Aos meus nove anos, por aí assim, aquilo me parecia uma ladeira enorme, assustadora, pois feita de água. Fosse por mim, de jeito nenhum...

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Aos meus nove anos, por aí assim, aquilo me parecia uma ladeira enorme, assustadora, pois feita de água. Fosse por mim, de jeito nenhum eu desceria daquele ônibus. A coisa começava ao nível do chão e subia até tocar no céu, fundindo ambas as cores e seus limites. Não fosse por algumas nuvens, eu não mais saberia onde, lá no fundo daquela paisagem sem fim, começava um e terminava o outro.

A felicidade é um estado de espírito que muitas vezes pensamos estar distante de nós. Buscamos em lugares longínquos, em conquistas ma...

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A felicidade é um estado de espírito que muitas vezes pensamos estar distante de nós. Buscamos em lugares longínquos, em conquistas materiais ou em relacionamentos externos, achando que a felicidade está lá fora, longe de nós. Porém, a verdade é que a felicidade não mora longe,

O The New York Times chamou de “milagre” o fato de todos os 367 passageiros e os 12 membros da tripulação da Japan Airlines terem escap...

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O The New York Times chamou de “milagre” o fato de todos os 367 passageiros e os 12 membros da tripulação da Japan Airlines terem escapado do avião em chamas. Eu chamo de treinamento perfeito, excelente engenharia e passageiros capazes de seguir instruções e manter a calma em situações de extremo stress. Retirar quase 400 pessoas de um avião em chamas é um grande feito, que remete diretamente à proverbial disciplina japonesa.

Quem diria... Até há pouco tempo comemorávamos o Natal e o Ano Novo, com muita festa, muito barulho, muita comida, muita bebida. Pouco ...

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Quem diria... Até há pouco tempo comemorávamos o Natal e o Ano Novo, com muita festa, muito barulho, muita comida, muita bebida. Pouco mais virá o “Folia de Rua” e o Carnaval... Decididamente o homem é um animal festivo por excelência. E não falta motivo para festas. Seja para comemorar um nascimento, um casamento, uma formatura, as bodas de prata, de ouro, de diamante. Festa... Ah, quantas festas!

Havia o cabide e nele, quais morcegos, as roupas esfarrapadas dependuradas. O relógio marcava o embranquecer da vida em cabeleiras mal...

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Havia o cabide e nele, quais morcegos, as roupas esfarrapadas dependuradas. O relógio marcava o embranquecer da vida em cabeleiras mal penteadas do casal que perambulava, sem ter o que fazer, pelos recantos da moradia pobre. Casaram-se todos os moleques que tiveram, levaram suas vidas para terras distantes, deixando uma vacuidade. Somente um rádio de pilhas tocava: cantigas de viola, nas tardes que se iam amolecendo até tudo puxar uma escuridão que estendia seu corpo pelo pequeno sítio onde habitavam.

O conselho de Nathanael Alves era de que devemos fazer a leitura do livro, para depois retornar ao prefácio, ao texto de apre...

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O conselho de Nathanael Alves era de que devemos fazer a leitura do livro, para depois retornar ao prefácio, ao texto de apresentação. Assim procedo, há mais de quatro décadas, seguindo, à risca, essa recomendação.

O livro A Arte de Amar foi escrito em 1956 por Erich Fromm (1900–1980), psicanalista, filósofo e sociólogo alemão. A obra aborda o a...

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O livro A Arte de Amar foi escrito em 1956 por Erich Fromm (1900–1980), psicanalista, filósofo e sociólogo alemão. A obra aborda o amor como uma forma de arte. Nele, o autor argumenta que o amor requer prática e concentração contínuas, além de maturidade, desenvolvimento pessoal, capacidade de amar o próximo, humildade, coragem, fé e disciplina. O pensador afirma, no terceiro capítulo:

O Espiritismo, particularmente, tem uma presença muito forte na nossa vida, na nossa família. Desde meu avô, que presidiu a Federação...

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O Espiritismo, particularmente, tem uma presença muito forte na nossa vida, na nossa família. Desde meu avô, que presidiu a Federação Espírita Paraíba por 44 anos consecutivos (uma vida!), e depois com meu pai, que se tornou espírita muito cedo.

Eis que, kardecista convicto, apaixona-se por uma garota católica, filha de uma recatada viúva, apostólica romana, típica devota que vai à missa e comunga todas as manhãs a hóstia consagrada.

A cidade, vamos chamá-la pela fictícia denominação de Nazaré do Espírito Santo e que ficaria nessas brenhas de mundo esquecidas de Deus....

politicagem cidade interior
A cidade, vamos chamá-la pela fictícia denominação de Nazaré do Espírito Santo e que ficaria nessas brenhas de mundo esquecidas de Deus. Umas cinco mil almas, não mais que isso, viviam naquele grotão, um vale entre algumas elevações montanhosas com Igrejas, a Católica e a Universal, uma escola de Ensino Fundamental, um posto de polícia e nada mais relevante para aqui se registrar.

As grandes datas têm sobretudo um valor simbólico. É o caso do Ano-Novo, que em essência não muda nada mas nos dá a impres...

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As grandes datas têm sobretudo um valor simbólico. É o caso do Ano-Novo, que em essência não muda nada mas nos dá a impressão de que alguma coisa recomeça.

Todo ano a mais é um sinal de envelhecimento, mas insistimos em pensar que um novo tempo nasce à medida que outro morre. Em vez de sucessão, renovação. Na ingênua alegoria do nosso desejo, o Ano-Novo aparece como um bebê rechonchudo e risonho que vem substituir um velhinho magro e decrépito.

O precursor da carta dos direitos humanos foi o Cilindro de Ciro, uma peça rara cunhada em forma de barril e argila cozida, descoberta ...

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O precursor da carta dos direitos humanos foi o Cilindro de Ciro, uma peça rara cunhada em forma de barril e argila cozida, descoberta nas ruínas da Babilônia (Mesopotâmia), em 1879. O objeto, criado em vários estágios, mede 22,5 centímetros por 10 cm, no seu diâmetro máximo. Data do século VI a.C. (539 a.C.) e o texto talhado sua estrutura elogia Ciro, o Grande, listando sua genealogia como um rei de uma linhagem de reis. Nele, é declarada a liberdade de religião e a abolição da escravatura. Todavia, o Museu Britânico e alguns estudiosos rejeitem essa interpretação de protagonismo sobre as normas que reconhecem a dignidade humana.

▪ Mabruk : palavra de origem árabe que significa “Felicidade”, “Próspero”, “Que comece abençoado”. Expressa o caráter de bênção daquel...

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Mabruk: palavra de origem árabe que significa “Felicidade”, “Próspero”, “Que comece abençoado”. Expressa o caráter de bênção daquele dom pelo qual felicitamos alguém.
Mazal: termo usado no misticismo judaico para descrever a raiz da alma.

Vendo, com Alcione, da janela do nosso quarto, aqui em Coimbra, as brumas do Ano Novo, lembrei-me de que publiquei neste Ambiente de L...

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Vendo, com Alcione, da janela do nosso quarto, aqui em Coimbra, as brumas do Ano Novo, lembrei-me de que publiquei neste Ambiente de Leitura Carlos Romero, um texto intitulado As brumas de dezembro, em que eu me reportava à passagem do que se convencionou chamar “Ano Novo”. Em rápidas palavras, o ano, no primeiro calendário do mundo ocidental, atribuído tradicionalmente a Rômulo, o mítico primeiro rei de Roma, começava em março, acompanhando o ritmo das estações. Como Roma se situa no hemisfério norte, entre os dias 20-22 de março, sob o influxo da Constelação de Peixes, ocorre o início da primavera, a primeira das estações, com o fenômeno conhecido por Equinócio de Primavera.

Janeiro é o primeiro mês do ano, mês de expectativas positivas, planos, projetos, mas que, ainda assim, traz o gosto das experiências...

jano janeiro mitologia
Janeiro é o primeiro mês do ano, mês de expectativas positivas, planos, projetos, mas que, ainda assim, traz o gosto das experiências e sensações legadas pelo ano findo.

A origem do nome janeiro está no deus latino Jano. Numa Pompílio, no século VI a.C., incorporou o mês de janeiro ao calendário,

MEU PRIMEIRO ALUMBRAMENTO COM OS SEGREDOS DA ARTE Eu tinha 15, 16 anos, trabalhava de dia e fazia um curso um tanto ingênuo de pint...

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MEU PRIMEIRO ALUMBRAMENTO COM OS SEGREDOS DA ARTE

Eu tinha 15, 16 anos, trabalhava de dia e fazia um curso um tanto ingênuo de pintura à noite. Foi quando meu pai me deu o Primeiro Encontro com a Arte, da Melhoramentos, obra do alemão-baiano Karl-Heinz Hansen. Aconteceu que nesse livro dei - entre tantas obras-primas espalhadas pela Europa -
com o então divulgado como o Autorretrato do artista com a barba nascente, de Rembrandt, no MASP, o que me fez passar a insistir para que alguém me levasse ao Museu de Arte de São Paulo que, na época, ficava na 7 de abril (Somente iria para a Av. Paulista em 68). Aquele filho-de-deus-na-Terra estava a hora e meia de ônibus de mim! Quem me levou foi minha irmã Wilma (que perdemos em 2019, aos 87 anos). Inesquecível, isso, porque - ao cruzarmos a rua para chegarmos ao museu -, ela teve um belo flerte com Hélio Souto (1929-2001), então galã famoso do cinema brasileiro. Anos depois, a autoria do quadro foi desautorizada por experts holandeses. Mas tudo bem. Conheci o MASP. Tive outro ganho igualmente notável, que ainda subsiste: o texto, nesse livro, que há sob a foto do Les Glaneuses (As Respigadoras), de Millet:

- Os braços das duas mulheres mostram em seu trabalho uma tendência para baixo, dão ao quadro um peso para a esquerda. Para compensar, Millet utilizou-se do cavaleiro no alto, à direita.
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"As Respigadoras" Jean-François Millet, 1857 ▪ Museu d'Orsay (Paris)
O CENÁRIO D'A VERDADEIRA ESTÓRIA DE JESUS era composto de duas torres e uma mesa, tudo feito com canos de ferro galvanizados. As torres consistiam em quatro tubos verticais cada uma, sustentando dois pisos e uma escadinha, também de ferro. Quando o diálogo dos quatro evangelistas anunciava que se ia rememorar a travessia do Mar Vermelho, havia um blecaute e, no reacender dos refletores, a cena... passava a ser vista,
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WJ Solha
pela plateia, ... de cima, Dema e Tião já na horizontal, como se os dois canos laterais das duas torres fossem balaustradas de um par de pieres. Aí o Jorge (de repente Moisés), também na horizontal, suspenso um pouco acima da mesa, via Dema alarmando que o exército egípcio se aproximava e que eles estavam encurralados pelo Mar Vermelho (a cortina do teatro, vermelha, "abaixo" deles). Aí um tubo de luz surgia da entrada da plateia sobre o grupo, que ouvia - olhando "para cima", na verdade por cima do público, para a fonte do clarão - minha voz ampliada, dizendo as palavras de Jeová: Moisés, estende o teu cajado sobre o mar... e fende-o! Jorge fazia isso, ... as cortinas do Teatro Santa Roza se abriam ao som da música imponente,... e a plateia ... delirava. Acho que foi a criação mais aplaudida de meu teatro.


MAS ACHO QUE O MAIOR "MILAGRE" que vi, em arte, como Suspension of Disbelief (Suspensão da Incredulidade ou "suspensão do julgamento sobre a implausibilidade, numa realidade secundária") foi a que me deixou pasmo no Louvre: a magnífica Vitória de Samotrácia, em que o autor desconhecido, há vinte e dois séculos, fez, na pedra, um belo corpo de mulher vestido em "transparente" tecido... de pedra!

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Vitória de Samotrácia (Museu do Louvre) Marie-Lan Nguyen

Excertos do livro "Autob/i/ografia", disponível impresso na Arribaçã e em formato Kindle na Amazon  

O leitor já ouviu falar nesse tal questionário Proust? Não tem problema se não. Ele é um conjunto de perguntas de autoconhecimento torn...

O leitor já ouviu falar nesse tal questionário Proust? Não tem problema se não. Ele é um conjunto de perguntas de autoconhecimento tornado comum em fins do século XIX e era algo assim como os diários, cultivados por moços e moças, principalmente por estas, sempre sonhadoras. O célebre escritor francês Marcel Proust (1871-1922) respondeu-o quando tinha 18 anos,