8.7.26
Não pense o estimado leitor e a querida leitora que ocupo espaço deste abalizado blog para maledicências. Nada disso. Para mim, a vi...
Não pense o estimado leitor e a querida leitora que ocupo espaço deste abalizado blog para maledicências. Nada disso. Para mim, a vida de cada um é a vida de cada um; já ouvi isso sei lá onde. Ninguém tem que se meter, nem ficar de leva e traz com o que não é da sua conta. Mas tem coisa que não dá para ficar guardada no baú de nossos segredos. É o caso que vou contar aqui. Nem seria justo esconder de quem me prestigia com sua leitura uma pantomima dessa qualidade.
8.7.26
8.7.26
A identidade se refere à parte do nosso ser responsável pelo entendimento de quem somos, de modo a nos diferenciarmos e nos constituir...
A identidade se refere à parte do nosso ser responsável pelo entendimento de quem somos, de modo a nos diferenciarmos e nos constituirmos como sujeitos. Porém, isso ocorre quando passamos a analisar o outro de forma a validar ou invalidar aspectos alheios.
8.7.26
7.7.26
Sou do tempo da Copa de 70. Uma Copa inesquecível. Vi Pelé, Tostão, Jairzinho, depois Cafu, Raí, Carlos Alberto, Toninho Cerezo, Pa...
Sou do tempo da Copa de 70. Uma Copa inesquecível. Vi Pelé, Tostão, Jairzinho, depois Cafu, Raí, Carlos Alberto, Toninho Cerezo, Paulo César, Rivellino e tantos, tantos outros. No início, via por farra; depois, com filhos pequenos. Madrugadas acordando para assistir à Copa na Coreia, ou do outro lado do mundo. Mas a de que mais gostei foi a da França, mesmo perdendo, por conta dos programas televisivos de making of, bastidores e reportagens sobre queijos e vinhos. Aí já não era mais futebol.
7.7.26
7.7.26
O pensador Tarcísio Burity escreveu uma frase lapidar em um catálogo editado em sua gestão como governador: “Não acredito em democ...
O pensador Tarcísio Burity escreveu uma frase lapidar em um catálogo editado em sua gestão como governador: “Não acredito em democracia sem imprensa livre”.
7.7.26
7.7.26
Um dos efeitos da Copa é fazer com que pessoas que nunca foram a um campo de futebol, e acham que “pe...
Um dos efeitos da Copa é fazer com que pessoas que nunca foram a um campo de futebol, e acham que “pelada” é sinônimo de mulher nua, se tornem de repente fervorosas adeptas desse esporte. Sobre isso tenho uma história interessante, que me foi contada por um parente de um dos protagonistas. Troquei os nomes para evitar processo. Vamos lá.
7.7.26
6.7.26
O café fita o teto , desatando sua última fumaça, enquanto observo a pressa do mundo pela janela. Lá fora, os passos correm com a aud...
O café fita o teto, desatando sua última fumaça, enquanto observo a pressa do mundo pela janela. Lá fora, os passos correm com a audácia de quem se julga eterno. Há um sussurro urgente que abafamos todas as manhãs para conseguir abrir os olhos: a certeza de que somos efêmeros. Nascemos com o crepúsculo já desenhado nas pálpebras.
6.7.26
6.7.26
Se eu te disser que as respostas para a sua ansiedade de domingo à noite, para o algoritmo que dita o seu humor e para essa sensação es...
Se eu te disser que as respostas para a sua ansiedade de domingo à noite, para o algoritmo que dita o seu humor e para essa sensação estranha de que estamos todos correndo numa esteira que não sai do lugar foram escritas em 1548... você acreditaria?
6.7.26
6.7.26
Há adegas que guardam safras. Outras guardam épocas. A que reapareceu em Tbilisi, na Geórgia, guarda algo mais incômodo: a sobreposiçã...
Há adegas que guardam safras. Outras guardam épocas. A que reapareceu em Tbilisi, na Geórgia, guarda algo mais incômodo: a sobreposição entre cultura, poder e memória. Ao abrir ao mundo a coleção de cerca de 40 mil garrafas associadas a Josef Stalin, o governo georgiano não revelou apenas um tesouro enológico. Revelou um arquivo líquido da história europeia.
6.7.26
6.7.26
A frase acima foi dita pelo ator brasileiro Wilson Grey (1923-1993). Os mais antigos certamente lembram-se dele: magro, bigode fino, f...
A frase acima foi dita pelo ator brasileiro Wilson Grey (1923-1993). Os mais antigos certamente lembram-se dele: magro, bigode fino, fartos cabelos pretos de brilhantina, ar de malandro e vilão. Foi sempre coadjuvante, jamais galã, o que explica nunca ter beijado a mocinha no final da fita. Essa figura e essa frase encerram a tragédia de muitos, constituindo-se mesmo num destino ou, mais propriamente, numa sina.
6.7.26
5.7.26
Os sufis contam uma história que vale mais do que muitos tratados de psicologia.
Os sufis contam uma história que vale mais do que muitos tratados de psicologia.
5.7.26
5.7.26
A vida força a passagem pelo interstício da parede arruinada. É uma castanhola, três folhas largas, espalmadas, rebentando verdes da c...
A vida força a passagem pelo interstício da parede arruinada. É uma castanhola, três folhas largas, espalmadas, rebentando verdes da caliça de 1890 ou 1900.
5.7.26
4.7.26
Lá naquela cozinha cheia de friagem da montanha mais alta do brejo, a antiga Vila Rica do Brejo de Areia, hoje simplesmente Areia, lá ...
Lá naquela cozinha cheia de friagem da montanha mais alta do brejo, a antiga Vila Rica do Brejo de Areia, hoje simplesmente Areia, lá naquela cozinha inundada de sacos de milho verde, lá naquela cozinha povoada de aromas do campo, ela se concentrava num moinho ajustado a uma mesa de madeira bruta, o qual engolia o milho verdinho e vomitava bagaços amarelos.
4.7.26
4.7.26
O romance Carolino, de Efigênio Moura, é uma das obras mais maduras da recente literatura sertaneja produzida na Paraíba. O livro não ...
O romance Carolino, de Efigênio Moura, é uma das obras mais maduras da recente literatura sertaneja produzida na Paraíba. O livro não apenas revisita o universo do vaqueiro nordestino, mas o transforma em território mítico, onde memória, perda, religiosidade e assombração convivem com absoluta naturalidade. A narrativa se insere na tradição do realismo fantástico sertanejo, aproximando-se da oralidade popular e da dimensão simbólica do sertão como espaço espiritual e existencial.
4.7.26
4.7.26
Ao querido amigo Alexei Bueno (in memoriam) A notícia me pegou desprevenido. À mesa, às seis e meia, no início do café da manhã do...
Ao querido amigo Alexei Bueno
(in memoriam)
A notícia me pegou desprevenido. À mesa, às seis e meia, no início do café da manhã do sábado. O poeta Alexei Bueno morreu, em sua casa, no Rio de Janeiro. Não podia ser. Não era possível. Na segunda-feira, dia 22 de junho, encontrava-me em Solânea, quando recebi uma notificação da portaria de meu prédio, com a foto de uma correspondência, sem identificar o conteúdo ou o remetente. Ao retornar a João Pessoa, na quarta-feira, 24 de junho, vi que se tratava de um livro de Alexei Bueno. Jamais poderia desconfiar que seria o último que o poeta publicaria em vida, O poste: auto sacramental em dois atos, pela Editora Anadiômene, que desde 2024 publicava os seus livros (desconfio existir muita coisa a ser publicada no seu acervo...). Não deu tempo sequer de agradecer ao amigo querido. Como pensar que ele se iria, assim, tão de repente? Mal havia me recuperado da leitura impactante de seu último livro de poesia, A chave quebrada (2026). Ainda ecoavam na minha memória os versos de fluxo inestancável de O irrefreável (2025), poema em forma de um quase fracassado diálogo com um rio de sua memória, afinal “o fluir é para nós uma porta que se fecha”.
4.7.26
3.7.26
Os do meu tempo lembrarão de uma época em que saíamos tarde da noite para fazer serenatas em frente às casas das namoradas. O normal er...
Os do meu tempo lembrarão de uma época em que saíamos tarde da noite para fazer serenatas em frente às casas das namoradas. O normal era levar alguém que soubesse tocar violão, e quem podia mais ousava levar os gêmeos que tocavam violino ou até mesmo um piano na carroceria de uma caminhonete. Tudo isso eu presenciei, e aquele tempo não voltará por muitas razões. Uma delas seria fazer uma serenata para o amor que mora no oitavo andar de um prédio. Os vizinhos imediatamente chamariam os órgãos públicos para acabar com o “barulho”. Na verdade, o romantismo toca outros ritmos hoje em dia. Mas não é nada disso que eu queria contar; porém, a preguiça não me deixa apagar esse introito.
3.7.26
3.7.26
Eu fui ao lugar onde a terra sobe e o céu desce para se encontrar num abraço cujo silêncio é repartido pelos ventos em espiral de sop...
Eu fui ao lugar onde a terra sobe e o céu desce para se encontrar num abraço cujo silêncio é repartido pelos ventos em espiral de sopros de vida. Onde é verde, cinza e frio... cheio de curvas e retas desiguais. Lá escutava o grito sem palavras dos seres de todos os tipos. Almas leves flutuantes e sobressaltadas distantes. Sussurros de canções de ninar chegavam suavemente pelas janelas.
3.7.26