Queria Queria escrever poesia Mas não posso Entregue aos fatos E a razão Queria o verbo sem condicional Mas não po...

literatura paulistana troncoso cristina siqueira
Queria
Queria escrever poesia Mas não posso Entregue aos fatos E a razão Queria o verbo sem condicional Mas não posso Palavras passam fluidas As mãos não as alcançam Retornam ao coração Queria o querer sem queria Mas não posso Há pressa e prazo A ritmar compasso O tempo é duro É de prestar atenção Queria , Oh como queria ! Largou-se de mim a poesia Cumpro regras, venço o tempo Sufoco em mim a emoção Há um medo de dizer o bem dito A coerção que limita A liberdade de expressão Há algozes No caminho das palavras Seres escuros Sombras tenebrosas Há um oco O recolho ao centro do ovo Onde a vida germina quente Sob a casca branca e fina Na força da oração Só a fé a apontar destino No incontrolável desatino Do caos em turbilhão Queria escrever poesia Mas não posso Há sol Atrás das nuvens escuras Do medo e da coerção Há sol, mas não posso Nem ouço pássaros Mataram as flores Com pés de manadas de burros Sem rédeas e sem direção Há um grito mudo no ar Há reza forte nos lábios De mães e pais Crianças sem esperança Há fome de amor No prédio que chega ao céu E na favela que deságua na lama Queria este querer que asfixia O claro a vencer a treva escura As cores livres ufanando O espaço O tom humano de um abraço A leveza de um traço A boa semente da verdade Que a paz vibrasse agora No coração da humanidade Queria Não são os homens Os que se ostentam ali Estes já se mostraram torpes Embriagados pelos prazeres Que o poder outorga E a ilusão confere O que tolhe é o ha de vir A loucura a olhos vistos O circo com as jaulas abertas O leão nas ruas sem domador Em tempo real o picadeiro A mostra de feras iradas No púlpito da TV aberta Fechando em dor A desalma do futuro E o povo ri feito criança orfã Quando ganha um pirulito É só mais um programa da televisão Só mais um furo Há impotência na pseudo escolha Inocentes , distraídos Com a carcaça da vez Não há escolha Há um restolho de ossos Em travessa de filé mignon Desconheço aqueles homens Que se ostentam irados Propostas de superfície São brados que explodem No imaginário montado Falta brio Corações de gelo Extertores de frio Inferno na primavera do inverno Mulheres com voz de homens Perderam o poder da intuição Assisto Rio também Uma risada nervosa Mas o circo não é imaginário Nas palavras vãs Não há perfume de rosa Nem um Cícero a ocupar o tablado Quero crer no atrás da curva Seguir em paz meu caminho Mas Não posso escrever poesia Não posso
Quero
Quero falar de abelhas Quero falar de vida Abelhinhas Broches delicados Em rolê Entre pistilos Metamorfoseando pólen Criando flores Perpetuando a vida Quero falar de vida Urge falar de vida Plantar e colher Um mundo são

Em novembro de 1809, quando Henry Koster, atendendo recomendação médica, deixou Liverpool com destino ao Recife, ele somente pensava em...

historia paraiba henry koster camara cascudo viagem sertanejo
Em novembro de 1809, quando Henry Koster, atendendo recomendação médica, deixou Liverpool com destino ao Recife, ele somente pensava em melhorar a sua saúde no clima tropical. Koster era filho de ingleses, nascido em Portugal, mas foi para a Inglaterra ainda criança. Devia ter, ao chegar ao Brasil, alguma condição financeira que o permitiu viajar, por algum tempo, por Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará e Maranhão. Depois de percorrer essas Capitanias, arrendou um engenho com escravaria próximo ao Recife e, em seguida, tornou-se plantador

O entretempo de 1912 a 1930 se caracteriza como período em que mais fortemente prepondera a influência do paraibano de Umbuzeiro, Epitá...

historia paraiba joao pessoa porto capim epitacio
O entretempo de 1912 a 1930 se caracteriza como período em que mais fortemente prepondera a influência do paraibano de Umbuzeiro, Epitácio Pessoa, na cena política nacional, primeiro como Senador, depois como Presidente da República e, em seguida, como Senador outra vez.

A esta altura, a Paraíba, mesmo diante de fortes divergências políticas locais, e de fatores geoambientais limitantes, com relação à construção de um porto no Sanhauá, a ainda não tão pujante capital paraibana aspirou a que o então pequeno Porto do Varadouro, ou Porto do Capim, ganhasse mais envergadura e se estabelecesse como porto competitivo, com maior capacidade de desempenho e com potencial para estimular

“As palavras se movem, apenas no tempo; mas o que apenas vive Pode apenas morrer. As palavras após a fala encontram o silêncio” T. E...

psicanalise desilusao convivencia casamento repressao submissao
“As palavras se movem, apenas no tempo; mas o que apenas vive Pode apenas morrer. As palavras após a fala encontram o silêncio”
T. Elliot

Era mais um dia de trabalho. A noite chegou desapercebida, escondida pela cortina da sala, lá fora o tempo corria! A espera do elevador enfrentava a saída simultânea de vários profissionais da área de saúde e clientela. Mas, após um breve aguardo, abriu-se uma porta com uma sorridente ascensorista. Algumas pessoas já presentes, recuaram educadamente para receber o novo afluxo. O silêncio propiciava olhares furtivos, avaliações rápidas, o olho no relógio... Um casal de meia-idade confirmava o próximo horário do dentista, quando ela subitamente quebrou a discrição, como se houvesse lembrado de algo importante:

Araruta é uma música de Noel Rosa. Uma das tantas, em que ele expressa a sua genialidade. Parece música com tom de marchinha de carnav...

noel rosa mpb carnaval marchinha
Araruta é uma música de Noel Rosa. Uma das tantas, em que ele expressa a sua genialidade. Parece música com tom de marchinha de carnaval ou daquelas debochadas que permeiam a sua obra. As gerações de hoje, em overdose de sertanejos, pancadões e quejandos, não devem saber o que é marchinha de carnaval, festa tomada por outros ritmos, além do frevo, marcha-rancho e da própria marchinha.

A Araruta de Noel Rosa e Orestes Barbosa, de 1932, gravado em 1983, por Carlos Didier, biógrafo de Noel Rosa, segue, no entanto, em outra direção. É música de qualidade. Embora não seja versado nessa arte, sendo apenas um apreciador, achei a música parecida com um ragtime do tempo das melindrosas. Em alguns momentos,

Meu colega escritor Ariano Suassuna contava que uma vez foi jantar na casa de milionários cariocas e a anfitriã ficou decepcionada ao...

Meu colega escritor Ariano Suassuna contava que uma vez foi jantar na casa de milionários cariocas e a anfitriã ficou decepcionada ao saber que ele jamais havia saído do Brasil. Pior ainda; não conhecia a Disney. Ariano concluiu então que para aquela senhora o mundo se dividia em duas partes; os que conheciam a Disney e o resto.

Observando o Brasil bem de longe (estou não fazendo nada em Florença), depois de conviver com brasileiros de todas as regiões e de todas as tendências políticas que encontro em restaurantes e museus, cheguei à insuperável conclusão de que o Brasil transformou-se em duas Disneys. Os que votaram em Bolsonaro entendem que o resto não merece sua atenção. Os que votaram em Lula não têm, como direi… a melhor impressão de quem não sufragou seu candidato.

Súbito me vejo à porta do sapateiro ou mais precisamente à banca de bicho ali atravessada, eu de pé a ver de cima a bela cabeça de mulhe...

Súbito me vejo à porta do sapateiro ou mais precisamente à banca de bicho ali atravessada, eu de pé a ver de cima a bela cabeça de mulher de cabelos anelados em sua ocupação diária de passar bicho. Não estava em meus cálculos parar ali, repetir o milhar sustentado desde o ano de 1949, quando fui levar um documento à casa do doutor Otávio Amorim, na Floriano Peixoto de Campina Grande, e senti na placa do seu carro, 1382, um forte palpite.

Em memória de Julio Rafael e Murilo Jardelino "Aquele exato momento de felicidade ninguém mais nos tira, aferrou-se no tempo, p...

lula eleicoes 2022 pt vitoria
Em memória de Julio Rafael e Murilo Jardelino

"Aquele exato momento de felicidade ninguém mais nos tira, aferrou-se no tempo, pertence agora à história. Uma multidão embevecida de alegria, separada por paredes permeáveis, explodindo em canto por toda parte, como se fosse o próprio júbilo a expulsar do poder o homem atroz..."
Julián Fuks, UOL, 05/11/22

"Chegou o grande dia. A vitória eleitoral da sociedade civil contra um projeto de autocracia miliciana e fundamentalista não tem outro nome: lavamos a alma. Esse banho vai ser demorado..."
Receita para lavar a alma, de Gregório Duvivier

Eu não circulava pelo centro de João Pessoa há um bom tempo. Mas eis que amigos me recomendaram a busca do Terceirão, o Camelódromo ins...

nostalgia urbanismo joao pessoa paraiba
Eu não circulava pelo centro de João Pessoa há um bom tempo. Mas eis que amigos me recomendaram a busca do Terceirão, o Camelódromo instalado sobre um pedaço do teto daquele túnel escavado no eixo da Miguel Souto por baixo dos cruzamentos com a Visconde de Pelotas, a Duque de Caxias e a General Osório. E lá fui eu.

No futuro não distante, se eu puder me recordar destas flores e da música, me darei por satisfeito. Na velhice ou já sem corpo, ao se...

flores aquaticas ninfeias lembrancas saudades conduta fazer bem
No futuro não distante, se eu puder me recordar destas flores e da música, me darei por satisfeito. Na velhice ou já sem corpo, ao senti-las saberei que viver valeu demais.

Ignoro se existe um tesouro que mais valha do que ter boas lembranças. É por isso que devemos vigilantes sempre estar. Se na vida semearmos coisas boas no caminho, mais à frente, certamente, a colheita se fará na medida do plantio.

Quando eu era bem criança, brincava de caloura do Chacrinha e dublava Maria Bethania. Era e continua sendo minha abelha rainha. Ainda g...

gal costa musica brasileira
Quando eu era bem criança, brincava de caloura do Chacrinha e dublava Maria Bethania. Era e continua sendo minha abelha rainha. Ainda guardo a mesma paixão.

Há mais de dez anos eu remendava uma crônica publicada no extinto jornal O Norte, com frase retirada do Diário de Pernambuco,...

pobreza carencia injustica agricultura
Há mais de dez anos eu remendava uma crônica publicada no extinto jornal O Norte, com frase retirada do Diário de Pernambuco, atribuída a uma negra, à época, com 84 anos: “A gente é cativo da pobreza”. Igualmente, no meu texto, recordava o pensador francês Emmanuel Mounier, para quem a verdade está ao lado do pobre.

Recorri ao filósofo e à mulher pernambucana para referendar a história de quem sobrevive com tão pouco.

Se me perguntassem qual o escritor mais metódico da literatura brasileira, eu responderia sem pestanejar: Mário de Andrade. E isso não ...

literatura brasileira macunaima semana arte moderna
Se me perguntassem qual o escritor mais metódico da literatura brasileira, eu responderia sem pestanejar: Mário de Andrade. E isso não só por conta de sua produção abranger quase todos os gêneros literários, mas, sobretudo, por sua correspondência ativa, por sua compulsão em responder, indistintamente, quer ao poeta federal, quer ao estadual, quer ao municipal, inclusive àquele perdido e extraviado nas bibocas, nos grotões, nas brenhas desse Brasil de oito milhões de quilômetros quadrados. Não há dúvida: Mário de Andrade foi o escritor mais metódico da literatura brasileira de todos os tempos.

Ao ler a bela História da Revolução Russa , de Trotsky, lançada pela Paz e Terra em 78, resolvi partir para um espetáculo sobre Vladími...

comunismo queda muro lenin
Ao ler a bela História da Revolução Russa, de Trotsky, lançada pela Paz e Terra em 78, resolvi partir para um espetáculo sobre Vladímir Ilich Ulianov – Lênin, mas senti que aquele relato não me bastava. Fui à Biblioteca Central da UFPB, e nada. Frequentemente eu me valia da biblioteca do Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio – enorme – que mandava a todo e qualquer funcionário do BB, de qualquer parte do país, os livros que quisesse, pelos malotes da estatal. Pedi e recebi pacotes sobre o homem que – contrariando Marx – implantara a “ditadura do proletariado”, 69 anos após o Manifesto Comunista (com seu tom profético não concretizado), num país... sem proletários, não industrializado, agrário, fazendo-o através de “profissionais da revolução”, que sequer eram camponeses, criando – com a Rússia e países vizinhos — a União Soviética, que duraria até 1991. Como foi possível?

    CHEGANDO AO CORAÇÃO DE ALGUÉM Não tente entrar sem convite, Para adentrar é preciso senha, Não venha cheio de exigên...

poesia paraibana volia loureiro amaral
 
 
CHEGANDO AO CORAÇÃO DE ALGUÉM
Não tente entrar sem convite, Para adentrar é preciso senha, Não venha cheio de exigências, Caminhe com cuidado, Apenas, venha... Não queira ser o dono do lugar, Não queira mudar o que lá está. Sutilmente acomode-se onde Onde o dono lhe colocar. Não traga bagagens pesadas, Difíceis de organizar. Traga leveza, carinho, Que combinam com qualquer lugar. Não chegue se sentindo em casa, Não se espalhe em demasia, Chegue com delicadeza, Para permanecer com alegria. Ao chegar ao coração de alguém, Faça-o com amor e respeito, Coração é terra nobre e sagrada, Não traga dor e tristeza, Transigir o amor não é direito.
 
DIGESTÃO
Reavaliar sentimentos... O que me acrescenta? O que me diminui? Repensar relações... Quem acolhe meu ser? Quem me suga a alma E me descarta? Redefinir projetos... Plantar rosas em terrenos férteis, Poesia é para quem tem ouvidos de ouvir. Refazer-se, reconstruir-se, reorientar-se. Esmurrar ponta de faca dilacera as mãos. Melhor uma dieta leve, Facilita a digestão.

Quem poderia supor que página de jornal amassada formasse assunto para se utilizar numa crônica? Você afirmaria? Um coletor de papel, ...

Quem poderia supor que página de jornal amassada formasse assunto para se utilizar numa crônica? Você afirmaria? Um coletor de papel, suado em suas dificuldades, roupa por lavar, barba grande; achou de mexer em uma lixeira quando se deparou com um saco plástico inchado de papelório. Para ele, como se fora ouro: assegurava seu sustento.

Pôs-se a retirar as folhas impressas. Antes de levar os papéis para vender na reciclagem, em casa, lia as notícias, crônicas, artigos, até uma vista pelos chamados “pequenos anúncios”.