Ontem (29/01) foi aniversário de morte de Nam Paik. A arte lhe deve tributos. Este é um texto que deveria ser escrito em linguagem recheada de adjetivos e, quem sabe, até em letras garrafais, só para homenageá-lo.
Não se pode silenciar ou ser econômico diante de personagem de tamanha envergadura nas artes plásticas e visuais, como foi Nam Paik. Sempre muito polêmico, dominou estas artes com soberba e revolucionária criatividade.
O nosso querido Gonzaga Rodrigues, por quem tenho admiração e carinho especiais, escreveu sobre a sua teimosia em Escrever fora do seu tempo (A União). Mas para a felicidade da cidade, ele continuou a escrever – sempre aos domingos! Imagina se passamos sem ler a sua crônica publicada no Jornal A União toda semana? Já faz parte, pelo menos do meu ritual, ao tomar meu café.
Um dia Clodomiro chamou Heloísa e, sem mais nem menos, disparou:
⏤ Precisamos nos separar. Do contrário, o pessoal vai acabar nos censurando.
⏤ O quê?!
⏤ Somos casados há quase duas décadas. Isso não existe mais.
A mulher não conseguia entender: ⏤ Mas está tudo bem entre nós... Não temos nenhum problema sério.
A dificuldade de viver com qualidade, que se mantém frequentemente na Coreia do Norte, se opõe à imensidão bélica que desfila para o ditador e sua família. Ele impõe um governo com rédeas curtas e vidas vazias.
Em oposição aos maus tratos a esse povo, seus vizinhos da Coreia do Sul seguem em curso um belo gesto Humanitário, presenteando os famintos do norte com o envio de arroz em garrafas pet jogadas na correnteza. O rio as transporta até o norte por intermédio de suas artérias gentis e clandestinas, sem cobrança de frete e impostos, os quais engordam Kim Jong-un. Além do arroz, dentro dos pequenos barcos, segue escondido um pen-drive, em que estão gravados ‘shows’ de TV para diversão de seus amigos mal alimentados e proibidos de assistir, por ordem presidencial.
Vamos sair do Royal Hotel, em Londres, descer juntos a curta Bedford Way, contornar a Russell Square e entrar na pequena Montague Street, ao lado do gigantesco, magnífico Museu Britânico.
De repente, vê o que eu digo?
Não parece que entramos na ilustração de um conto de fadas, não lembra aquele sonho de Kurosawa em que o personagem penetra os quadros de Van Gogh?
Refiro-me a Edson Nery da Fonseca, o escritor e intelectual recifense, que, depois de aposentar-se, escolheu para morar pelo resto da vida uma casa em Olinda, vizinha ao Mosteiro de São Bento. Uma escolha de jeito nenhum aleatória, mas, ao contrário, muito refletida, se levarmos em conta sua condição de oblato beneditino. Essa casa, que me penitencio por não conhecê-la, ao menos em sua fachada externa, quando fui a Olinda e visitei o Mosteiro, deve ter sido escolhida a dedo pelo escritor por várias razões e foi uma grande sorte ele tê-la encontrado, em algum momento, disponível para compra ou locação. Mas o fato é que Nery conseguiu realizar o desejo de viver materialmente junto ao claustro, à igreja e ao refeitório de sua veneração e de sua frequência diária, o que lhe permitiu,
Então, nos sentimos assim: As amizades envelhecendo e quase sem tempo mais para as boas conversas, cumprimentos e abraços presenciais.
Tememos perder até mesmo a prática do saboroso cafezinho, presentificado por um bom papo sem ser frio nem amargo.
Ao invés disso, ficamos assistindo aos desfiles das síndromes de solidão e medo, do engasgo com esse grande carnaval de incertezas que esquenta os blocos frenéticos
Canção diária
Não minimizes assim
Que a vida inteira
Recolhi a bravura desse gesto.
Que a vida inteira
Encobri sob o manto da espera
Tão desejosa de ser esse silêncio...
E não me queiras mal
Por tão pouco ser dotada
Dos dons que te tocavam.
Li sem o fanatismo dos religiosos nem o desprezo dos ateus. Li por estudar as religiões, pela busca de explicações espirituais, pelo prazer de uma boa leitura, por não gostar de comentar sobre o que não li ou vi.
Há dois anos, exatamente quando começou a pandemia da Covid, tomei para mim o desafio de ler integralmente a Bíblia — o Velho e o Novo Testamentos: do Gênesis ao Apocalipse.
Estão me deixando para o fim sem levar em conta a vertigem dos dias na minha idade. Registra-se que o Censo na Paraíba alcança os 90 por cento. O bairro dos Expedicionários ou a rua onde moro ainda não foi visitado. E desejo constar com a minha própria voz, a mesma do agente recenseador no Censo de 1950.
Foi meu primeiro emprego às custas federais. A 40 centavos a casa, mansão ou casebre, e 20 centavos por pessoa. Peguei a parte mais enladeirada, a que bate de testa com as serras de
Na isolada vila de pescador, apenas uma construção se destaca das demais: o casarão à beira mar, fechado há muitos anos. Os pescadores não costumam construir suas casas de frente para o mar. A terra é salgada para o roçado e a água de beber é salobra. Preferem a de um pouco mais distante.
As mulheres só gostam de olhar para o mar na hora da jangada voltar, uma superstição com misto de medo e respeito. O mar que dá o sustento também leva os pescadores.
Tô aqui deitada sob a cobertura de palha, o corpo listrado de sol e sombra. Brinco os olhos nas folhas descabeladas do coqueiro. Nos entremeios o céu azul com nuvens ralas. Música, Bahia traz influência de múltiplos lugares.
Cruzei para o outro lado da vida, escrevo no fundo do oceano com o invisível fio do pensamento.
Preparo intenso de muito sol e praia, tarde dormida no vento.
Ontem Ravi perguntou de que lugar eu gosto mais e lhe respondi que são os lugares que levo dentro de mim. Trancoso foi ficando, ficando na lua que clareia meus caminhos, em parceria com as estrelas brilhantes.
Logo à entrada do Musée d'Orsay, somos recepcionados por um mural da autoria de Auguste Préault, em que aparecem, lado a lado, Dante (1852) e Virgílio (1853), numa alusão à Divina Comédia, em que o poeta mantuano serve de guia (duce) e mestre (maestro) ao poeta florentino, na sua viagem. É possível que fosse para nos guiar na incursão à obra de Edvard Munch, ali em exposição...
Quem faz atividades físicas à beira mar, ou ao redor de praças, bem sabe que não existe nenhuma possibilidade de usar algum banheiro para um xixi básico. Imaginem só o sufoco dos idosos, considerando, inclusive, que muitos sofrem de incontinência urinária.