Gil Messias não é escritor. Escritor qualquer um pode se declarar, basta juntar alguns textos, enfeixar em um volume e pespegar a si pr...

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Gil Messias não é escritor. Escritor qualquer um pode se declarar, basta juntar alguns textos, enfeixar em um volume e pespegar a si próprio o que considera uma láurea. Gil Messias é mais, muito mais. Gil Messias é leitor. O escritor vem por acréscimo, vem do transbordamento da leitura que, por não poder ser represada, Gil, na sua generosidade, resolve compartilhar conosco, agradecidos leitores. É leitor voraz, atento, avisado, que reconhece a necessidade das releituras (“Nas releituras é que se descobrem as coisas”, Os escritores de Juscelino, p. 104), símbolo do amadurecimento, na percepção do escrito (“A primeira leitura, portanto, é a da criança, a releitura já é coisa de homem feito”, Caetano e Vandré: caminhos opostos, p. 345). E o leitor é proveniente da necessidade de saber e de conhecer (“sou um curioso de marca maior”,

A placa deitada no chão, sobre uma relva num canto, a poucos passos do cruzamento, deixou de alertar sobre o perigo que nos ronda. ...

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A placa deitada no chão, sobre uma relva num canto, a poucos passos do cruzamento, deixou de alertar sobre o perigo que nos ronda. É quase um aviso aos céus pela necessidade de parada. Parar para continuar. Assim é o mesmo aviso da saída de emergência quebrada junto à porta. Praticamente, ela informa que a saída se estreita, se reduz a uma opção, pois o auxílio já não cobre a emergência, perdeu a razão.

Era uma vez, num reino muito distante, um Rei que estava com seríssimos problemas de caixa, decidiu convocar os Estados Gerais (clero...

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Era uma vez, num reino muito distante, um Rei que estava com seríssimos problemas de caixa, decidiu convocar os Estados Gerais (clero, nobreza e povo) para encontrar meios de resolver a situação. Bondoso, concedeu ao povo, que representava 98% da população, o direito de ter mais deputados do que o clero e a nobreza. Com prudência, porém, o Parlament (o S.T.F. de lá) decidira que o voto seria tomado por Estado; ou seja, pouco importava o número maior de deputados porque ao final o clero teria um voto, a nobreza outro voto e o povo também teria um único voto.

Desta vez, não teve mais dúvida. O pequeno grupo de amigos mudava mesmo de assunto a cada ingresso seu no Pente de Ouro. À boca daquela...

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Desta vez, não teve mais dúvida. O pequeno grupo de amigos mudava mesmo de assunto a cada ingresso seu no Pente de Ouro. À boca daquela noite, o silêncio também se fizera por alguns segundos no ambiente onde punha os pés com frequência idêntica à dos camaradas. A pausa instantânea no bate-papo que ali se travava e, imediatamente, as perguntas lançadas a esmo sobre um tema qualquer denunciavam, claramente, o desvio da conversa. Vinha percebendo isso há coisa de dois meses com incômodo crescente. Falavam mesmo de si.

Para nossos poucos conhecimentos sobre técnica de composição e linguística, a arte de traduzir parece ser uma das atividades literárias...

Para nossos poucos conhecimentos sobre técnica de composição e linguística, a arte de traduzir parece ser uma das atividades literárias mais complexas. Escrever bem, já o é. Ainda que prazeroso, quando conta com a ajuda da inspiração — ferramenta capaz de fazer com que a imaginação e o conhecimento fluam à linguagem de forma tão pura e cristalina quanto a sinceridade de quem a escreve.

Basta a alusão. O prefeito não precisa apertar ainda mais seus olhos, escapulir das urgências, para entrar em forma com a meninada a...

Basta a alusão. O prefeito não precisa apertar ainda mais seus olhos, escapulir das urgências, para entrar em forma com a meninada azul e branco da escola mais próxima, como fazia o antigo antecessor Oliveira Lima no tentame de incluir a muda de cássia entre os oitizeiros anosos do paço municipal, na praça Rio Branco. O tentame valeu: oito ou dez anos depois, quando Oliveira Lima se exilou ou foi exilado da política, a cidade-jardim, assim chamada por d. Alice Monteiro em poema de 1922, na Era Nova, seria reconsagrada como “cidade das acácias.” Debalde Lauro Xavier tentava explicar que não era acácia, e sim cássias as que saíram brotando fácil e aos milhares das mãos ou dos dedos verdes do dr. Luiz.

“Ce chien est à moi”, disaient ces pauvres enfants. “C’est là ma place au soleil”, Voilà le commencement et l’image de l’usurpation de...

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“Ce chien est à moi”, disaient ces pauvres enfants. “C’est là ma place au soleil”, Voilà le commencement et l’image de l’usurpation de toute la terre – Blaise Pascal.  

Outro dia me encontrei numa praia de Pacífica recolhendo conchas, pedras miúdas, pedacinhos de corais. Enchia os bolsos, coletando fragmentos do mundo para pôr, secos e limpos, na janela que se abre para os verdes de um jardim que me acostumei a chamar de meu. E nada como o mar não cultivado para me pôr em estado de filosofia, descobrindo razões para pensar nas tolices despercebidas do meu cotidiano.

Quando setembro chegou, trouxe a esperança da Primavera. Uma Primavera solene com recados da natureza para recordar. Olho a rua...

Quando setembro chegou, trouxe a esperança da Primavera. Uma Primavera solene com recados da natureza para recordar.

Olho a rua e observo nuvens conduzindo expectativas de bons tempos, em muitas direções. Sou um sujeito esperançoso. Espero mudanças que chegam com vento a açoitar as copas das árvores, a entrar pelas frinchas das janelas, com seus recados. Recados que há muito tempo procuro decifrar.

“Deus nos dá pessoas e coisas, para aprendermos a alegria… Depois, retoma coisas e pessoas para ver se já somos capazes da alegria so...

“Deus nos dá pessoas e coisas, para aprendermos a alegria… Depois, retoma coisas e pessoas para ver se já somos capazes da alegria sozinhos… Essa… a alegria que ele quer” – Guimarães Rosa

Véspera da eleição, pós pandemia, afastamento social, país delirante que busca a loucura, o non sense como o caminho, a fartura de mentiras, aliás o controle quase absoluto delas, a tentativa desesperada e suja de compor e vincular como projeto pessoal e de poucos para seus exclusivos benefícios, bem relativos, que acasala política e religião.

21 de Setembro Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência A inclusão socioeducacional de crianças e jovens com deficiência se...

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21 de Setembro
Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência
A inclusão socioeducacional de crianças e jovens com deficiência se constitui numa das grandes problemáticas a ser enfrentada na sociedade atual. Ao longo da história da humanidade, pessoas com deficiência - notadamente no Brasil - sofreram com as práticas excludentes, tornando-se vítimas de discriminação, o que reflete uma prática corrente na sociedade e nos relacionamentos humanos, fruto da relação de poder e de subalternidade que envolve as classes e os grupos sociais. Apesar de terem sido publicados alguns trabalhos sobre a temática, ainda assim persiste a necessidade de estudos para dar conta da complexidade da mesma.

A psicologia funcionalista interessa-se em pesquisar como o cérebro humano funciona, também quando se trata na adaptação do organismo a...

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A psicologia funcionalista interessa-se em pesquisar como o cérebro humano funciona, também quando se trata na adaptação do organismo ao seu ambiente. Nesse sistema, os funcionalistas estudam a mente como um acúmulo de processos que levam a consequências práticas no mundo real. Um dos filósofos e psicólogos norte-americanos que massificava essa corrente psicológica era William James (1842-1910), que dissertava uma relação entre psicologia e religião. Esse tema está analisado em seu livro

O mundo em um “livrinho”   Adentro, com pés trocados, este novo livro de José Augusto Carvalho. Faço isto, ao molde dos indíg...

O mundo em um “livrinho”  

Adentro, com pés trocados, este novo livro de José Augusto Carvalho. Faço isto, ao molde dos indígenas da suposta “cipango”, que trocaram o sentido dos seus calçados, para confundir os portugueses que percorreram o Brasil em busca da prata andina, pelo o famoso caminho das antas (Peabirú). Mas, entrar em um livro de linguística com os “pés trocados”, é algo que cabe a um subversivo, a um poeta, algo sempre repisado pelo professor José Augusto Carvalho, em suas conversas com os poetas que o circundaram ao longo da vida.

Edeltrudes reaparece depois de um sumiço de meses. Para quem não sabe, esse é o nome que dei à minha lagartixa de estimação. Durante ...

Edeltrudes reaparece depois de um sumiço de meses. Para quem não sabe, esse é o nome que dei à minha lagartixa de estimação. Durante noites ela cruzou a parede do escritório e ficou me olhando com aquele ar ancestral próprio das lagartixas. Isso aconteceu tantas vezes, que se estabeleceu entre nós uma familiaridade silenciosa, feita de contemplação e mudo espanto.

O mais belo dos arcanjos mostrou o risco da valorização da beleza ao se tornar um ser que insistiu com a ideia do eu , em detrimento do...

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O mais belo dos arcanjos mostrou o risco da valorização da beleza ao se tornar um ser que insistiu com a ideia do eu, em detrimento do nós, desenvolvendo assim a vaidade pela primeira vez. O nome dele é Lúcifer. Ao se olhar no espelho, achou-se bonito e, como portador da Luz, sentiu-se mais bonito do que os outros. Percebendo-se individuado, quebrou o ritmo da criação, que havia sido concebida como nós.

Gosto sempre de lembrar das coisas positivas que vivi por onde passei. Na direção de A União (1981 – 1982), relembro uma atitude do edi...

Gosto sempre de lembrar das coisas positivas que vivi por onde passei. Na direção de A União (1981 – 1982), relembro uma atitude do editor Agnaldo Almeida que demonstra toda sua criatividade e competência profissional.

Políbio Alves não precisa de nenhum título acadêmico para ser quem é. Ele já possui o mais belo e importante dos títulos: ele é poeta, ...

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Políbio Alves não precisa de nenhum título acadêmico para ser quem é. Ele já possui o mais belo e importante dos títulos: ele é poeta, simplesmente poeta, e não necessita ser mais nada nesta vida – nem em outra que venha a haver. Poeta. E aqui não vou entrar em minúcias de crítico literário — que não sou. Não vou afirmar isso ou aquilo sobre sua poesia, sua obra poética, porque de qualquer modo ele é poeta — e isto basta. Pelo menos, para mim.