Fosse na Inglaterra ou na França, por exemplo, um jornal completar cem anos de existência até que seria normal. Na civilização, sabemos...

jornal o globo cem anos
Fosse na Inglaterra ou na França, por exemplo, um jornal completar cem anos de existência até que seria normal. Na civilização, sabemos, as coisas costumam durar e as tradições são cultuadas com orgulho nacionalista, no bom sentido da palavra. Lá ninguém pensaria em derrubar o prédio do Parlamento inglês ou o Palácio de Versalhes para colocar no lugar um empreendimento imobiliário qualquer. Mas aqui, nestes trópicos ainda bárbaros, talvez eternamente bárbaros, é diferente. A impermanência é a lei da tribo e a precariedade de tudo, uma fatalidade que se aceita naturalmente, como se fosse coisa de Deus (ou do diabo). De modo que um jornal
jornal o globo cem anos
Largo da Carioca (RJ)
Biblioteca Nacional
brasileiro completar um século de vida, estando ainda em pleno vigor e prometendo mais cem anos pela frente, é de fato um acontecimento. Um grande acontecimento, para dizer melhor.

Um amigo me indaga sobre a crônica publicada há três semanas em que trato do meu apego a João Pessoa, em detrimento de outras cidades...

nostalgia viajar amor telurico
Um amigo me indaga sobre a crônica publicada há três semanas em que trato do meu apego a João Pessoa, em detrimento de outras cidades, a exemplo de São Paulo.

O problema não é das metrópoles, é meu, inteiramente meu. Em verdade não andei muito, mas das poucas vezes em que me achei fora de casa, achei-me, também, fora de mim. Não me encontro em qualquer das situações, mais cômoda e animada que pareça. A vontade é voltar, entrar na ruazinha estreita e sinuosa de Cruz das Armas, medir-me com o muro baixo, a casinha em que, andando a pé, avista-se o telhado de lodo e heras.

Vivi um momento extraordinário, na manhã desta quinta-feira (24jul2025). Em tamanha conexão, no cenário visível, eu e o cronista-jor...

gonzaga rodrigues jose americo almeida historia paraiba
Vivi um momento extraordinário, na manhã desta quinta-feira (24jul2025). Em tamanha conexão, no cenário visível, eu e o cronista-jornalista Gonzaga Rodrigues; no invisível, as memórias do nosso ilustre escritor e político paraibano José Américo de Almeida. Memórias perpetuadas no seu coração e expressadas nas suas emoções. O local: óbvio, o Museu Casa de José Américo, situado na hoje Fundação que leva o nome de seu patrono e sua residência, onde morou por cerca dos seus últimos trinta anos finais. Precisamente situada "entre o mar e a colina" (JAA), na orla do paradisíaco Cabo Branco.

Ontem, ela resolveu arrumar um dos seus armários. Bem aquele que fica no outro quarto, o da procrastinação, o que ela olhava e falava: ...

mulher reflexao
Ontem, ela resolveu arrumar um dos seus armários. Bem aquele que fica no outro quarto, o da procrastinação, o que ela olhava e falava: depois arrumo.

Mas dessa vez foi diferente. Pegou firme e mergulhou nas pilhas de lençóis, fronhas, toalhas. Mesmo sendo prática, reconheceu que ali havia excesso e que, por mais afeto cada uma das peças trouxesse, não havia necessidade daquilo tudo.

No último dia 27 de julho, foi celebrada a memória litúrgica de São Tito Brandsma (1881-1942), um frade camelita holandês, que enfren...

tito brandsma
No último dia 27 de julho, foi celebrada a memória litúrgica de São Tito Brandsma (1881-1942), um frade camelita holandês, que enfrentou o regime nazista e morreu no campo de concentração de Dachau. Canonizado pelo papa Francisco em 2022, ele é o primeiro jornalista profissional elevado à honra dos altares pela Igreja Católica.

Li Mensagem de Fernando Pessoa. Senti falta de uma personagem histórica: Dom Egas Moniz IV, o Aio. Sem ele não teríamos a Dinastia de ...

 fernando pessoa egas Moniz aio bandarra
Li Mensagem de Fernando Pessoa. Senti falta de uma personagem histórica: Dom Egas Moniz IV, o Aio. Sem ele não teríamos a Dinastia de Borgonha, quiçá Portugal. Mas o certo também é que todos que descendem dos primeiros colonizadores portugueses descendem de Dom Egas Moniz, o Aio. Inclusive eu, por diversas vezes, por suas duas esposas.

Escrito em 1914, é um dos mais destacados sonetos de Augusto dos Anjos. Pela temática atemporal, pelo enfoque único, pela estrutura pe...

lamento coisas augusto anjos
Escrito em 1914, é um dos mais destacados sonetos de Augusto dos Anjos. Pela temática atemporal, pelo enfoque único, pela estrutura perfeita, é um poema eterno que os séculos hão de repetir, como repetem os sempre atuais camonianos sobre as mudanças da Fortuna e os enganos do Amor.

A etimologia tem sido má conselheira dos que pretendem explicar fatos atuais da língua. O uso leva com frequência ao esquecimento de ...

lingua portuguesa hipercaracterizacao
A etimologia tem sido má conselheira dos que pretendem explicar fatos atuais da língua. O uso leva com frequência ao esquecimento de como determinada palavra ou expressão se formou. E pode ocorrer o que em linguística se chama hipercaracterização, que é uma redundância incorporada

“Aquilo que é acrescentado ou suprimido sem que se produza qualquer consequência apreensível não é parte do todo”. É o que afirma Ari...

victor hugo miseraveis escrita romance
“Aquilo que é acrescentado ou suprimido sem que se produza qualquer consequência apreensível não é parte do todo”.

É o que afirma Aristóteles, na Poética (1451a), quando propõe uma definição mais completa da mímesis, como uma ação singular que forma um todo. A partir daí, compreende-se que o criador – poeta ou prosador –, não tem qualquer compromisso com o fato ocorrido, mas com o que poderia ter ocorrido, de acordo com a verossimilhança e a necessidade (1451a).

A prática do nadismo me leva constantemente a pensar. Sim, porque pensar é coerente com o nadismo. Fazer é que são outros quinhentos....

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A prática do nadismo me leva constantemente a pensar. Sim, porque pensar é coerente com o nadismo. Fazer é que são outros quinhentos. Uma boa definição do nadismo é não fazer absolutamente nada, porém pode-se pensar desde que não seja pensar em algo sério.

Ziraldo revelou, no livro autobiográfico O menino maluquinho , que seu caderno escolar era assim: um dever e um desenho. Não cheguei a...

leitura infancia desenho infantil
Ziraldo revelou, no livro autobiográfico O menino maluquinho, que seu caderno escolar era assim: um dever e um desenho. Não cheguei ao exagero de Ziraldo, mas reservava a primeira página dos meus cadernos escolares para desenhar e pintar uma paisagem. Algumas colegas do antigo curso primário gostavam dos desenhos e me pediam para reproduzi-los nos seus cadernos. Era uma tarefa que me dava muito prazer, sentia-me importante.

“O que explica isso, seu descomungado? Por que terminar julho desse jeito?”, perguntaria, em estado de embriaguez, Nezinho do Jegue. Qu...

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“O que explica isso, seu descomungado? Por que terminar julho desse jeito?”, perguntaria, em estado de embriaguez, Nezinho do Jegue. Quando sóbrio, ele assim não se comportaria. Lúcido, era dado à bajulação. E Odorico Paraguaçu responderia: “Os finalmentes justificam os obstantes”. É claro que estou a falar das criações do talentoso Dias Gomes.

Peço desculpas aos que me leram ou lerão pelos erros. Escrevi em um dia de total silêncio. É tão óbvio. Lulu Santos já dizia: “A vi...

lembrancas solidao nostalgia familia

Peço desculpas aos que me leram ou lerão pelos erros. Escrevi em um dia de total silêncio.

É tão óbvio. Lulu Santos já dizia: “A vida é mesmo assim.” Por que razão estou cansando os que me leem com algo tão corriqueiro. Estranho. Ao acordar e começar a limpar o apartamento tão grande para mim e dois cachorros, fiquei pensando no paradoxo que Deus nos reserva.

E a estrada se abre em artérias sanguíneas negras interligando mundos. E pontinhos seguem percorrendo distâncias em várias direções....

rodovia paisagem nordeste contemplacao
E a estrada se abre em artérias sanguíneas negras interligando mundos. E pontinhos seguem percorrendo distâncias em várias direções. Enquanto uns vão, outros voltam... Talvez seja o contrário: uns voltam enquanto outros vão. Muitos, ficam parados, inertes, observando filosoficamente o vai-e-vem.

Aproximadamente até os anos 70, os cardiologistas do mundo inteiro acreditavam que as mulheres tinham baixo risco de desenvolver doença...

cardiologia doenca coracao mulher
Aproximadamente até os anos 70, os cardiologistas do mundo inteiro acreditavam que as mulheres tinham baixo risco de desenvolver doenças cardiovasculares e, quando apresentavam essas condições, acreditava-se que, em sua maioria, eram simples de resolver — ou seja, de fácil controle clínico. Tal conclusão era fruto da má interpretação das queixas femininas nos consultórios médicos e da falta de pesquisas envolvendo o seu coração.

O respeito é, sem dúvida, uma das pedras angulares sobre as quais se edificam as relações humanas. Em um mundo repleto de diversidade,...

respeito fraternidade
O respeito é, sem dúvida, uma das pedras angulares sobre as quais se edificam as relações humanas. Em um mundo repleto de diversidade, onde cada indivíduo traz consigo uma bagagem única de experiências, crenças e sentimentos, a capacidade de respeitar o outro é um verdadeiro ato de amor. É um reconhecimento de que, apesar das diferenças, todos nós buscamos a mesma coisa: compreensão, aceitação e conexão.