Se meus queridos leitores não forem foliar no carnaval, me atrevo a dar algumas dicas para os feriados de momo. Começo indicando um livro (escrito numa linguagem bem acessível) que trata da física e dos físicos tops que conviveram num período de grande desenvolvimento daquela ciência. “A era da incerteza”, de Tobias Hürter. Desmistifica totalmente o tema e os gênios. São capítulos curtos onde aprendemos curiosidades sobre Marie Curie, Einstein, Max Planck e tantos outros
cientistas, desde a forma como chegaram às suas descobertas a chifres e amantes. Particularmente me tocou a forma como esses gênios, quando reunidos e em conversas onde apreciavam novas teorias, descartavam a tal ideia revolucionária; “- Fulano nem errado consegue estar”. Achei o máximo. Quando encontro um oteba aplico mentalmente a ele a possibilidade de nem conseguir estar errado.
Em casa, nas avenidas, nos becos, nos clubes e pelas ladeiras... O Carnaval tem uma energia diferente e como festa popular crava na memória várias lembranças. O colorido, as músicas, a alegria, o sorriso, a maratona. E a mente vai arquivando em pastinhas feito uma aquarela as imagens, sensações e situações.
Não, nem tudo deve estar perdido. Ainda parece haver solução para a encrenca em que se meteu a humanidade. As guerras sucessivas e a destruição gradativa do planeta – fenômeno resultante da devastação das florestas, da degradação do solo, da poluição atmosférica e do envenenamento das águas – podem findar antes que findemos todos. Assim, também, o ódio, a intolerância, a cobiça, a soberba, a inveja. Virá a ultimação, certamente, de todas as perversões, todos os maus sentimentos que, individual ou coletivamente,
No silêncio da tarde chuvosa pergunto-me quem comanda a minha jornada. Desfilam diante de mim situações em que ri e chorei, mergulhei em agonia, ansiedade, raiva ou euforia por influência externa.
Há anos, luto arduamente para ter um mínimo controle sobre mim. Defendo-me do que pode me converter em marionete das paixões — minhas e alheias.
Geralmente em janeiro é época de chuvas pelo Sudeste e com as mudanças climáticas só o que se vê é enchente, rios transbordando, miséria e tragédias. Anunciadas todas. A natureza é implacável, mas os governos incompetentes não se previnem, não tomam conta da população, não fazem o mínimo do dever de casa. E fico muito triste ao ver na TV as mortes, os carros boiando, as casas destruídas, as pessoas sem casa e perdendo tudo. Outra vez.
Está aí um universo que nunca me encantou: o das celebridades, principalmente, o daquelas que alcançaram tal patamar sem nenhuma contribuição à humanidade, sem algum feito notável, estão ali por um suposto direito de herança, ou que é muito comum hoje, enricaram surrupiando o erário público. E como essa gente se acha e como gosta de aparecer.
Viver de arte é um verdadeiro desafio que requer paixão e compreensão. Aqueles que se dedicam a essa jornada devem primeiro amar profundamente a arte, pois é esse amor que impulsiona a criação e os motiva a buscar expressão em suas obras.
Eles habitam o andar de baixo, enquanto eu, encontro meu refúgio aqui em cima, nesse lugar onde, às vezes, me pego sussurrando baixinho alguma coisa, na solidão de minha pequena montanha de alvenaria. Na maior parte do tempo, a impressão que eles me fornecem é a de viverem presos a um silêncio aterrador, e eu raramente escuto suas vozes elevarem-se, o que acontece apenas quando alguma querela irrompe de súbito entre eles, ou quando um invasor assoma por lá, vindo da rua. Verificam-se nesses momentos uma sucessão de rápidos alaridos, para os quais já percebi que as motivações mais frequentes são as constantes violações do espaço que, talvez um tanto vagamente, tenham sido já delimitadas entre eles.
O título que escolhemos para este texto é mais que intencional. Trata-se de uma frase de uma das mais belas músicas de Gilberto Gil: “Esotérico” , aliás, divina na interpretação do Grupo Os Doces Bárbaros, formado pelo Próprio Gil, por Bethânia, Gal e Caetano.
As Enéadas são a reunião de cinquenta e quatro tratados separados em seis capítulos, cada um deles composto por nove partes, número que justifica a sua denominação. Em grego, ennéa significa “nove”. São aulas proferidas pelo filósofo grego Plotino (204—270 d.C.), posteriormente editadas e compiladas por seu discípulo Porfírio (233—305 d.C.). Os tratados foram escritos durante o tempo que Plotino permaneceu em Roma,
Algumas singularidades interlaçam a vida e a obra de Shakespeare e Cervantes, num mesmo tecido de genialidade. Apesar das biografias tão distintas, William e Miguel estabeleceram um marco importante para a constituição do pensamento ocidental, a partir de seus trabalhos. Um pela via da dramaturgia e outro, pelo romance. E impressiona como matizes tão diversos compuseram um mesmo corolário revolto de ideias e pensamentos capazes de influenciar tantos séculos depois.
Depois de uma temporada de aprendizagem na incubadora do jornal O Norte, cheguei à redação de A União para, efetivamente, iniciar as atividades de repórter e desse jornal jamais me afastar.
Sempre fui um folião enrustido. Como tinha dificuldade de aderir à folia, a família e os amigos me consideravam anticarnavalesco – o que não é verdade. Brinco por dentro, com uma espécie de euforia espiritual. Pode parecer contraditório falar em espírito a propósito de uma festa que celebra a carne, mas a contradição é apenas aparente. O desejo é físico mas pode se sublimar, e nesse caso a alma se funde com o corpo. Freud que o diga.
O que faremos com um mundo devastado pós-pandemia, já que a Organização Mundial da Saúde decretou o fim da emergência sanitária da Covid-19. Vamos reconstruir ou renascer nossos sentimentos saudosos por tudo e todos que perdemos?
O que mais pesa é a decência na busca pelo respeito aos que sobreviveram e são o nosso presente, com frequente marca na construção do futuro,
Não me venham confundir o papagaio com o “Urubu Malandro” composto por Pixinguinha. O choro do mestre é obra prima. Pixinguinha, como sabem, faleceu, em estado de graça, ao participar de um batismo. O Brasil lamentou, chorou a perda do grande compositor e músico.