Mesmo os meios de transporte, tipo automóveis, motos e bicicletas, só se movem se o ser humano provocar o movimento. Não é comum alguém co...

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Mesmo os meios de transporte, tipo automóveis, motos e bicicletas, só se movem se o ser humano provocar o movimento. Não é comum alguém constatar que alguma coisa se move sozinha. Vá lá, o controle remoto da TV é uma exceção. Não é incomum deixá-lo num lado da cama e encontrá-lo na mesa de cabeceira. Porém é só isso. Móveis rangerem de madrugada e bolinhas de gude baterem no chão do apartamento do seu vizinho de cima são coisas do além, e nessa seara eu não entro; é a área de mãe Leca. E foi exatamente ela quem deu a prova definitiva de que documentos se movem sozinhos, sim.

“A partir da quinta-feira suprimia-se o doce, a rapadura, e não se comia nada fora das refeições. Falava-se de pessoas que jejuavam a pão ...

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“A partir da quinta-feira suprimia-se o doce, a rapadura, e não se comia nada fora das refeições. Falava-se de pessoas que jejuavam a pão e água. Todo prazer era proibido. Comer, beber, só para manter a subsistência. Nem banho se tomava, era regalo.

Moda é moda, mas há cada uma... Moda de andar com a calça jeans rasgada. Tem coisa mais ridícula? Só perde mesmo para a calça boca-de-sino...

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Moda é moda, mas há cada uma... Moda de andar com a calça jeans rasgada. Tem coisa mais ridícula? Só perde mesmo para a calça boca-de-sino lá nos anos 70 e que era acompanhada do sapato de salto carrapeta. Um horror! Nesse quesito moda, sou conservador. Por exemplo: gosto da tal da gravata, pois acho elegante e de bom tom usá-la. Sempre que posso, lá estou eu todo pimpão, devidamente engravatado. Mas para mim, o máximo da elegância são os suspensórios combinando com a gravata borboleta. Mas adulto, nunca os usei e nem usarei esses acessórios juntos ou separados. Invejo quem o faz e só não o faço por culpa de um irmão e de uma tia. Coisas de família, mas vou contar.

Um vendaval soprou na vida dele. Começou a rever, no reflexo e reflexão da sua maior intimidade dentro da qual somente Deus tinha acesso, ...

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Um vendaval soprou na vida dele. Começou a rever, no reflexo e reflexão da sua maior intimidade dentro da qual somente Deus tinha acesso, que tudo se desata. Ficava observando as perdas e ganhos. Os meninos soltavam pipas (ainda sem o uso do cerol assassino), os papagaios devassando em cores variadas no céu claro. Ele contava histórias de lobisomem e o dinheiro guardado na carteira. Tudo se desata: antes, ainda criança, jovem, moço, despedia os aconselhamentos da avó.

Todas as manhãs de domingo ele saía silencioso do quarto. Ia à padaria, comprava pães quentes, derretia queijo, fazia café, tirava as seme...

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Todas as manhãs de domingo ele saía silencioso do quarto. Ia à padaria, comprava pães quentes, derretia queijo, fazia café, tirava as sementes do mamão. Trazia até a cama e me acordava com brincadeiras. Fazia tudo isso sagazmente, premeditando receber recompensas.

Às vezes o amor simplesmente acontece. Manso, ele te encontra numa rua sem asfalto, em tarde de sol. De repente, tudo brilha e refulge ao ...

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Às vezes o amor simplesmente acontece. Manso, ele te encontra numa rua sem asfalto, em tarde de sol. De repente, tudo brilha e refulge ao teu redor. Ele te faz rir, desarmado. Um instante depois te atira numa espiral que converte a vida em turbilhão. Um frenesi de gozo e lágrimas regado a sangue escaldando e que te faz escutar algo feroz rugindo no teu peito a ponto de espalhar dor e sal, mel e água de rosas no teu espírito atemorizado. Não tão simples e nada manso, afinal. Amor, dizem. De quem falo neste texto? De mim, de ti, dos Beatles ou de Get Back, o documentário de Peter Jackson? De todos nós, por certo, já que “Get Back” me fez escrever sobre os Beatles com um olho fixo nas impurezas e no esplendor que movem a nossa humanidade. Um filme que contém todo o deleite, a tensão, as ásperas lutas e a graça da existência.

A necessária prova do café e do vinho. Os amargores diferenes na mesma boca. Um beijo rubro, vermelho, indomável. A alternância da língua...

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A necessária prova do café e do vinho. Os amargores diferenes na mesma boca. Um beijo rubro, vermelho, indomável. A alternância da língua a experimentar sabores, amores, odores. Daqui é possível ver tudo, talvez não compreender um mundo, mas mundos. O copo pela metade da negritude inebriante da alma, a taça meio cheia da embriaguez do corpo. Feito sol no Sertão a desfalecer verdades, construir sonoridades ao pé do ouvido, erguer brindes.

Desde algum tempo, recorrem à minha memória passagens infanto-juvenis, fazendo aflorar e reencontrar os meus Mestres e Mestras, os quais,...

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Desde algum tempo, recorrem à minha memória passagens infanto-juvenis, fazendo aflorar e reencontrar os meus Mestres e Mestras, os quais, por suas mãos, me conduziram aos umbrais do conhecimento. Foram fundamentais a convivência e o aprendizado nos bancos escolares, quase sempre sisudos e vetustos. Lembro-me, com precisão, de Irmã Cristina do Colégio das Lourdinas, que me acolheu, aos cinco anos. Ela, admirável e impenetrável sob o seu puro e alvo manto, era dona de beleza cúmplice, dotada de uma delicadeza que me seduziu.

Um dia minha juventude botou na cabeça ir morar na Inglaterra. A fascinação pelos Beatles pode ter influenciado a ousada decisão.

Um dia minha juventude botou na cabeça ir morar na Inglaterra. A fascinação pelos Beatles pode ter influenciado a ousada decisão.

O texto de humor é excelente material para o estudo da língua. Isso porque os recursos que levam...

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O texto de humor é excelente material para o estudo da língua. Isso porque os recursos que levam ao riso decorrem de uma relação peculiar entre significante e significado. O efeito humorístico vem de uma ruptura que, como no texto poético, promove uma desautomatização do sentido. Espera-se uma coisa, e aparece outra. Primeiro, o ouvinte/leitor se depara com o imprevisto; depois, constata que esse imprevisto aponta para outro sentido, portador de uma intenção crítica ou irônica.

A propósito de quê, escolhi este tema para tratar? Muito simples, vou contar. Estava relendo tranquilamente O livro dos fragmentos, de Ant...

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A propósito de quê, escolhi este tema para tratar? Muito simples, vou contar. Estava relendo tranquilamente O livro dos fragmentos, de Antonio Carlos Villaça (Editora Civilização Brasileira, 2005), quando, às páginas tantas, ele assim se refere ao maestro Ricardo Duarte, seu amigo: “... tão fino, tão delicado, tão sensível, tão introspectivo, casado com mulher forte”. Veja só. Esta expressão, “casado com mulher forte”, é suficiente, pelo menos para mim, para formar de imediato uma imagem desse casal. Ele, tímido, calado, muito educado, certamente; ela, mandona, extrovertida, decidida, a dona da última palavra sobre tudo. Quem já não conheceu uma mulher assim?

Paraíba, 17 de abril de 2022

Paraíba, 17 de abril de 2022

    DOMINGO DE PÁSCOA esperei a mansidão da manhã e os primeiros acervos coloridos do sol esperei ouvir a ladainha dos pardais e ...

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DOMINGO DE PÁSCOA
esperei a mansidão da manhã e os primeiros acervos coloridos do sol esperei ouvir a ladainha dos pardais e o alerta indiscreto dos bem-te-vis uma noite inteira sumido na mansidão da espera recolhi os mantos invisíveis da ausência e as resinas decompostas do sereno

Há 3 anos que faço parte de um clube de leitura: Livros da Frederica . Semana passada tivemos a ilustre presença da querida e aclamada Mar...

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Há 3 anos que faço parte de um clube de leitura: Livros da Frederica. Semana passada tivemos a ilustre presença da querida e aclamada Maria Valéria Rezende. Vencedora de muitos Jabutis (cinco), o maior prêmio da literatura brasileira, e mais outros tantos. O seu romance Quarenta Dias (Alfaguara, 2014) era o nosso livro do mês. Valéria é um tsunami ambulante. Uma jovem mulher beirando 80 anos, com a energia de 30! E nós, o grupo, desmaiamos na escuta. Emocionadas, não queríamos falar mais nada diante das histórias de vida e de literatura que ela nos contou.

Em um artigo de 1946, publicado na “Folha da Noite”, Belmonte (Benedito Barros Barreto, 1896-1947), o notável caricaturista criador de ...

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Em um artigo de 1946, publicado na “Folha da Noite”, Belmonte (Benedito Barros Barreto, 1896-1947), o notável caricaturista criador de Juca Pato (personagem que, durante muito tempo, foi um dos símbolos de São Paulo), trata dos erros que aconteciam na imprensa de antigamente,

A Bíblia, o Alcorão, o Torá, o Bhagavad Gita, o Mahabharata, o Vedas, o Talmude, o Tao Te Ching, o Avestá, e muitos outros, são antigas e...

A Bíblia, o Alcorão, o Torá, o Bhagavad Gita, o Mahabharata, o Vedas, o Talmude, o Tao Te Ching, o Avestá, e muitos outros, são antigas e sagradas escrituras que atravessam milênios, lidas e cultuadas, ensinando e trazendo sabedoria à humanidade. A Codificação Espírita é bem mais recente, organizada e publicada por Allan Kardec, há apenas 165 anos, no dia 18 de abril de 1857, em Paris.

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