Cedo acordei para a vida, vida de camponês que conviveu na brisa em período chuvoso e com as intemperes do verão. No tempo de adolescente,...

Cedo acordei para a vida, vida de camponês que conviveu na brisa em período chuvoso e com as intemperes do verão. No tempo de adolescente, quando as tormentas me consumiam em fogo brando, sem saber, construía espaços espirituais onde repousaria minha cabeça depois de recostado às paredes que me agasalharam. Os caminhos foram longos, tiveram pedras e espinhos, a todos transpus sem perceber. Demorei chegar, mas cheguei conduzido pelos ventos da esperança.

"O homem é um egoísmo mitigado por uma indolência" (Fernando Pessoa) Uma poeira fina levantada pelo vento, retirava a perfeit...

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"O homem é um egoísmo mitigado por uma indolência"
(Fernando Pessoa)

Uma poeira fina levantada pelo vento, retirava a perfeita visibilidade do caminho. No auge do verão e no calor do meio dia, o ar condicionado do automóvel parecia um privilégio. A atenção que poderia ser definida como a direção da consciência sobre um objeto, nesse momento, era dispersa, vagava indistintamente sobre imagens, estímulos e sons, sem que se detivesse em nada especial. Mas, o ritmo da distração, de repente, sofreu uma mudança... um engarrafamento quilométrico se estendia à frente, formando um colar sequencial de pontos cinza, preto e branco, cores comuns aos carros atuais. Uma breve irritação pelo imprevisto buscou a agenda, anotou atividades para o final de semana, avisou no grupo do zap que haveria atraso na chegada, para que não suscitasse preocupação familiar. A água mineral e o biscoitinho caseiro anteciparam a diversão mais tardia.

Zapeando pelas muitas páginas deste universo internetiano, encontro em um blog pernambucano – Jornal da Besta Fubana, artigo que me fez pe...

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Zapeando pelas muitas páginas deste universo internetiano, encontro em um blog pernambucano – Jornal da Besta Fubana, artigo que me fez pensar em outro tempo e comparar procedimentos daqui e de além.

Perguntei a Burity — na casa do Dr. Paulo Maia, em que o ex-governador, mais o maestro Kaplan, o violinista Yerko Tabilo, o contrabaixist...

solha
Perguntei a Burity — na casa do Dr. Paulo Maia, em que o ex-governador, mais o maestro Kaplan, o violinista Yerko Tabilo, o contrabaixista Hector Rossi, o jornalista Luiz Carlos Nascimento e eu nos reuníamos todos os sábados de manhã, para ouvir música erudita — se ele tivesse que levar uma única obra para uma ilha deserta, qual seria?

– Pai, urge que o senhor aumente a minha mesada. – “Urge”?! O que é isso? – A professora de redação ensinou que a gente deve dizer “u...

– Pai, urge que o senhor aumente a minha mesada.

– “Urge”?! O que é isso?

– A professora de redação ensinou que a gente deve dizer “urge”. Tem mais força do que “é preciso”, “é necessário”. Parece, tipo assim, o rugido de uma fera. URRRGEEE!

Frequentemente a civilização dá as mãos à barbárie e nos faz cair o queixo numa surpresa estupefata. Isso serve, positivamente, para nos...

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Frequentemente a civilização dá as mãos à barbárie e nos faz cair o queixo numa surpresa estupefata. Isso serve, positivamente, para nos advertir, pretensos civilizados, de que a barbárie pode nos aparecer de repente em qualquer esquina, sem qualquer aviso, já que anda solta pelo mundo, sem compromisso com nada e com ninguém, só com o não raro absurdo da existência. Uma dessas situações inacreditáveis aconteceu há poucos dias, em pleno 2022 e em plena Paris.

Paraíba, 6 de fevereiro de 2022

Paraíba, 6 de fevereiro de 2022

A grande força motivadora do homem é o sonho inconsciente de permanência. Por outro lado, a sua maior angústia é a luta do espírito querend...

A grande força motivadora do homem é o sonho inconsciente de permanência. Por outro lado, a sua maior angústia é a luta do espírito querendo escapar da finitude.

Esses dois extremos, sem uma percepção humana individual mais clara, cruzam com maior ou menor frequência o limite ancestral que separa a eterna confrontação entre sonho e realidade, ao longo do que chamamos vida. E esses encontros e seus graus de ocorrência definem a maior perenidade das nossas existências e como as levamos em termos de estabilidade versus insatisfação.

Nota Carlos Nejar (Porto Alegre, 1939), é poeta, ficcionista, tradutor, crítico literário brasileiro, membro da Academia Brasileira de...

carlos nejar jorge elias neto poesia capixaba livro glacial
Nota
Carlos Nejar (Porto Alegre, 1939), é poeta, ficcionista, tradutor, crítico literário brasileiro, membro da Academia Brasileira de Letras e da Academia Brasileira de Filosofia.
Acerca do livro "Glacial", do poeta capixaba Jorge Elias Neto, ele escreve o seguinte:

A glacialidade no fogo
Carlos Nejar

Jorge Elias trabalha o silêncio, seja neve, seja gelo, seja razão exposta, ou delicadeza de sentir. Sua poesia é feita de centelhas que ignoram a cronologia da dor.

Os primeiros portugueses que chegaram ao Brasil, no final do século XV e início do XVI, não tinham a intenção de se fixarem no lugar que, ...

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Os primeiros portugueses que chegaram ao Brasil, no final do século XV e início do XVI, não tinham a intenção de se fixarem no lugar que, segundo o relato de um deles, não produzia nada mais do que um “pau vermelho, a que chamamos brasil”, macacos e papagaios, embora aquele “pau vermelho” fosse, na época, uma madeira de grande valor comercial pela sua utilização como material corante na indústria têxtil.

      três por quatro Você ficou bem na foto síntese! das nervuras da folha simétrico coração no meio do traço m...

 
 
 
três por quatro
Você ficou bem na foto síntese!
das nervuras da folha
simétrico coração no meio do traço multiplica-se em tons de verde es curo e traça caminhos na impressão digital há pouco digitalizada.

Seria completa a edição redesenhada de A União desse novo 2 de fevereiro se o telefone houvesse me chamado logo cedo para o “Visse?” de Ma...

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Seria completa a edição redesenhada de A União desse novo 2 de fevereiro se o telefone houvesse me chamado logo cedo para o “Visse?” de Martinho Moreira Franco. “Visse?” assim como está escrito, apanhado no subjuntivo para a efetividade de uma obra nova aos nossos olhos. Um visse nada estranho à linguagem familiar ou de entre amigos. E vício só raramente evitado, que me lembre, das minhas relações, apenas pelo doutor Celso Mariz, escritor que adoçava a gramática: “Tens alguma novidade? Viste o filme do Vladimir sobre o patriarca?”!

O sujeito que teve a infeliz ideia de botar aqueles quiosques nas praias de Tambaú e Cabo Branco detesta o mar. Veja: com o estacionament...

cabo branco poluicao preservacao ocupacao praias
O sujeito que teve a infeliz ideia de botar aqueles quiosques nas praias de Tambaú e Cabo Branco detesta o mar. Veja: com o estacionamento de veículos do lado da calçadinha (apesar da ciclovia) e o paredão formado pelas “ilhas” de quiosques, quem passa de automóvel ou de ônibus, ou mesmo quem caminha na calçada, não consegue enxergar direito a grande estrela do local - o mar.

O historiador Guilherme Gomes da Silveira d'Avila Lins dá a lume o livro Uma contribuição para os primórdios da História dos Beneditin...

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O historiador Guilherme Gomes da Silveira d'Avila Lins dá a lume o livro Uma contribuição para os primórdios da História dos Beneditinos na Paraíba (João Pessoa, MVC Editora, 2019), em edição ilustrada com gravuras do século XVII e fotografias atuais, conforme consta na informação da capa. Ordem que chegou nesta terra Brasilis, desde o final do século XVI, quando aportaram na Cidade do Salvador, Capitania da Bahia, em 1581. Daí, foram para São Sebastião do Rio de Janeiro, em 1586; em seguida,

A princípio, o cenário nos remonta a algumas cidades históricas do interior do Brasil. Não as do tempo atual, mas de um passado distante....

gotland suecia mar baltico escandinavia visby
A princípio, o cenário nos remonta a algumas cidades históricas do interior do Brasil. Não as do tempo atual, mas de um passado distante. O traçado urbano, o lirismo das fachadas, a tranquilidade de outrora, a sensação de paz e segurança, todas as emoções que convergem em busca de um tempo perdido.

Самoвар и балалайка A leitura dos clássicos russos da segunda metade século XIX e os mais recentes do século passado, como Boris Pastern...

Самoвар и балалайка

A leitura dos clássicos russos da segunda metade século XIX e os mais recentes do século passado, como Boris Pasternak e Alexander Soljenítsin, aproximaram-me muito da cultura russa, de seus modos e costumes. Um povo ímpar, com um jeito muito particular de ser. Percebo-os como gente que tem a sensibilidade à flor da pele, com a arte no sangue e dessas e outras manifestações, a música, a dança e a literatura são fáceis de serem notadas. Citaria para início de conversa os compositores Prokofiev, Tchaikovsky, os balirinos Rudolf Nureyev, Mikhail Baryshnikov, a bailarina Natalia Makarova e o Ballet Bolshoi. Estão aí para dizerem que não minto. Isso sem falar nos escritores, que qualquer brasileiro que goste de literatura; ou leu, ou deles já ouviu dizer algures.