Os brasileiros acordaram há 32 anos quase lisos. Só podiam sacar apenas 50 mil cruzeiros novos de todo o dinheiro que mantinham em de...

Os brasileiros acordaram há 32 anos quase lisos. Só podiam sacar apenas 50 mil cruzeiros novos de todo o dinheiro que mantinham em depósitos. Pouco importava se a grana estivesse em aplicação financeira, conta corrente ou até mesmo na até então inviolável caderneta de poupança.

Era o plano Collor, que impôs um feriado bancário de 3 dias. Enquanto a ministra Zélia Cardoso de Melo e o presidente do BC, Eris, tentavam explicar que aquela grana confiscada seria devolvida em 18 meses com juros de 6% ao ano mais correção (o que não aconteceu), a população começou um ciclo de vida que mal comparando seria uma meia pandemia covid, eis que ninguém tinha a menor ideia de como sobreviver sem grana. A justificativa do governo era o controle da inflação e o investimento em projetos econômicos.

Ah, esses meus delírios crônicos! Verdadeiros bálsamos que me salvam das agonias da existência. Vivo um tipo de luta permanente do bem co...

voltaire filosofia bom humor
Ah, esses meus delírios crônicos! Verdadeiros bálsamos que me salvam das agonias da existência. Vivo um tipo de luta permanente do bem contra o lau. Sou um tanto clown. Eis a principal fonte de inspiração das minhas galhofas. Nunca rio ou faço chacota de ninguém, pois tenho muito a rir de mim mesmo. Gosto de gente que ri. Só não gosto de gente perfeita. Gente que não dá defeito. Às vezes até gosto. Mas gosto desgostando e sobretudo, não confio.

      Da inconsistência de todas as coisas a vida é uma pétala de rosa que brotou no chão de um discurso vazio no olho do furacã...

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Da inconsistência de todas as coisas
a vida é uma pétala de rosa que brotou no chão de um discurso vazio no olho do furacão a vida esconde um véu cheio de fragilidades estampada na camiseta à venda na esquina do desequilíbrio fluida e frágil, escapa das intenções e do destino se querem dar-lhe nome de batismo e sobrenome de menino

Apego-me facilmente aos lugares. Não tão facilmente assim. Levantei a vista, numa tarde dessas, e me defrontei com o cadáver da linotipo...

antonio vicente filho reporter paraiba
Apego-me facilmente aos lugares. Não tão facilmente assim. Levantei a vista, numa tarde dessas, e me defrontei com o cadáver da linotipo que o Correio da Paraíba, no auge da concorrência, colocara na sacada do jornal. E num instante se embaralham cenas, expressões humanas, a última, de Antônio Vicente, que deixou sua vaga entre nós em fevereiro. Fazia anos que eu não o via.

O que chamamos de Universo, hoje, abrange toda a forma de matéria possível. Não há mais espaço para o “nada” da metafísica, na Física a...

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O que chamamos de Universo, hoje, abrange toda a forma de matéria possível. Não há mais espaço para o “nada” da metafísica, na Física atual. Quando nos referimos a “matéria”, incluem-se além das partículas elementares, que têm massa, os campos responsáveis pela interação entre essas partículas. Em outras palavras, incluem-se também a luz e qualquer outro tipo de radiação eletromagnética ou gravitacional.

Estou feliz, disse ao amigo. Ele me olhou de forma estranha com o canto do olho, talvez procurando uma justificativa para o meu estado. O...

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Estou feliz, disse ao amigo. Ele me olhou de forma estranha com o canto do olho, talvez procurando uma justificativa para o meu estado.

Olhou em volta e praticamente pesquisou a fisionomia dos que passavam, na busca de uma justificativa para minha estranha condição anímica. Quase todos, embora talvez ampliando um certo grau de “otimismo” uns 70%, exibiam ostensivamente um rosto de desaprovação com a vida, no mundo e no Brasil.

A vida muda rápido. A vida muda num instante. Você se senta para jantar e a vida como você conhece termina. Ontem, em meio a uma tarde ...

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A vida muda rápido. A vida muda num instante. Você se senta para jantar e a vida como você conhece termina.

Ontem, em meio a uma tarde fria e nublada pelas cenas de uma guerra insana, lembrei das frases com que Joan Didion inicia o romance “O Ano do Pensamento Mágico”, no qual a escritora narra a morte do marido, John Gregory Dunne, e a doença fatal da única filha.

A escritora, ensaísta e pensadora inglesa Virginia Woolf viu a guerra de perto. Viveu no início do século XX e perdeu seu irmão em um dos...

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A escritora, ensaísta e pensadora inglesa Virginia Woolf viu a guerra de perto. Viveu no início do século XX e perdeu seu irmão em um dos conflitos mundiais. Perda essa que, posteriormente, serviu de referência para criar o personagem Septimus, em seu romance Mrs. Dalloway. Mas não é só.

O Shopping Centro Terceirão – como ostenta (ou, pelo menos, ostentava) a fachada na Av. General Osório, no coração de João Pessoa – é um ó...

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O Shopping Centro Terceirão – como ostenta (ou, pelo menos, ostentava) a fachada na Av. General Osório, no coração de João Pessoa – é um ótimo termômetro de mercado. Vi ali a explosão do consumo de DVDs piratas, em uma época pré-Netflix e outros serviços de streaming, da mesma forma que o vi definhar, até sumir dali, assim como de praticamente de toda capital paraibana.

O casamento deles andava morno. Os dois fingiam não reconhecer isso, mas chegou um momento em que não dava mais para disfarçar. Foi então ...

O casamento deles andava morno. Os dois fingiam não reconhecer isso, mas chegou um momento em que não dava mais para disfarçar. Foi então que uma noite, depois de jantarem, Clodoaldo falou meio sem jeito para Tâmara:

– Acho que devemos dar um tempo.

– Concordo – disse ela prontamente.

– Amanhã vou dar entrada nos papéis.

Foi simples assim. Um certo dia, não faz muito tempo, dei-me conta, demo-nos conta - os pessoenses, os turistas, os moradores do bairro - ...

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Foi simples assim. Um certo dia, não faz muito tempo, dei-me conta, demo-nos conta - os pessoenses, os turistas, os moradores do bairro - de que simplesmente o mar do Cabo Branco tinha sumido. E o mais estranho é que sabíamos todos que ele estava lá, no lugar de sempre, mas não o víamos, não conseguíamos vê-lo. Fantasia? Pesadelo? Não. Apenas a velha e sempre surpreendente realidade brasileira.

Paraíba, 13 de março de 2022

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Paraíba, 13 de março de 2022

Da solidão de não pertencer à quarta dimensão - de Daniela Della Torre (Editora Nankin, 2009) – Qual seria a melhor imagem de Clarice,...

Da solidão de não pertencer à quarta dimensão - de Daniela Della Torre (Editora Nankin, 2009)

– Qual seria a melhor imagem de Clarice, após essa leitura?

– A da fotomontagem de Wanda Wuls, Moi+Chat, de 1925, que aqui em seguida está.

– Alguma surpresa, no livro da Della Torre.?

Quem conhece bem João Pessoa sabe da história que vou contar. É a história do “frade sem cabeça” que aparecia, altas horas da noite, sain...

Quem conhece bem João Pessoa sabe da história que vou contar. É a história do “frade sem cabeça” que aparecia, altas horas da noite, saindo clandestinamente do Convento dos Franciscanos e indo para a “Fonte dos Milagres” (hoje completamente destruída), no sopé da ladeira de São Francisco.

Durante sete anos (de 1965 a 1972), ocorreram, no Brasil, diversos festivais de música popular, que marcaram de tal forma o ambiente cult...

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Durante sete anos (de 1965 a 1972), ocorreram, no Brasil, diversos festivais de música popular, que marcaram de tal forma o ambiente cultural do país que o período ficou conhecido como a “Era dos Festivais” (título de um alentado livro sobre o assunto escrito pelo crítico musical Zuza Homem de Mello). Os eventos premiavam, por meio de um júri qualificado, as melhores composições inéditas que eram apresentadas. Os festivais realizados nesses anos tiveram ampla cobertura da mídia em geral e revelaram uma brilhante geração de autores, como Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Milton Nascimento.

Como saldo da “Era dos Festivais” ficaram músicas imortais do nosso cancioneiro popular, a exemplo de “Arrastão” (Edu Lobo/Vinícius de Moraes – 1965), “A Banda” (Chico Buarque – 1966), “Disparada” (Geraldo Vandré/Théo de Barros – 1966),

Para Silvana Romani, que perdeu Sinhá O atento leitor e a cautelosa leitora já devem estar se perguntando: Quem será esse déspota que e...

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Para Silvana Romani, que perdeu Sinhá

O atento leitor e a cautelosa leitora já devem estar se perguntando: Quem será esse déspota que está sendo chamado de adorável? Existiria alguém, algum ditador, que poderia ser agraciado com tão mimoso adjetivo?

Poderia, não! Pode! Vou contar quem é. O nome dele é Fred. Fred do quê? De onde? Irão me perguntar. Vou ter que contar. Fred é para mim apenas Fred, um cão que compartilha o mesmo endereço que eu. Assim, já está respondido, o “do quê” e o “de onde”. Vamos então, às demais considerações.

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