No segundo domingo do mês agosto celebramos o Dia dos Pais. Fiz muitos almoços para o meu querido pai, e para os pais dos meus dois filhos. Eram momentos de compartilhar alegrias do domingo com a família. Mas também sempre tive um olho bem aberto para pensar sobre a paternidade e os pais ao meu redor. Não gostava muito do que via. Sempre me inquietei com a exaustão e sobrecarga da minha mãe. Amava/amo meu pai, mas estava sempre atenta às minhas questões sobre a sua ausência, o seu silêncio, e o seu lugar de liberdade e distância do dia a dia de uma casa com quatro filhas. Era assim em todas as famílias.
Já se acostumara à sua vivenda entrançada em finos arames. Naquele exíguo cubículo por onde o mundo exterior entrava em bloquinhos vazados, a ave canora, princesa dentre todas, debicava o que lhe colocavam como alimento, e, durante o dia deixava que seu canto divino revoasse as redondezas. Os vizinhos gostavam do melífluo cantar do rouxinol.
De como os poetastros, camelôs de sua própria arte, com pompa e circunstância, outorgam para si o título de poetas
O que diabo é ser poeta? me pergunto todo dia...
Qualquer um assim se elege ou o elege a poesia?
Pelos versos que eu leio, quase sempre com senões,
cada vez mais admiro o poeta que é Camões!
Sempre que trato de precatórios lembro da anedota do português que caminhava por uma calçada e viu lá longe uma casca de banana. Ao invés de desviar o caminho, continuou em direção à queda inevitável, limitando-se a repetir: “- Ai meu Jesus Cristo, vou me estabacar!”.
No mundo da lua
Sei que tenho a chave
me distraio e a perco
fico que nem louca atrás dela
Sempre parece
que estou perdendo algo
Se estou aqui
Perco o que está lá
Creio que encontrei
a hora de perder a hora
Quando vamos envelhecendo é o tempo em que brotam determinadas idiossincrasias. uma delas é ficar lamentando a perda dos amigos. Amigos que a poeira do tempo tirou de nosso raio de visão, ou aqueles, que como dizia o velho Machado, estão estudando a geologia dos campos santos.
Nuvens pesadas pairavam sobre a vida e a sorte do Brasil em 1975, um ano depois de haver o general Ernesto Geisel assumido a Presidência da República com o anunciado desejo da transição do regime ditatorial para a democracia.
A abertura política “lenta, gradual e segura”, assim prescrita, iniciava-se num momento de profunda insatisfação popular. Findava-se a temporada do milagre econômico, a crise do petróleo abalava o mundo e ao Brasil faltavam os recursos para
Quantas vezes nos pegamos analisando uma pessoa simplesmente pela sua aparência? Quantas vezes já julgamos o livro pela capa, sem sequer abrir as páginas e explorar o seu conteúdo? Porém, é importante que nos lembremos de que o conteúdo pode ser tanto bom quanto ruim, e que somente ao conhecermos alguém verdadeiramente poderemos avaliar se vale a pena ou não investir nosso tempo e interesse nessa pessoa.
Enterrou seu filho, sua mãe e seu marido, entrou em casa e trancou a vida do lado de fora. Colocou o insulfilm mais escuro do mercado em suas janelas e fechou-as. O barulho das ondas, anunciando o incansável ciclo das marés, não penetrava aquele esquife, elas não podiam rivalizar com sua sede de passado. Na árvore genealógica de metal colocou as fotos de seus homens.
A partir dos 15 anos, de manhã e ao meio dia caminhava até o centro de Sorocaba, onde ficava a loja de eletrodomésticos Lauro Miguel & Cia, de que era datilógrafo.
Tudo começava com a descida - na ladeira em que ficava minha casa - até o riacho Supiriri, que eu margeava até a rua paralela à nossa, de onde começava a subir para a cidade.
Há uma entidade mística branca dos tempos anteriores pré-descobrimento, um ser em forma de homem que ensinou aos indígenas a agricultura. Ele andou pelos cariris e escapou às tentativas de ser morto pelas flechas dos indígenas, caminhou rumo ao oceano e andou sobre as águas até não ser mais visto. Existe uma terra guardiã no Semiárido, em cuja entrada há elevações guarnecidas de pedra. Dos segredos cantados por Zé Ramalho, da aparição de São Tomé da tradição católica colonial brasileira, a origem de uma terra, a morada de um povo.
Quase sempre começo a trabalhar na madrugada coberta com seu véu do amanhecer, para esperar o sol despontar por entre casas e edifícios que me consentem avistar o horizonte amarelado sobre o mar, mesmo sabendo distante. Tenho como hábito terminar cedo os afazeres do dia para observar o sol no entardecer, quando me é permitido olhar, mesmo que seja uma nesga ao longo da rua.
Cresci recebendo formações humanas que se revelaram muito importantes para mim, ao longo da vida. A minha mãe Nair exerceu (ou tentou) forte influencia cristã sobre mim. Católica, mais exatamente. Mas a formação que mais me influenciou foi aquilo que me foi transmitido pelo meu pai, Chico Espínola: ética e moral. Respeito pelo próximo e pela natureza.
Vou procurar ser o mais sincero possível. Quando a orla já estiver saturada e não oferecer mais bons negócios, a indústria da construção civil se voltará para o centro, área que já possui toda a infraestrutura passando na porta. Aí os escombros do que foi comprado bem barato serão removidos para novos empreendimentos.
O sofrimento humano, em geral, fortalece os valores morais relacionados ao bem comum, quando uma pessoa procura conhecer a si mesma para curar suas próprias feridas emocionais: depressão, irritabilidade, pensamentos obsessivos, dificuldade de concentração e outros. Auto-cuidado leva à compaixão. Esse comportamento evita impulsos autodestrutivos e também impede que outros se destruam em dificuldades trágicas. No atual século, a grande maioria das pessoas enfrenta de forma trágica o dilema entre a necessidade de se afirmar e o desejo de intervir no mundo, com o objetivo de se tornarem agentes de suas próprias ações e se sentirem verdadeiramente conectadas consigo mesmas. A própria existência neste mundo
Terminado o almoço ele se aproxima do pai, que está quase adormecendo no sofá.
– Pai!
– Hum.
– A gente pode conversar um pouco?
– Hum.
– “Hum” quer dizer que pode ou não?
– Pode. Mas fale logo, que eu quero tirar minha soneca.
– Tem coisas que eu gosto em você... no senhor, e tem outras que não gosto.
– Por exemplo...
– Gosto quando me leva pro cinema ou compra gibis pra mim. Não gosto quando me bota de castigo ou não me deixa jogar futebol com a turma.
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E sobretudo não gosto quando o senhor briga com a mamãe, como agora.
– Eu não brigo com ela. Ela é que briga comigo.
– Dá no mesmo. Fico triste de ver os dois discutindo pelos mesmos motivos. E quase sempre ela está com a razão.
– Você acha? Às vezes sua mãe exagera...
– Não é exagero. É cuidado. Ela pensa muito na casa, na família, em nós dois.
– E eu não penso?! Você é muito pequeno para entender isso. Agora me deixe dormir.
– Só se o senhor prometer que não briga mais com ela.
– Por que essa conversa agora?
– Porque domingo é seu dia, eu vou ter que lhe dar um presente e não quero fazer isso de má vontade.
– “Vai ter”?
– Não se preocupe. O presente já está comprado e vou lhe dar de qualquer maneira. Mas a gente precisava, antes, ter essa conversa. De homem para homem.
– De menino para homem, você quer dizer.
– Está vendo? O senhor não me respeita. “Menino”! O que tem demais ser menino?
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– Nada, contanto que não se meta em assuntos de adulto. Com o tempo você vai compreender que brigas de casal não são o fim do mundo. Acontecem em todo casamento. Isso não quer dizer que os dois não se gostem. Pergunte à sua mãe pra ver se não é verdade. Agora vá, que já está passando a hora do meu cochilo.
O menino se afasta e volta depois de alguns minutos.
– Pai...
– O que é agora?!
– Perguntei a ela. Brigas de casal acontecem, mesmo, em todo casamento.
– Eu não lhe disse?
– Mas não precisam durar tanto tempo. Por que não aproveita, que domingo é seu dia, e faz as pazes?
– Isso deve partir de sua mãe.
– Não acho. Esse tipo de decisão deve partir do pai, que é o chefe. Ele é quem toma a iniciativa.
– Está bem. Vou pensar.
Era uma promessa, mas o menino ficou aliviado. Sabia que ele não era de quebrar promessas. Tudo indicava que teria um ótimo Dia dos Pais.