Outro dia, vi o anúncio de um lindo prédio. Sim, digo lindo porque estava todo iluminado com fachadas imponentes que impressionavam. As janelas de esquadrias de alumínio galvanizado, com vidros por toda parte, pareciam blocos de gelo.
O jardim era ornamentado com cactos e seixos brancos. Tudo muito clean, minimalista, para dar a sensação de amplitude ao espaço. Os apartamentos mais altos eram os mais caros, porque estavam mais próximos do céu. Lembravam gaiolas aéreas.
No hall de entrada, os elevadores pareciam naves espaciais. Não vou mais contar porque já estou me sentindo mal, só de pensar nas alturas.
Fui para o nosso pequeno jardim respirar um pouco de ar puro, com cheiro de terra molhada. Conversei com as flores, às quais agradeço todas as manhãs. Tirei as sandálias e, com os pés na grama, abracei o Flamboyant que plantamos juntos, Carlos e eu. A grande árvore estava toda vestida de vermelho, contrastando com as boas-noites brancas que floresciam por entre a grama. Tudo de graça para nos presentear.
Que maravilha da natureza! Não precisei de elevadores para subir tão alto e desfrutar este céu tão lindo e imenso que estava dentro de mim. Olhei para cima e agradeci a Deus.
Nesse exato momento, ouvi a voz de Carlos: "Lauinha, meu anjo, vamos entrar. Lá dentro também temos o nosso paraíso".
Entramos. Carlos, em seu gabinete, começou a digitar aquela crônica. E eu, em nosso quarto, apanhei meu violino e toquei aquela música!
As palavras, como as pessoas, nascem e morrem. A diferença entre elas e nós é que podem ressuscitar. Um dia, quando menos esperamos, deparamo-nos com um arcaísmo que nos faz voltar à infância (esse “deparamo-nos”, com o pronome enclítico, não seria um?).
Quem ama os livros não se separa deles mesmo nas situações mais inusitadas da vida. Essa certeza eu tive quando comecei a acompanhar uma senhora, moradora de rua, elegante, com roupas de uma outra época e de um outro lugar. Ela parecia um personagem de romance que transitava pelas quadras e super quadras de Brasília. Enigmática, chamava atenção daqueles mais atentos à paisagem e ao que dela fazem parte.
Mesmo morando na rua, nunca estava deselegante. Magra, esbelta, saia longa de cintura alta, larga, com botas e cabelo longo encaracolado, o louro já indo embora para dar lugar ao grisalho, carregava uma maleta de couro pequena parecendo Mary Poppins, (filme da minha infância, um dos clássicos com Julie Andrews)
Nestes tempos em que se viaja tanto e tão facilmente, às vezes alguém pergunta se conheço esta ou aquela cidade. Em muitos casos, sei que o que o outro pretende é apenas uma oportunidade de citar a lista completa dos cento e trinta e sete países que afirma ter conhecido até o momento, já que sua meta, se Deus permitir, é conhecer todo o planeta, das ilhas Malvinas ao interior da Finlândia. Bom proveito, é o que eu digo. Aliás, boa viagem.
Mais um episódio da ALCR-TV entra no ar com atualidades do mundo cultural, participação dos autores, leitores e telespectadores do Ambiente de Leitura Carlos Romero.
Nesta pauta, comentários sobre publicações de Gonzaga Rodrigues, Sérgio de Castro Pinto e a poesia de Aline Cardoso. Não deixem de assistir até o final.
Gonçalo Mendes Ramires é o fidalgo da Torre de Santa Ireneia, uma fidalguia que remonta a um período anterior ao reino e, portanto, anterior a Portugal. Falido no presente, Gonçalo vive do passado heroico dessa nobreza, que ele tenta reconstruir através de uma novela medieval, cujo único intento é, por intermédio da fama conseguida nas Letras, chegar à política, ser deputado. Eis aí, de modo muito sintético, o assunto desta obra-prima da língua portuguesa, A ilustre casa de Ramires (1900), de Eça de Queirós.
As rosas nos encantam por sua beleza e por seu perfume. Esquecemos que nelas existem espinhos. Ficamos, inclusive, sem entender o porque deles existirem. O contraste do prazer e da dor. Enquanto oferecem a suavidade e o aroma que a todos nos enchem de alegria, apresentam também o risco de nos ferirmos com seus espinhos. Deus, na sua infinita sabedoria, deve ter criado a rosa com espinhos para nos advertir de que nem sempre tudo que é encantador, deva ser visto sem a percepção das suas fragilidades, dos defeitos, das imperfeições.
Um dos maiores problemas que assola a realidade contemporânea é associar a felicidade com eterno clima de boate. Num contexto matrizado pela desenfreada busca pelo sucesso, seja a qual preço for, acentua-se um cotidiano marcado pela frustração advinda da transitoriedade de frágeis relacionamentos e dificuldades em conviver com as adversidades da vida.
Súbita e casualmente cogitada, correu num rastilho, como se aguardada há tempos, a candidatura de Ângela Bezerra de Castro para concorrer à presidência da Academia de Letras, na próxima segunda-feira, 14, 79º aniversário da entidade.
A cidade de Valência, na Espanha, era atravessada pelo rio Turia, que transbordou e causou uma inundação histórica nos idos dos anos 50. Após o desastre, o rio foi desviado e o seu leito transformado em um grande parque. Em suas águas, portanto, ninguém pode mais se banhar duas vezes. Porém, nas trilhas que ele deu origem é possível andar, a pé ou de bike, em estado de correria ou de contemplação. Escolhi a segunda opção.
Foi assistindo a uma palestra do Raul Marinuzzi que acreditei, mais uma vez, em certas mudanças futuras que darão estratégias de polimento ao comportamento humano, quando ligado a grandes negócios.
A política rotulada historicamente como de “esquerda” se fortaleceu desde a célebre reunião da Assembleia Nacional Constituinte francesa, na Revolução de 1789, sob nobres e irrefutáveis princípios ideológicos e humanísticos.
Entre os paraibanos que integram o seleto grupo de referências no Novo Dicionário da Língua Portuguesa de Aurélio Buarque de Holanda, está o escritor e teatrólogo José Bezerra que, com o romance “Fogo”, teve seu nome gravado para na história da literatura brasileira.