21.4.22
Os edifícios de hoje são próximos. Assim como no filme Uma Janela Indiscreta , somos seduzidos a espiar a janela do vizinho da frente. Mas...
Os edifícios de hoje são próximos. Assim como no filme Uma Janela Indiscreta, somos seduzidos a espiar a janela do vizinho da frente. Mas poderia ser Truffaut mesmo, com a sua bela Fanny Ardant. Logo que cheguei aqui, passava a vista pelas janelas com as luzes acesas. Via um quarto de criança, um guarda-roupa, um varal, um gato cinza espremido entre a vidraça e a rede de proteção. Por sinal, aquele gato me intrigava. Ora eu achava que eu o olhava de longe, ora tinha a impressão de que era ele que me notava, com olhos de gato pardo.
21.4.22
21.4.22
Sempre enfrento… Sempre sigo em frente… Nunca desisto dos meus sonhos, minhas utopias, meu fazer nas artes, no jornalismo, na vida… Que j...
Sempre enfrento… Sempre sigo em frente… Nunca desisto dos meus sonhos, minhas utopias, meu fazer nas artes, no jornalismo, na vida…
Que juntos, homens e mulheres, possamos construir uma sociedade mais humana, mais igual, com direitos e dignidade para todos os seres desta nossa Terra!
21.4.22
21.4.22
Mesmo os meios de transporte, tipo automóveis, motos e bicicletas, só se movem se o ser humano provocar o movimento. Não é comum alguém co...
Mesmo os meios de transporte, tipo automóveis, motos e bicicletas, só se movem se o ser humano provocar o movimento. Não é comum alguém constatar que alguma coisa se move sozinha. Vá lá, o controle remoto da TV é uma exceção. Não é incomum deixá-lo num lado da cama e encontrá-lo na mesa de cabeceira. Porém é só isso. Móveis rangerem de madrugada e bolinhas de gude baterem no chão do apartamento do seu vizinho de cima são coisas do além, e nessa seara eu não entro; é a área de mãe Leca. E foi exatamente ela quem deu a prova definitiva de que documentos se movem sozinhos, sim.
21.4.22
21.4.22
“A partir da quinta-feira suprimia-se o doce, a rapadura, e não se comia nada fora das refeições. Falava-se de pessoas que jejuavam a pão ...
“A partir da quinta-feira suprimia-se o doce, a rapadura, e não se comia nada fora das refeições. Falava-se de pessoas que jejuavam a pão e água. Todo prazer era proibido. Comer, beber, só para manter a subsistência. Nem banho se tomava, era regalo.
21.4.22
20.4.22
Moda é moda, mas há cada uma... Moda de andar com a calça jeans rasgada. Tem coisa mais ridícula? Só perde mesmo para a calça boca-de-sino...
Moda é moda, mas há cada uma... Moda de andar com a calça jeans rasgada. Tem coisa mais ridícula? Só perde mesmo para a calça boca-de-sino lá nos anos 70 e que era acompanhada do sapato de salto carrapeta. Um horror! Nesse quesito moda, sou conservador. Por exemplo: gosto da tal da gravata, pois acho elegante e de bom tom usá-la. Sempre que posso, lá estou eu todo pimpão, devidamente engravatado. Mas para mim, o máximo da elegância são os suspensórios combinando com a gravata borboleta. Mas adulto, nunca os usei e nem usarei esses acessórios juntos ou separados. Invejo quem o faz e só não o faço por culpa de um irmão e de uma tia. Coisas de família, mas vou contar.
20.4.22
20.4.22
Um vendaval soprou na vida dele. Começou a rever, no reflexo e reflexão da sua maior intimidade dentro da qual somente Deus tinha acesso, ...
Um vendaval soprou na vida dele. Começou a rever, no reflexo e reflexão da sua maior intimidade dentro da qual somente Deus tinha acesso, que tudo se desata. Ficava observando as perdas e ganhos. Os meninos soltavam pipas (ainda sem o uso do cerol assassino), os papagaios devassando em cores variadas no céu claro. Ele contava histórias de lobisomem e o dinheiro guardado na carteira. Tudo se desata: antes, ainda criança, jovem, moço, despedia os aconselhamentos da avó.
20.4.22
20.4.22
Todas as manhãs de domingo ele saía silencioso do quarto. Ia à padaria, comprava pães quentes, derretia queijo, fazia café, tirava as seme...
Todas as manhãs de domingo ele saía silencioso do quarto. Ia à padaria, comprava pães quentes, derretia queijo, fazia café, tirava as sementes do mamão. Trazia até a cama e me acordava com brincadeiras. Fazia tudo isso sagazmente, premeditando receber recompensas.
20.4.22
19.4.22
Às vezes o amor simplesmente acontece. Manso, ele te encontra numa rua sem asfalto, em tarde de sol. De repente, tudo brilha e refulge ao ...
Às vezes o amor simplesmente acontece. Manso, ele te encontra numa rua sem asfalto, em tarde de sol. De repente, tudo brilha e refulge ao teu redor. Ele te faz rir, desarmado. Um instante depois te atira numa espiral que converte a vida em turbilhão. Um frenesi de gozo e lágrimas regado a sangue escaldando e que te faz escutar algo feroz rugindo no teu peito a ponto de espalhar dor e sal, mel e água de rosas no teu espírito atemorizado. Não tão simples e nada manso, afinal. Amor, dizem. De quem falo neste texto? De mim, de ti, dos Beatles ou de Get Back, o documentário de Peter Jackson? De todos nós, por certo, já que “Get Back” me fez escrever sobre os Beatles com um olho fixo nas impurezas e no esplendor que movem a nossa humanidade. Um filme que contém todo o deleite, a tensão, as ásperas lutas e a graça da existência.
19.4.22
19.4.22
A necessária prova do café e do vinho. Os amargores diferenes na mesma boca. Um beijo rubro, vermelho, indomável. A alternância da língua...
A necessária prova do café e do vinho. Os amargores diferenes na
mesma boca. Um beijo rubro, vermelho, indomável. A alternância da língua a
experimentar sabores, amores, odores. Daqui é possível ver tudo, talvez não
compreender um mundo, mas mundos. O copo pela metade da negritude
inebriante da alma, a taça meio cheia da embriaguez do corpo. Feito sol no
Sertão a desfalecer verdades, construir sonoridades ao pé do ouvido, erguer
brindes.
19.4.22
19.4.22
Desde algum tempo, recorrem à minha memória passagens infanto-juvenis, fazendo aflorar e reencontrar os meus Mestres e Mestras, os quais,...
Desde algum tempo, recorrem à minha memória passagens infanto-juvenis, fazendo aflorar e reencontrar os meus Mestres e Mestras, os quais, por suas mãos, me conduziram aos umbrais do conhecimento. Foram fundamentais a convivência e o aprendizado nos bancos escolares, quase sempre sisudos e vetustos. Lembro-me, com precisão, de Irmã Cristina do Colégio das Lourdinas, que me acolheu, aos cinco anos. Ela, admirável e impenetrável sob o seu puro e alvo manto, era dona de beleza cúmplice, dotada de uma delicadeza que me seduziu.
19.4.22
18.4.22
Um dia minha juventude botou na cabeça ir morar na Inglaterra. A fascinação pelos Beatles pode ter influenciado a ousada decisão.
Um dia minha juventude botou na cabeça ir morar na Inglaterra. A fascinação pelos Beatles pode ter influenciado a ousada decisão.
18.4.22
18.4.22
O texto de humor é excelente material para o estudo da língua. Isso porque os recursos que levam...
O texto de humor é excelente material para o estudo da língua. Isso porque os recursos que levam ao riso decorrem de uma relação peculiar entre significante e significado. O efeito humorístico vem de uma ruptura que, como no texto poético, promove uma desautomatização do sentido. Espera-se uma coisa, e aparece outra. Primeiro, o ouvinte/leitor se depara com o imprevisto; depois, constata que esse imprevisto aponta para outro sentido, portador de uma intenção crítica ou irônica.
18.4.22
18.4.22
A propósito de quê, escolhi este tema para tratar? Muito simples, vou contar. Estava relendo tranquilamente O livro dos fragmentos, de Ant...
A propósito de quê, escolhi este tema para tratar? Muito simples, vou contar. Estava relendo tranquilamente O livro dos fragmentos, de Antonio Carlos Villaça (Editora Civilização Brasileira, 2005), quando, às páginas tantas, ele assim se refere ao maestro Ricardo Duarte, seu amigo: “... tão fino, tão delicado, tão sensível, tão introspectivo, casado com mulher forte”. Veja só. Esta expressão, “casado com mulher forte”, é suficiente, pelo menos para mim, para formar de imediato uma imagem desse casal. Ele, tímido, calado, muito educado, certamente; ela, mandona, extrovertida, decidida, a dona da última palavra sobre tudo. Quem já não conheceu uma mulher assim?
18.4.22
17.4.22
Paraíba, 17 de abril de 2022
Paraíba, 17 de abril de 2022
17.4.22
17.4.22
DOMINGO DE PÁSCOA esperei a mansidão da manhã e os primeiros acervos coloridos do sol esperei ouvir a ladainha dos pardais e ...
DOMINGO DE PÁSCOA
esperei a mansidão
da manhã e os primeiros
acervos coloridos do sol
esperei ouvir a ladainha
dos pardais e o alerta
indiscreto dos bem-te-vis
uma noite inteira sumido
na mansidão da espera
recolhi os mantos invisíveis
da ausência e as resinas
decompostas do sereno
17.4.22
17.4.22
Há 3 anos que faço parte de um clube de leitura: Livros da Frederica . Semana passada tivemos a ilustre presença da querida e aclamada Mar...
Há 3 anos que faço parte de um clube de leitura:
Livros da Frederica. Semana passada tivemos a ilustre presença da querida e aclamada
Maria Valéria Rezende. Vencedora de muitos Jabutis (cinco), o maior prêmio da literatura brasileira, e mais outros tantos. O seu romance
Quarenta Dias (Alfaguara, 2014) era o nosso livro do mês. Valéria é um tsunami ambulante. Uma jovem mulher beirando 80 anos, com a energia de 30! E nós, o grupo, desmaiamos na escuta. Emocionadas, não queríamos falar mais nada diante das histórias de vida e de literatura que ela nos contou.
17.4.22