas da praia do Jardim América, hoje Bairro do Bessa, empreenderam, para livrar a praia da invasão deletéria de bares e assemelhados que se verificava por ali.
26.5.22
26.5.22
50 canções compõem a sinfonia que rege o universo, a girar ao redor do livro. Gesto e sentimento, escrita e pensamento, leitura e conhe...
50
canções compõem a sinfonia que rege o universo, a girar ao redor do livro. Gesto e sentimento, escrita e pensamento, leitura e conhecimento dão voz a páginas folheadas com as mãos sensíveis e sinceras, que, a todo instante, sugerem o incrível voo da imaginação.
O tempo é o verdadeiro companheiro das palavras que bordam o ambiente acolhedor e escolhido da livraria, a exercer espelho e a oferecer vazão à extraordinária
26.5.22
25.5.22
As palavras têm força. Feito uma nau numa tempestade elas balançam, equilibram-se entre as vagas. Engolidas ou vomitadas, elas fazem mal; ...
As palavras têm força. Feito uma nau numa tempestade elas balançam, equilibram-se entre as vagas. Engolidas ou vomitadas, elas fazem mal; soltas aleatoriamente, sem sentido, sem efeito retornarão; ditas na dose correta, tornam-se um prato saboroso, uma iguaria que alimenta a alma e o corpo. É como o giro do disco na vitrola. A suave música embriaga, ponteia a estrada, mas não mata. A canção faz uma pausa ao término do lado, A ou B, dentro ou fora, silêncio.
25.5.22
25.5.22
A cena é dos anos 1950. A Rádio Tabajara está no auge, exportando Severino Araújo, importando Pascoal Carrilho, confirmando Jackson do P...
A cena é dos anos 1950.
A Rádio Tabajara está no auge, exportando Severino Araújo, importando Pascoal Carrilho, confirmando Jackson do Pandeiro, Marlene Freire, Linduarte Noronha, Jaguaribe e Cruz das Armas descendo pelo bonde para pegar as cadeiras da frente do auditório, já tomadas pelos Falcão, Falcone, Cantalice e Arruda Melo das ruas do Centro.
Ednaldo do Egyto é adolescente de Cruz das Armas e entra no auditório da Tabajara, desvendando mistério, a fama.
A Paraíba fez noite com Agustín Lara, fez noite com Tomy Dorsey. O que a mídia traz hoje por satélite, a Tabajara e o Santa Rosa faziam sentar conosco às mesmas mesas e cadeiras.
25.5.22
25.5.22
Quem seria tão impoluta figura? Temos primeiro que apresentá-lo para só depois irmos ao causo. Vamos lá. Embora houvesse se tornado um hom...
Quem seria tão impoluta figura? Temos primeiro que apresentá-lo para só depois irmos ao causo. Vamos lá. Embora houvesse se tornado um homenzarrão alto e forte como um búfalo, por ser filho de um tal de Geraldo e xará do pai nos cartórios e na pia de batismo, natural que quando pequenino fosse tratado no diminutivo. Ficou sendo o Geraldinho e por força do hábito dos mais próximos, cresceu Geraldinho e Geraldinho ficou. O apodo fixado ao nome é fácil de explicar. Pensem um homem sossegado. Mais que Geraldinho? Impossível! Foi daí que veio o apelido. Diziam as más línguas que puséssemos Geraldinho tomando conta de dois jabutis, pelo menos um deles iria fugir. É essa a provável causa do apelido. Pelo menos é o que penso. Agora o causo.
25.5.22
25.5.22
— Mãe, vamos ver a exposição do Chagall? O convite do filho – duplamente especial por ser ele um artista – chegou como sopro de ar fresc...
— Mãe, vamos ver a exposição do Chagall?
O convite do filho – duplamente especial por ser ele um artista – chegou como sopro de ar fresco num dia em que a comédia humana se exibia em episódios cada vez mais despudorados nas redes sociais. E era Chagall! Eu jamais havia visto um quadro dele ao vivo. E isso, bem sei, muda tudo. Sem falar que é o pintor judeu por excelência e eu ansiava por sentir a alma judaico-russa transbordando nas telas.
25.5.22
24.5.22
Você já tentou abrir a tela vazia do seu computador e se determinar a escrever qualquer coisa, algo simples, coloquial, besteiras de amor,...
Você já tentou abrir a tela vazia do seu computador e se determinar a escrever qualquer coisa, algo simples, coloquial, besteiras de amor, paixão ou olhares que lhe fugiram?
Não é tão simples assim. Você escreve, apaga, torna a escrever, apaga e nestes infinitos gestos vão-se os minutos, os segundos e acaba a primeira hora.
24.5.22
24.5.22
Quando o jornalista e imortal da Academia Paraibana de Letras, Helder Moura, publicou O incrível testamento de Dom Agapito , em 2018, fui ...
Quando o jornalista e imortal da Academia Paraibana de Letras, Helder Moura, publicou O incrível testamento de Dom Agapito, em 2018, fui tomado de surpresa. Acostumado às narrativas dele sobre política, em jornal impresso ou na televisão, sempre com desenvoltura e abalizados pontos-de-vista, o romance surpreendeu pelo conteúdo e pela forma da narrativa.
24.5.22
23.5.22
Lindas lembranças que têm se assenhorado de minhas noites — e possivelmente do “inconsciente” aliado à minha percepção — me fazem exalta...
Lindas lembranças que têm se assenhorado de minhas noites — e possivelmente do “inconsciente” aliado à minha percepção — me fazem exaltar o feliz momento, sabendo que daqui para frente a vida me regateará menos tempo. Passo a valorizar o que ainda pode me restar de felicidade em minha adormecida memória. Imagens esquecidas em profusão levam-me ao Recife, e a um tempo ímpar que lá vivi. Retorno à ruas da Aurora, do Imperador e da Imperatriz, com todos os seus cafés e sorveterias. Vou até a Viana Leal, com a sua icônica escada rolante, e também vejo a Sloper, tão reverenciada por minha mãe.
23.5.22
23.5.22
“Vandalismo” é o único poema com características simbolistas que aparece no “Eu”. Os outros o poeta deixou de lado, e os críticos hoje lhe...
“Vandalismo” é o único poema com características simbolistas que aparece no “Eu”. Os outros o poeta deixou de lado, e os críticos hoje lhe dão razão: embora tecnicamente bem-feitos, eles pouco acrescentam à obra do paraibano. Refletem uma temática comum à época e apresentam um estoque de imagens que estão longe de caracterizar o Augusto dos Anjos que viríamos a conhecer e admirar.
23.5.22
23.5.22
O leitor sabe. Há muitos momentos na vida em que o que mais queremos, o que mais precisamos é simplesmente fugir da realidade que nos opri...
O leitor sabe. Há muitos momentos na vida em que o que mais queremos, o que mais precisamos é simplesmente fugir da realidade que nos oprime, nos incomoda, nos torna infelizes. Essa realidade pode consistir num problema sério ou apenas num certo cansaço com as coisas e situações do dia a dia. A situação do país, por exemplo, martelando nosso juízo cotidianamente nos jornais (os que restam) e na televisão. Uma tediosa repetição de notícias deprimentes, suficiente, por si só, para levar qualquer um à depressão. Que fazer então?
23.5.22
22.5.22
Paraíba, 22 de maio de 2022
Paraíba, 22 de maio de 2022
22.5.22
22.5.22
Muita coisa tem diminuído no mundo. Meus amigos reclamam que o biscoito wafer mais parece uma hóstia recheada. Minha tia afirma que o xamp...
Muita coisa tem diminuído no mundo. Meus amigos reclamam que o biscoito wafer mais parece uma hóstia recheada. Minha tia afirma que o xampu Seda rendia muito, hoje passa direto por ele no Supermercado, diz que vem muito pouco. Sachê de cachorro, daqui a pouco, só vai dar para uma lambida, reclama um certo veterinário.
Meu amigo viajadeiro reclama das poltronas de avião e diz que a rodelinha do biscoito recheado parece mais bolinho de goma! As pastas de dente eram volumosas quando vinham em recipientes de metal. Eu mesmo me recuso a
22.5.22
22.5.22
Categorizados por Allan Kardec como fenômenos de emancipação da alma, o sono e os sonhos são indicativos de que o Espírito encarnado nu...
Categorizados por
Allan Kardec como fenômenos de emancipação da alma, o sono e os sonhos são indicativos de que o Espírito encarnado nunca está inativo, ainda que mantido ligado ao corpo físico pelo perispírito:
Durante o sono, apenas o corpo repousa, pois o Espírito não dorme; aproveita-se do repouso do corpo e dos momentos em que a sua presença não é necessária para atuar isoladamente e ir aonde quiser, no gozo então da sua liberdade e da plenitude das suas faculdades. Durante a encarnação, o Espírito jamais se acha separado completamente do corpo; qualquer que seja a distância a que se transporte, conserva-se preso sempre ao corpo físico por um laço fluídico , que serve para lembrá-lo de retornar a este, desde que a sua presença ali se torne necessária. Somente a morte rompe esse laço. [1]
22.5.22
22.5.22
Era 1960. Da casa do meu avô, em Alagoa Grande , no interior da Paraíba, eu ouvia, incontáveis vezes durante o dia, vindo de um alto-falan...
Era 1960. Da casa do meu avô, em
Alagoa Grande, no interior da Paraíba, eu ouvia, incontáveis vezes durante o dia, vindo de um alto-falante instalado na praça da cidade, o som daquela música que nunca me saiu da cabeça. Menino, que ainda não sabia que existiam outras dores além das dores físicas, eu não entendia o que dizia a letra da canção, mas as suas palavras ficaram em mim para sempre:
22.5.22