Após a morte do meu marido, descobri que me faltava vocação para sobreviver. Descobri que não existiam pomadas, remédios, injeções, poções mágicas, nada para diminuir ou minorar o que desencadeou a grande ferida. Inconscientemente, resolvi que, por estar envolvida neste redemoinho tão forte e inexplicável,
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Chegou o momento que percebi que deveria emergir de um grande, opressivo e profundo mergulho. Durante um longo tempo, estive submersa ...
É possível viver sem respirar?
Após a morte do meu marido, descobri que me faltava vocação para sobreviver. Descobri que não existiam pomadas, remédios, injeções, poções mágicas, nada para diminuir ou minorar o que desencadeou a grande ferida. Inconscientemente, resolvi que, por estar envolvida neste redemoinho tão forte e inexplicável,
"Tudo que é sólido desmancha no ar” é uma frase famosa extraída do Manifesto Comunista de Marx e Engels. E é também o título d...
Eles desmancharam no ar
Ah! Como é maravilhoso sonhar! Os sonhos, às vezes, dão certo e acabam virando realidade, ou quase. Em 2006, em companhia do saudoso pr...
'Dona Inês e a noiva perdida do Graal'
Chegou com algumas ferramentas. Em roupas desgastadas, se aproximou de um canteiro da praça: iniciou a labuta. As flores sorridentes pe...
O jardineiro
Para Hildeberto Barbosa Filho De palavra em palavra sai brotando o poema. No negro maior que foi Cruz e Souza basta, absoluta, a pala...
De que é feita a poesia?
Nós estamos condenados a sermos plurais. Mais que isso: estamos condenados à convivência com o diverso. Trata-se de um imperativo da na...
O binarismo, intolerância e a era do emburrecimento
Certa vez, tudo por aqui virou um inferno. Um bendito inferno, cheio de poesia, imaginem só! Melhor ainda, um inferno sem calor. Pelo ...
Ungidos pela Comédia
Quando andava às voltas com a Comédia de Dante Alighieri, a boadrasta Alaurinda nos lembrou de que a cova mais profunda dos quintos do inferno dantesco é tão fria que até as lágrimas congelam, antes de escorrerem sua dor pelas faces do tormento.
Meu brinquedo favorito na infância era o playmobil. Envelheci e ele sumiu da minha vista por muito tempo. No Brasil, não era comum...
Playmobil
Envelheci e ele sumiu da minha vista por muito tempo. No Brasil, não era comum vê-lo mais em propagandas, nem exposto em prateleiras. Foi durante um passeio numa loja de departamentos na Europa que o reencontrei. A surpresa foi tão boa que comprei um exemplar. Era um astronauta que vinha num saquinho. A minha impressão foi que o boneco tinha sido reduzido de tamanho, por alguma mudança no mercado, economia de matéria-prima ou preferência do público infantil. Descobri, depois, que o playmobil sempre teve os mesmos 7,5 centímetros.
Rotina Convivia-se com a conformidade de ter o universo próximo de casa. O espaço delimitado pelo absurdo traço da co...
No curtume das horas ou nas contas do terço
Convivia-se com a conformidade de ter o universo próximo de casa. O espaço delimitado pelo absurdo traço da conveniência era marcado pelas solas dos sapatos. (e trazia a fotografia do mijo fora da privada) Para o gozo o número era par. Pouco importava a singularidade da morte.
“Eu lhes proponho etimologias contendo a mesma letra x — as palavras latinas anxius, ansioso, e anxia, ansiedade — em lugar de benzod...
Aventura etimológica
Dia desses, li um texto maravilhoso, riquíssimo em detalhes e emoções, em que a autora falava sobre uma xícara de estimação que perten...
A louça branca de porcelana
Em meio a tantas dificuldades para minha família se alimentar, além de vestir e manter sete filhos pequenos, causava-me estranheza a existência daquela louça branca de porcelana, delicada e fina, guardada a sete chaves, num velho móvel tipo Luiz XV.
Meu colega escritor René Descartes ensinava, em seu "Discurso do método", que o bom senso deve ser a coisa mais bem distribuí...
O limite do suficiente
A vegetação de Caatinga com pontos verdes de algumas chuvas esparsas, as plantas belas e igualmente hostis com seus inúmeros espinhos...
Trilhar e banhar-se no Paraíba
Havia duas ou três de linho branco com bordados manuais e espaçozinhos vazados a ponto de permitirem a visão do tampo da mesa em seu me...
A toalha xadrez
CONFESSO, NÃO SEI REZAR Confesso, não sei rezar, Mas, preciso agradecer; Coração esplandecer, Sentimento desnudar. ...
A leveza que há em mim
Confesso, não sei rezar, Mas, preciso agradecer; Coração esplandecer, Sentimento desnudar. Nestes versos transbordar, A leveza que há em mim, Pela dor que teve um fim, E me trouxe avivamento, Eis meu agradecimento, Pelo amor que veio, enfim.
Quando Carlos Drummond de Andrade se despediu do Jornal do Brasil, em 1984, em que publicava crônicas desde 1969, pegou seus leitore...
Fique sempre, Gonzaga!
Quase quatro décadas depois, mesmo que não seja uma despedida definitiva, mas uma limitação de publicações de suas crônicas, Gonzaga Rodrigues surpreendeu seus leitores dizendo que somente passaria a escrever aos domingos.

































