Eu dançaria, de muito bom grado, no enlevo da melodia e na pulsação dos versos de Kledir Ramil, com a mulher que tenho comigo lá se vai quase meio século. Refiro-me ao Kledir da famosa dupla com Kleiton, autores e intérpretes de sucessos que fizeram o Brasil cantar de Norte a Sul, sobretudo, na primeira metade dos anos de 1980. Sim, falo dos irmãos Ramil, os dois gaúchos que estouraram, nacionalmente, combinando o regionalismo sulista com as baladas da época. Os mais adentrados hão de lembrar de “Deu pra ti”, “Vira Virou” e “Paixão”.
Silvino Olavo – ou simplesmente Sol – foi o poeta que recepcionou Mário de Andrade na Paraíba, com outros intelectuais de renome, quando o escritor de Macunaíma fazia a sua “viagem etnográfica”, patrocinada pelo Diário Nacional, jornal paulista que circulou de 1927 a 1932. Ele ajudou o folclorista fazendo contatos locais na Capital e em passeios pelas cidades da Parahyba e do Rio Grande do Norte.
O desenvolvimento tecnológico, a aceleração dos processos comunicacionais e a crescente valorização da competitividade têm contribuído para a formação de sociedades cada vez mais individualistas, marcadas pela fragmentação dos vínculos humanos e pela redução dos espaços de convivência. Nesse contexto, a educação artística, especialmente por meio do canto coral, emerge como uma importante prática de formação humana, capaz de promover a reeducação da sensibilidade, fortalecer os laços comunitários e contribuir para o desembrutecimento social. Também constitui uma experiência estética, ética e política que favorece a construção da empatia, da cooperação e do reconhecimento do outro.
A filosofia, desde suas origens, tem sido um espaço de reflexão profunda, onde as perguntas muitas vezes são mais importantes que as respostas. O que é, afinal, o conhecimento se não uma busca interminável? E nesse caminho, encontramos pensadores que desafiaram o status quo, que questionaram a essência do ser e da moralidade. No entanto, é essencial lembrar que a verdadeira sabedoria não reside apenas na acumulação de conceitos,
Há anos venho lutando para que se faça mais pela memória de Augusto dos Anjos. Quando tomei posse na Academia Paraibana de Letras, em 2020, levei uma muda do Tamarindo de Augusto, plantada por mim, com sementes de uma vagem que peguei embaixo de sua copa, no espaço que foi, outrora, o Engenho Pau d’Arco. Plantei a muda na APL. Ela floresceu, mas tivemos de mudá-la de lugar, por estar sufocada por uma buganvília e uma mangueira. Estamos esperando que ela dê sinal de vida.
Cá entre nós, um pai que põe o nome da filha de Emengarda não tem Jesus no coração. Não pode ter. A infeliz vai arrastar esse padecimento até o final de seus dias. Foi o caso que repasso para estas linhas.
Affonso Romano de Sant’Anna, poeta, professor, crítico literário e cronista, afirmava que o “cronista é crônico”, isto é, “doente do seu tempo”, mas que não se deve limitar-se à marcação cronológica , sob o risco de produzir textos datados.
Affonso Romano de Sant’Anna (1937–2025), poeta, cronista, ensaísta, crítico literário e professor mineiro, natural de Belo Horizonte. ▪ Fonte: YT Global
Há alguns meses, recebi o convite do jornalista André Cananéa para participar de um programa da Rádio Parahyba FM, E com vocês. Uma alegria! Ainda mais quando vi os nomes dos outros convidados: Ney Matogrosso, Everaldo Pontes, Marília Arnaud, meu amigo Nelson Barros, entre tantos. Tinha feito notas para escrever algo, mas o cotidiano engoliu minhas ideias, e o tempo foi passando até que li o texto de Nelson, “Música, sempre ela”, na edição de A União de 19/06. Senti-me representada, mas também desafiada a escrever uma crônica de uma trilha toda minha.
Certa vez, quando concelebrava uma missa com um padre, justamente no dia em que se tinha como texto para reflexão o Sermão da Montanha, de repente uma borboleta amarela pousou no alto da cruz de madeira posta ao lado do altar e executou sua típica coreografia. Depois de algum tempo, saiu borboleteando pela nave da igreja, encontrou uma janela aberta e foi embora. Todos, calados, contemplaram a visitante. Terminada a leitura da passagem bíblica, o padre ficou silencioso. Não comentou a passagem das Bem-aventuranças. Apenas disse: “Reflitam sobre a cena que acabamos de presenciar”. Prosseguiu com o rito da celebração. O sermão dele resumiu-se à contemplação da borboleta.
O abuso ou o emprego pouco vernáculo do gerúndio, também conhecido por endorreia, é mal antigo em nossa língua. Rodrigues Lapa dá como exemplo dessa prática o uso do gerúndio com o valor de atributo, em frases do tipo: “Recebeu uma caixa contendo (que continha) roupas”. Mas ele não se mostra satisfeito com a correção proposta pelos puristas; vê em “que continha” uma construção artificial, “estilisticamente inferior”, e pondera que “o uso do gerúndio é em certos casos preferível à oração relativa”.
Há um estranho paradoxo em nosso tempo, porque nunca estivemos tão conectados digitalmente, e ao mesmo tempo nunca tenha sido tão fácil sentir-se sozinho.
Acordamos, e antes mesmo de perguntar ao corpo se ele descansou, perguntamos ao telefone o que aconteceu no mundo. Há mensagens, notícias, vídeos, opiniões, fotografias de vidas
O que “Pão”, de Guilherme Arantes, revela sobre as nossas buscas essenciais
Há canções que passam pelos ouvidos e há aquelas que se instalam na gente como quem chega para ficar. “Pão”, de Guilherme Arantes, pertence à segunda categoria. É uma obra que não grita, não exige e não se impõe; aproxima-se com cuidado, quase como quem pede licença para tocar no que temos de mais íntimo. No fundo, trata-se de uma composição sobre o essencial: aquilo que sustenta mais do que o corpo e que, silenciosamente, nos mantém vivos por dentro.
GD'Art
Nesse cenário, o pão deixa de ser apenas alimento para se tornar símbolo, presença e cuidado — o mínimo que se transforma em máximo diante da escassez. Ao longo da vida, cada um de nós é desafiado a redefinir o significado desse alimento que tanto buscamos.
Por mim, quem estaria na Academia Brasileira de Letras seria Caetano e não Gilberto Gil, como representante da MPB. Não que Gil não mereça, isso ninguém discute, tal a sua importância como compositor e renovador de nossa música popular, mas é que Caetano é mais escritor, mais intelectual, mais pensador, isso também não se discute, creio eu. Caetano é mais literário, em suma. Mas pouco importa esse negócio de ABL para ambos, pois os dois estão além dessa mundanidade, ícones que são da cultura brasileira, de meados do século passado até agora. A propósito, não consigo imaginar Caetano de fardão.
Marília Arnaud construiu um percurso literário marcado pela precisão da linguagem e pela capacidade de transformar sentimentos em imagens, lembranças em matéria literária e silêncio em música.
— Devagar! Tiquinho, você ainda mata sua avó de susto!
Dona Severa ainda não se acostumara com os dez anos de correria de Tiquinho. O neto querido era seu maior tesouro, entregue a ela logo após o parto que tirou a vida de sua filha.
O pequeno entrou correndo na cozinha, esbaforido, como de costume, e foi logo perguntando: