E vamos juntando com calma
os pedacinhos de fé
esperança confiança
e nossas caras lembranças
costuremos uma peça
novo manto pra cobrir
nossas cabeças perplexas
diante dos novos fenômenos
nossa mente inquieta
nossas angústias com pressa
querendo se alojar
mas com cuidado, quem sabe
costuremos com desvelo
um véu para nossos cabelos
branquinhos ou cor de ébano
com cores de avelã
quem sabe surja o elã
que há muito esperamos…
Não sei bem qual foi o instante exato em que me rendi a mim mesma. Sei apenas que chegou graciosamente essa rendição que atravessou a minha pele e passou a nadar no meu sangue, regulando o ritmo do coração, da respiração, dos desejos que sempre fervem. Mas o certo é que trouxe cor aos meus dias.
Foi uma longa caminhada: de Jaguaribe a Coimbra. E consumiu várias décadas de luta, perseverança e dedicação. Não foi fácil, mas foi bonita essa trajetória que diz praticamente tudo sobre a vida vitoriosa do paraibano Genival Veloso de França, autoridade reconhecida nacional e internacionalmente na área da Medicina Legal. Um nome de primeira grandeza no mundo acadêmico, referência incontornável nos assuntos de sua especialidade.
A CASA QUE ME RECEBEU DE PÉ
Olhá-la sobre os ombros
da primeira mulher
Depois do gosto do leite, o pão,
o ovo frito na manteiga - a saciedade
Cantos escuros, lascas de madeiras
e a correria das formigas nos tacos brilhantes
E o erguer-se, esse simulacro
de liberdade das patas
A primeira janela, o canto das Nereidas,
e o enigma da luz
(Ficou, de fora, a promessa do azul)
Houve um tempo em que a depressão me pegou com tanta braveza que não sabia como sair dela. A pior época foi próxima às festas do final de ano. O Natal me fazia lembrar não dos presentes que deveria comprar e, sim, do único presente que não compraria. Cheguei a olhar um pijama que supostamente seria para ele, mas que, na minha loucura, usaria para senti-lo perto de mim.
O dorso magrinho e sumido de um livro entre dezenas da estante a um canto da recepção de um consultório me desconcentra do que possa resultar, daí a pouco, da consulta. Começo a distinguir, de alguma distância e já meio desbotado, um episódio bem particular do meu trajeto.
A partir de meados da segunda metade do século 19, tornaram-se mais intensos, em vários lugares do mundo, os experimentos com o objetivo de se conseguir voos motorizados em aeróstatos que eram então chamados de dirigíveis. Obras escritas na época, como “Cinco semanas em um balão” do francês Jules Verne, iniciavam o que viria a ser a literatura de ficção científica e estimulavam a construção de novas invenções aeronáuticas.
Romântico morrer
A luz do luar
Com a beleza
Branca do Anjo
Loiro
Já no asfalto
Sujo gigante
As contas
De Xangô
Um certo Deus dos trovões
Na ladainha
Dos tiros
Rezas não contam
Mas dança o rei
De machado duplo
Quando nos conhecemos
Numa festa em que estivemos
Nos gostamos, nos juramos
Um ao outro ser fiel
Depois continuamos
Nos querendo, nos gostando
Nosso amor foi aumentando
Qual a Torre de BabelLupicínio Rodrigues
O primeiro vocês conhecem, ou dele já ouviram falar, Jamelão. Mas de Nego Lau, duvido. Acontece que segundo o que me contou meu amigo Valdemir dos Correios (para todo mundo, o Enxuto), Nego Lau cantava o repertório de Jamelão melhor do que o próprio; isto é, melhor até do que esse notório puxador de samba da Estação Primeira, a gloriosa Mangueira.
De tempos em tempos eu “acho” alguma coisa. Esse “acho” aí é no sentido de “entendo ou descubro alguma coisa”, mas sem a certeza matemática de que aquilo que achei é verdadeiro. É uma espécie de “achologia” sincera, sem conflitos de interesse, algo surgido a partir das próprias e imprecisas reflexões.
O meu receio é de estar malhando em ferro frio, ao retornar ao assunto da língua como sistema. Vendo a exaltação, cada vez maior, dos ânimos, e sem esperança de que haja um arrefecimento tão cedo – “quem é intratável não é exigente” (“qui est farouche n’est pas sévère”), diz Victor Hugo, em O homem que ri –, volto ao tema, que aborda a linguagem neutra, mas não se encerra nela, para tentar trazer, eu não diria bom senso, pois seria uma grande pretensão da minha parte, mas argumentos técnicos e sociais, no sentido de contribuir para o esclarecimento de como funcionam a língua e a linguagem.
Vou contar uma das muitas presepadas de minha mãe.
Envolvida com o movimento da terceira idade e querendo animar as amigas, decidiu adaptar a história de Chapeuzinho vermelho para o teatro e construiu uma peça incrível. Na cabeça de Creusa Pires tudo era possível, tanto que a peça já começava com a mãe de Chapeuzinho no centro do palco dizendo para a plateia que estava muito preocupada porque o fundo da panela onde preparava as refeições havia caído. Em seguida lamentava-se: "— Ah, onde eu conseguirei um frandileiro para consertar a panela?". Na verdade, referia-se aos funileiros, porém isso menos importa.
Quando recebi a notícia, no primeiro momento, nem cheguei a sentir tanto. Um vago incômodo, certa compaixão, admito. Mas, depois, quando, aos poucos, comecei, até involuntariamente, recuperar a memória daqueles tempos de nossa convivência juvenil, então comecei a me sentir realmente muito chocado.
Eu já pensei em parar de fuçar os costumes, os acontecimentos e as artes do mundo como tenho feito em publicações quase furtivas, dessas avessas à consagração de mitos, peças e fatos. Acontece que não resisto às histórias “não oficiais”, aos enredos agora soprados, também, pelos ventos da Internet.
Antes, nós nos valíamos apenas de edições raras, ocasionais, em papel e tinta, para vasculhar intimidades, redesenhar perfis, detectar mentiras, ou impossibilidades. Presentemente, é o computador e o smartphone, sobretudo eles,
A análise do uso das expressões morais, estudadas pelo filósofo naturalizado alemão e nascido na República Tcheca, Ernst Tugendhat (1930), fundamenta em que é necessário explicar o significado tanto de “bom” quanto de “correto”; também apresenta o esclarecimento sobre a capacidade intelectual de julgar ou de criar um padrão de comportamento. Essa forma de ver a linguagem moral introduz uma maneira de superar a separação entre os modelos das causas finais e a ciência do dever e da obrigação da Ética,
Ernst TugendhatF. Allgemeine
e possui, consequentemente, necessárias implicações para os diálogos contemporâneos. Suas contribuições apresentam um “sistema normativo livre”, porque os membros de uma comunidade podem escolher normas sabendo que os outros também o farão. Por isso, a aceitação de uma atitude é uma decisão pessoal e autônoma, isto é, tem-se a escolha para cumprir ou não uma estabelecida moralidade.
Do poema em forma
o poema
pode ser complexo
inventar enredos
e palavras textos
consumir estrofes
desenhando verbos
e dar-se ao mundo
em varal moderno.
o poema
pode ser humilde
nas gramaturas do que diz
da vida que comenta
traçando retratos
nas palavras simplesmente
como se fora enredo
daquilo que se sente